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Evento
Como cresce
Em mais uma edição, a Expocachaça comprova sucesso da bebida de
alambique com 30% de aumento nos negócios gerados em relação a 2009
Texto: Marcos Alvarenga | Fotos: Victor Schwaner
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 Ana Paula Lebbos, da Backer: “É uma receita milenar, fabricada pelos monges"
Os mais de 100 mil visitantes da 13ª edição da Expocachaça, que aconteceu de 28 de maio a 1º de junho, comprovaram que o status da cachaça de alambique está realmente em alta. Com 120 expositores vindos de 12 estados e mais de 600 marcas da bebida, o evento no Expominas gerou 17 milhões de reais em negócios, principalmente com a venda de equipamentos, refletindo crescimento de pelo menos 30% em relação a 2009. “Isso mostra que o mercado superou a crise e a economia está reativada”, analisa José Lúcio Mendes, organizador e diretor de marketing da feira. E completa:“A Expocachaça é a maior vitrine da bebida no Brasil”.
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Antonio Anastasia e Gilman Viana no estande da Viver Brasil |
Minas Gerais, em especial, comemora esse aquecimento, já que comporta 60% da produção nacional de cachaça de alambique, o equivalente à movimentação anual de 1,5 bilhão de reais e à geração de 240 mil empregos. Uma das maiores produtoras do estado é a Cachaça Vale Verde, com sede em Betim, na região metropolitana. A produção artesanal de 200 mil litros ao ano inclui corte manual da cana-de-açúcar, levedura sem introdução de elementos químicos e envelhecimento da bebida em tonéis de carvalho por no mínimo três anos. “Também usamos filtros catiônicos no processo, que tiram a acidez e os metais pesados, deixando o produto mais puro”, diz a gerente de marketing Naiara Corrêa. Não à toa que, em 2009, a Vale Verde foi eleita pela revista Playboy como a melhor cachaça premium do Brasil e, na sequência, ganhou premiação na revista londrina The Spirit Business. Marcando presença na Expocachaça desde a primeira edição, em 1998, a marca está completando 25 anos. Para comemorar, lança uma garrafa da bebida em edição limitada.
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Renata Dias, da Cachaça Mineira: “Nosso segredo é manter a mesma receita” |
E já que se falou em aniversário, a Cachaça Mineira, de Machado, no Sul de Minas, celebra cem anos em 2010. A animação da festa fica por conta das edições de reserva especial: a prata, envelhecida em barris de jequitibá, e a ouro, em barris de carvalho. “Nosso segredo é manter a mesma receita de cem anos atrás, com fermentação natural”, revela a engenheira de alimentos Renata Dias, filha do proprietário. O centenário também marca os primeiros passos para exportação. “A expectativa é exportarmos cerca de 100 mil litros de cachaça ao ano”, adianta Renata.
Mas o império da cachaça ultrapassa as fronteiras de Minas Gerais. A cearense Ypióca, marca mais antiga em funcionamento no Brasil – desde 1846 –, está presente nos 26 estados e em cerca de 150 países. “O processo é 100% automatizado e a produção, sustentável. Todos os resíduos são reaproveitados para gerar energia na usina”, afirma o gerente regional Flávio de Oliveira. De olho no público jovem, a empresa está lançando a Ypióca Guaraná: com teor alcoólico reduzido (15%), foi planejada para ser um paralelo às bebidas ice em festas e eventos. “Deve ser consumida pura e sempre gelada”, ensina Oliveira.
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Flávio de Oliveira, da Ypióca: “O processo é 100% automatizado” |
Democrática, a Expocachaça abriu pela terceira vez espaço para microcervejarias. “Tanto a cachaça de qualidade quanto a cerveja artesanal têm aromas e sabores e devem ser bebidas lentamente. Ambas têm tradição no estado e as marcas estão se fortalecendo”, justifica Henrique Oliveira, presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (AcervA Mineira). Bom exemplo desses paralelos é a cervejaria Backer, de Nova Lima, que está há 11 anos no mercado e participa do evento desde 2008. Além da clássica loira Pilsen, a empresa comercializa as variações Weiss (trigo), Pale Ale, Blond Ale e Brow (a primeira no Brasil com aroma de chocolate). Na carta, destaca-se a Blond Ale, comercializada com o rótulo de Medieval. “É uma receita milenar, fabricada pelos monges medievais para ser tomada nos períodos de jejum”, conta Ana Paula Lebbos, gerente de marketing da Backer.
O público, por sua vez, convive bem com essa diversidade. Entre a degustação de uma dose e outra de cachaça, o chope gelado cai bem. Mas há quem queira ficar apenas com a primeira, como o estudante de Ciências Atuariais Ismael Maia dos Santos. “Sou fã de cachaça. Já estou na sétima dose e espero experimentar umas 20 até o fim da noite”, diz ele – já, digamos, um pouco altinho. Em tempo, fica a regra básica do bom apreciador de bebidas alcoólicas: a moderação.
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José Lúcio Mendes |
A 13ª edição da Expocachaça teve como novidade o Encontro Estratégico de Negócios, realizado pelo Sindicato das Indústrias de Bebidas (Sindibebidas). A proposta conseguiu aproximar compradores e produtores. Além disso, a feira ofereceu diversas palestras gratuitas. “Para o público em geral, creio que os temas mais interessantes foram Análise Sensorial da Cachaça e A Arte de Harmonizar Cachaça e Comida”, destaca José Lúcio Mendes, organizador e diretor de marketing da feira. Com cursos assim, não irá faltar mais nada para o antigo produtor se tornar um legítimo cachaciér
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Expocachaça em números
- 100 mil visitantes
- 120 expositores, de 12 estados
- 600 marcas de cachaça
- Movimento de 17 milhões de reais
- Crescimento de 30%
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