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PolíticaGuerra dos númerosUma das questões polêmicas de todas as eleições atende pelo nome de pesquisa de intenção de voto. Afinal, até que ponto elas contribuem ou influenciam no pleito?
Texto: Angelina Strapowski | Fotos: Victor Schwaner, SXC / Ilustração: Paulo Werner
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“Por mais que as intenções de voto dos eleitores estejam ainda pouco consolidadas, fazendo com que parte dos brasileiros alterne suas opiniões, pesquisas realizadas em mesmos períodos, medindo o mesmo fenômeno, deveriam captar resultados semelhantes, dentro das limitações determinadas pela estatística. Algumas das diferenças constatadas podem ser creditadas a diferentes métodos, em especial aos questionários aplicados. Determinadas perguntas alocadas antes das intenções de voto podem gerar distorções nos resultados. Por esse motivo adotamos a precaução de iniciar questionários com as intenções de voto espontânea e estimulada com cartão. Só depois questionamos os eleitores sobre outros assuntos”, explica o diretor do Datafolha, Mauro Francisco Paulino. Mas o que garante a credibilidade de uma pesquisa eleitoral? As técnicas utilizadas, o modo como elas são aplicadas, a análise dos respostas, a identificação do contratante. O resultado pode ainda variar conforme a sequência de perguntas formuladas nos questionários utilizados para as entrevistas, a metodologia, os locais das pesquisas (em pontos de fluxo ou em domicílios), o nível de informação dos entrevistados e a margem de erro dos levantamentos, que pode ser entendida como um intervalo de confiança em relação ao resultado alcançado. Em outras palavras, um desvio estatístico. Isso quer dizer que, se um candidato aparece com 30% das intenções de voto em determinada pesquisa com margem de erro de 2 pontos, na verdade ele pode ter 32% ou 28% da preferência dos entrevistados. “Cada qual utiliza uma metodologia e isso é exatamente o que define a escolha deste ou daquele instituto pelo cliente”, observa o publicitário Chico Bastos. “Qualquer discussão sobre padronização é absolutamente inócua”, emenda o publicitário, outro adepto da avaliação de que o resultado das pesquisas têm pouca influência na hora da definição do voto. Para Chico Bastos, sobretudo neste momento do processo eleitoral, os levantamentos são fundamentais para definir a comunicação e a linha estratégica das campanhas eleitorais. O cientista político André Mourthé, professor da PUC Minas, destaca ainda a importância das pesquisas como ferramenta para os partidos definirem não somente os candidatos, mas a política de alianças. Foi com base no que mostravam pesquisas realizadas ainda no ano passado, por exemplo, que José Serra e não o ex-governador mineiro Aécio Neves foi escolhido o nome do PSDB na disputa pelo Palácio do Planalto – ele aparecia com cerca de 40% da preferência do eleitorado quase um ano antes do pleito. “Pesquisa é retrato de determinado momento, mas, com tanta antecedência, não é referencial forte para o eleitor e sim para os marqueteiros moldarem o perfil dos candidatos, o discurso deles e também para a montagem dos palanques”, pondera Mourthé. “Até porque, é grande ainda o percentual de brasileiros indecisos.” O professor tem razão. De acordo com os números já divulgados, quando são convidados a declarar o voto sem ver uma lista de candidatos, técnica conhecida como pesquisa espontânea, sete em cada 10 eleitores não sabem responder. Para o diretor do Datafolha, a vantagem do eleitor, ao utilizar as pesquisas como referencial, é saber em que posição está seu candidato ou como votam eleitores com as mesmas características, o que pode ajudar no processo de escolha. “Considero essencial que os eleitores tenham esses dados à disposição inclusive no dia da eleição para que pratiquem voto consciente, sem restrições informativas”, diz Mauro Paulino. Para o sociólogo Leonardo Lamounier, professor da Fundação João Pinheiro, as pesquisas podem ser essenciais ao eleitor na véspera da eleição, por conta do chamado voto útil, uma tendência de votar em quem as pesquisas apontam que está na dianteira. “Seguem essa tendência quem chega na reta final e ainda não conseguiu consolidar seu voto espontaneamente”, explica. “Por agora, as pesquisas ajudam, além dos próprios partidos, os financiadores de campanha a definirem em quem vão investir, por exemplo”. Lamounier defende a criação de uma espécie de conselho para acompanhar o trabalho dos institutos de pesquisa o que, na avaliação dele, ajudaria a minimizar as constantes divergências de resultados apresentados. “Não acho que nenhum instituto age de má-fé até porque vivem de credibilidade, mas nenhum deles é infalível”. Isso é verdade. Relembrando dois episódios das eleições 2006: no Rio Grande do Sul, o Ibope apontou, em todas as pesquisas, a vitória de Germano Rigotto (PMDB). Venceu, no entanto, a tucana Yeda Crusius, que sempre aparecia em terceiro lugar. Na Bahia, outra escorregada do mesmo instituto, que apontava vitória do candidato do então senador Antônio Carlos Magalhães para o governo local, Paulo Souto. Foi derrotado pelo petista Jaques Wagner. Outro: nas eleições municipais de 2008, no Rio de Janeiro, nem Ibope nem Datafolha previram o crescimento do deputado Fernando Gabeira (PV), atribuído a uma onda dos últimos dias de campanha. O fato é que Gabeira foi para o segundo turno com o tucano Eduardo Paes, que acabou vencendo. |
Para entender melhor....Como é feita pesquisa de intenção de voto?
Nesse período eleitoral, geralmente são os partidos, entidades de classe (como a Confederação Nacional da Indústria ou dos Transportes), ou a mídia que contrata um instituto. Uma vez encomendada a pesquisa, define-se foco, prazos, conteúdos, abrangência, identificação de amostragem (tamanho, técnica etc), estabelece-se Como é definida a amostra de pesquisa? Nos levantamentos nacionais ou estaduais, em geral os grandes institutos trabalham da seguinte forma: num primeiro estágio, são sorteados ou escolhidos os municípios que farão parte do levantamento; depois, os bairros e pontos onde serão aplicadas as entrevistas; por fim, os entrevistados são selecionados de acordo com sexo, faixa etária e grau de instrução. Os dados são obtidos junto ao IBGE, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Geralmente, amostras nacionais têm entre 2 mil e 3 mil entrevistas e um eleitor em cada grupo de aproximadamente 50 mil é ouvido. |
Para que serve a margem de erro?Refere-se à estimativa de erro máxima para uma amostra aleatória simples. Ou seja, considerando o erro amostral, fica estabelecido intervalo de confiança em relação ao resultado alcançado.
O que garante a credibilidade de uma pesquisa?
O que pode mudar o resultado?
Existem regras para a publicação das pesquisas?
E quem fiscaliza?
Quanto os institutos cobram por pesquisas nacionais? |