os filmes em terceira dimensão ou simplesmente 3D já conquistaram muitos telespectadores nas telonas. Agora, a nova sensação são as TVs com a tecnologia que estão chegando ao mercado brasileiro. É verdade que as cenas em 3D são mais emocionantes, mas é também verdade que elas podem provocar algumas reações em quem as está assistindo, como dores de cabeça, fadiga ocular, sensação de desmaio iminente, tontura. Se você sentiu algum desses sintomas, procure um médico antes de ir à nova sessão.
Os casos de pessoas que passaram mal assistindo imagens em 3D aumentaram tanto que a fabricante de TVs Samsung fez alerta em seu site na Austrália (confira arte). O tema já desperta interesse de pesquisadores. Eles estudam sobre a possibilidade de o cansaço visual ser causado pelas imagens em 3D, em especial, em telas menores, que normalmente ficam mais próximas do telespectador. “A tecnologia dos filmes 3D engana o cérebro, mostrando uma imagem ao olho esquerdo e outra ao direito. O cérebro justapõe estas imagens em conjunto para produzir a cena em 3D”, explica o oftalmologista Luiz Carlos Molinari. Ele diz que, ao olhar para um objeto tridimensional na vida real, os olhos devem fazer duas coisas: convergir – rodar ligeiramente para dentro ou para fora de modo que a projeção da imagem estará sempre no centro de ambas as retinas – e acomodar – alterar a forma de cada lente (cristalino) para focalizar a cena nas retinas. “Sem convergência adequada, você vê imagem dupla e, sem a acomodação adequada, desfocada”, diz Molinari. O oftalmologista salienta que as projeções artificiais em 3D causam conflito de acomodação-convergência porque os espectadores devem focar em uma distância (onde a luz está sendo emitida a partir da tela), e convergir em outra distância (onde o objeto parece estar no espaço). “Esta diferença na distância de visualização pode ser a fonte de dores de cabeça e outros desconfortos visuais.”
O publicitário Victor Moury, de Recife, sentiu dores de cabeça quando assistia a um filme em 3D no cinema. “Com 15 minutos minha cabeça começou a doer”, conta o publicitário. No início a dor era suportável, mas depois ele começou a sentir pontadas a e a dor foi ficando mais forte. Já a estudante Luísa Magalhães Farah, de Belo Horizonte, foi acometida de tontura depois que retirou os óculos próprios para filmes em 3D. “Tive uma sensação de instabilidade, parece que o chão se elevou ao meu redor”, relembra. A tontura, segundo ela, durou pouco tempo, mas durante o filme Luísa diz que também sentiu cansaço na visão. Estes sintomas podem ser mais comuns do que se imagina, mas nem todas as pessoas sentem algum mal-estar. Luiz Molinari faz um alerta aos pais: “Se a criança sente quaisquer incômodos pode ser indício de problema subjacente, como a insuficiência de convergência, ou até mesmo um erro de refração.”
De acordo com o médico, o esforço inconsciente mental de reconstrução artificial de objetos 3D não é a única coisa que pode gerar dores de cabeça e outros sintomas. Os problemas também podem ser causados por erros no conteúdo 3D, como pequenas diferenças de tamanho entre imagens direita e esquerda ou qualquer outro tipo de desalinhamento. Pesquisadores dizem que é mais fácil controlar esses detalhes nos filmes, que são mais trabalhados, mas bastante difícil em cenas ao vivo, como o futebol, que tem de ser rapidamente transformado em 3D. “Possivelmente os problemas irão aumentar quando assistirmos a comerciais 3D e conteúdo de baixa qualidade produzidos com menos atenção aos detalhes”, afirma.