Quarta, 23 de Maio de 2012
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Artigo

O único acordo possível

Esses entendimentos, na verdade, coroavam a estratégia de Lula, pela qual tudo vale a pena desde que Dilma consiga se eleger

Texto: Carlos Lindenberg
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Carlos Lindenberg - Jornalista

É sempre muito difícil, para não dizer perigoso, querer fazer prognóstico na política. O efeito das nuvens, de que falava Magalhães Pinto, está sempre presente. Desde o início de junho, no entanto, o que se pode dizer é que tudo caminhava, na primeira semana, para o entendimento entre o PT e o PMDB com vistas à sucessão estadual. Entendimento difícil, esse. Saiu, se efetivamente se concretizar, a fórceps. E só saiu porque a candidata Dilma Rousseff fez prevalecer a sua autoridade sobre os companheiros na reunião da coordenação da campanha, na última semana de maio, em Brasília. Dilma ficou especialmente irritada com seu amigo Fernando Pimentel, que se deixava levar pela ala do PT que o acompanha, e que queria a todo custo – e possivelmente ainda queira – fazer do ex-prefeito de Belo Horizonte candidato do partido ao Palácio da Liberdade.

Nada, aliás, mais legítimo. Pimentel, todos reconhecem, tem todas as condições para disputar o posto, até porque acabara de vencer as prévias do partido em que se colocara frente com seu antigo chefe, o ex-ministro Patrus Ananias, e o derrotara, assumindo assim o comando do PT em Minas. Com a vitória, a ala liderada por Pimentel, que já vinha no embalo, aumentou o entusiasmado e cismou de fazer dele candidato ao Palácio da Liberdade, ignorando entendimentos anteriores, feitos em Brasília, pelos quais o PT abriria mão da candidatura em Minas para apoiar o senador Hélio Costa, tendo a ex-ministra Dilma Rousseff, de contrapartida, o apoio e a adesão do PMDB à sua candidatura à Presidência da República. Ninguém ignorava isso, nem as palmeiras da praça da Liberdade, só uma parte do PT mineiro.

Esses entendimentos, na verdade, coroavam a estratégia do presidente Lula, criador da candidatura da ex-ministra, pela qual tudo vale a pena desde que Dilma consiga se eleger. Daí a orientação para que o PT cedesse, onde necessário fosse, a cabeça de chapa ao PMDB. Em Minas, desde muito antes, o senador Hélio Costa, já se colocava como candidato, na expectativa de que o PT pudesse apoiá-lo. E tudo caminhava nessa direção, não fosse o fervor com que o gru­po de Fernando Pimentel se colocou como pretenden­te ao governo do estado, quem sabe embalado pelo crescimento de Dilma nas pesquisas. Esse movimento do PT criou um nível de tensão tal que na semana em que a ex-ministra teve que falar mais alto com seus correligionários de Minas, Hélio Costa foi obrigado, após almoço com o deputado Michel Temer, presidente do partido e certamente vice de Dilma, a ameaçar romper com a candidatura petista e tomar caminho incerto. A temperatura chegou a tal nível que houve quem jurasse ter visto Hélio Costa saindo de um encontro com o governador Anastasia, e seu provável competidor, no Palácio das Mangabeiras, local, aliás, que evoca tantas confabulações desde que construído aos pés da majestosa serra do Curral por Juscelino, na década de 50.

Ao que parece, no entanto, a despeito das pesquisas feitas e interpretadas ao prazer de cada um, prevaleceu a tese de Lula de que as candidaturas estaduais devem secundar a da sua ex-ministra, daí a razão de em vários estados haver duplo palanque ou só candidatura do PMDB. A propósito, chegou-se a pensar no duplo palanque também em Minas, mas aí foi a hora de o PMDB chiar, até porque não somente Hélio Costa seria prejudicado, mas a própria Dilma e num estado emblemático como Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país, local onde nasceu Dilma e  onde Aécio Neves joga parte de seu destino político depois de recusar-se a ser vice de José Serra e de lançar como seu candidato ninguém menos do que o seu vice, Antonio Anastasia. Com choro e ranger de dentes, PT e PMDB estavam a caminho do pacto, restando como laço final a possibilidade de Patrus ser o vice de Hélio Costa, como também era desejo de Lula.

 
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