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Especial IndústriaContribuição de pesoTerceira economia do país, a indústria mineira é responsável por mais de um terço da composição do PIB do estado
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Um bom indicador da recuperação da indústria mineira é a contratação de mão de obra, que já ultrapassou os níveis de aquecimento da economia em meados de 2008. Isto é um fato relevante porque nenhum empresário contrata para que as pessoas fiquem paradas nas empresas. “Este é um indicador de que a produção física e o faturamento das empresas também aumentarão. Se a empresa contratou é porque tem serviço. Hoje, o número de empregados na planta já supera os níveis de meados de 2008 e esse pessoal está gerando horas de trabalho na produção acima do verificado em 2008. Então, é só uma questão de tempo para essa produção virar faturamento”, diz Guilherme Leão. Outro bom indicador, segundo ele, é que o nível de utilização da capacidade instalada na indústria mineira está crescendo e chega a 88%. “Não tenho dúvida de que superamos a crise e estamos em um processo de crescimento baseado no mercado interno”, analisa. Com relação às exportações, o economista da Fiemg diz que elas ainda não esboçaram reação. |
A indústria mineira não tem muita diversificação, o que é um ponto desfavorável para o estado porque, em caso de crises em alguns setores, o PIB de Minas pode ser bem afetado, como ocorreu na última crise mundial. Mas, a realidade é que os setores de extração de minerais metálicos, metalurgia, alimentos, petróleo e álcool representam 70,9% do PIB do estado. Este é um fato que não pode ser mudado da noite para o dia. Mas a boa notícia é que estudos realizados com base nos anos de 1996 a 2006 comprovaram que está havendo maior ganho de produção de alguns setores da indústria mineira na produção nacional. O segmento de fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos cresceu 105% no período; o de fabricação de máquinas para escritório, equipamentos de informática e materiais eletrônicos aumentou 71%; máquinas e equipamentos, 52% e o segmento de produtos químicos, 11%. “Isto significa que Minas ganhou em market share nesses setores e, para nossa surpresa, eles não estão entre os que representam 70% do PIB mineiro. Isto significa que outros setores ganham espaço na economia mineira”, salienta Guilherme Leão, para quem a diversificação reduz o risco de volatilidade da economia do estado. |
Dados confirmam que a indústria mineira tem forte relevância em âmbito nacional. O setor de metalurgia daqui responde por 37% da produção brasileira de aço; o estado é o maior produtor e exportador de ferro-gusa; 25% da produção nacional de fundição saem de Minas Gerais; o estado tem uma indústria alimentar bastante diversificada; é o terceiro maior setor da indústria química do país; é o primeiro maior produtor de café, segundo de feijão e terceiro sucroalcooleiro, devendo chegar a segundo nos próximos anos devido às vantagens do estado para a produção da cana-de-açúcar. Minas Gerais é também o segundo polo automotivo do Brasil, o segundo polo têxtil e o maior produtor de cimento, sendo responsável por 23% da produção nacional. Ao todo, o estado possui 112.563 indústrias classificadas nos segmentos da indústria extrativa, transformação e construção civil. Empresas com mais de 30 empregados são as que têm maior relevância na geração de valor dentro da indústria, em Minas. Ao todo, são 5,6 mil companhias com esta característica, que respondem por mais de 70% dos empregos gerados na indústria do estado.
Um dado não muito confortável para a economia de Minas é com relação à distribuição espacial da indústria no estado, que está muito concentrada em três regiões de planejamento: Central, Rio Doce e Triângulo Mineiro. A região Central responde por 56% do PIB industrial de Minas; o Rio Doce, por 11% e o Triângulo, por 10%. As regiões Norte, Nordeste e Noroeste correspondem a 2,8% da produção industrial de Minas. “Estamos falando de uma área territorial que ocupa quase metade do estado, abriga quase 40% de todos os municípios mineiros e concentra cerca de 50% da população mineira. É por isso que Minas Gerais é o terceiro PIB do país, mas quando é analisado o PIB per capita, o estado tem posição bastante tímida em relação à sua pujança e tamanho, pois existe uma grande região de Minas que não consegue atrair indústrias”, lamenta Guilherme Leão. Ele diz que o estado tem políticas públicas para incentivar empresas a se instalarem nestas regiões, mas essencialmente fiscais e creditícias. O fato é que a cada dia é mais claro que este tipo de política não basta para atrair a indústria, pois representam pouco considerando as outras demandas que as empresas terão ao se instalarem nestas regiões, como a necessidade de vias de escoamento de produção e de recepção de |
Outra característica da indústria mineira é o conservadorismo. São poucas as que realizaram IPO. “Há necessidade da indústria se voltar para uma maior capitalização para conseguir fazer frente aos investimentos que estão batendo em sua porta. E, isso pressupõe que uma empresa está disposta a mudar sua estrutura de capital, a abrir o capital para colocar participação de novos acionistas, que possam ajudá-la no processo de crescimento”, observa o gerente de Economia e Finanças da Fiemg. Guilherme Leão diz que as empresas mineiras, bem como as de outros estados, enfrentam alguns gargalos, como a alta carga tributária, a complexa, burocrática e densa exigência de documentação, que são fatores que prejudicam toda a indústria nacional. Além disso, o país ainda possui grau elevado de tributos nas exportações. “Somos o único país do mundo que exporta tributos. Sendo assim, não dá para ser competitivo”, ressalta Leão. Ele diz que a legislação trabalhista brasileira também é retrógrada, pouco flexível na viabilização das relações entre capital e trabalho e, adicionalmente, uma legislação que impõe o encargo trabalhista para o empresário sem reflexo positivo no salário direto do empregado. “No caso de Minas Gerais, temos uma política tributária das mais conservadoras do país. Isso merece ser trabalhado, estudado com o governo para que haja melhora do sistema no sentido de dar produtividade e competitividade às cadeias produtivas”, analisa o economista da Fiemg. |
Outro problema é a infraestrutura, principalmente rodoviária e ferroviária, que ainda é um fator que merece aprofundamento na relação estado e iniciativa privada para tentar solucioná-lo, pois prejudica a produtividade da indústria mineira. Guilherme Leão resume em quatro os grandes fatores que ajudariam a economia mineira a dar saltos elevados de competitividade. O primeiro ponto é a parceria do estado com a iniciativa privada por um sistema tributário mais eficiente, mais ágil, com menor carga tributária sobre as cadeias produtivas e com respostas mais rápidas quando for observada concorrência predatória nos estados limítrofes. Outro aspecto são as parcerias público-privadas para agilizar investimentos nas áreas rodoviária, ferroviária e hidroviária. Também é necessária uma instituição financeira mais capitalizada para apoiar a indústria como um todo, pois o BDMG não tem capacidade para atender a todas as demandas da indústria do estado. E, finalmente, é necessário se pensar em um programa de fomento da micro e pequena empresa no que tange à sua gestão. “Aprimorar a gestão dessas empresas significa oferecer-lhes mais competitividade e longevidade”, finaliza Leão. |
Raio X da indústria em MG
- A economia mineira é a 3ª maior do país Indústria mineira no Brasil
- Metalurgia: responde por 37% da produção brasileira de aço Fonte: Guilherme Velloso Leão/Fiemg |
Em busca do trabalhadorA falta de mão de obra qualificada nas indústriasIracema Barreto O nível de emprego na indústria aumentou. Em março, o crescimento foi de 2,4%, a maior expansão ante igual período do ano anterior desde 2008, segundo apurou a última pesquisa nacional realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No caso mineiro, o faturamento já vem atingindo os níveis pré-crise, de acordo com os indicadores da Fiemg. O aumento da massa salarial é outro fator positivo já registrado. Mas, no caminho de uma expansão ainda maior do setor, há uma pedra. E das grandes: a falta de mão de obra qualificada. Em alguns segmentos, a saída para amenizar o descompasso entre a geração acelerada de novas vagas e a ausência de trabalhadores foi investir na formação dos próprios profissionais. A construção civil é uma das responsáveis pela grande oferta de empregos na indústria. O boom de novos empreendimentos e as obras que vêm na esteira de ações federais como o Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são os principais motivos. Em abril, o segmento registrou o quarto recorde seguido de geração de novos postos de trabalho, com saldo de 38.951 vagas em território nacional. Proporcionalmente, é um dos setores que mais sofrem com a falta de pessoal especializado, como engenheiros, pedreiros, topógrafos e mestres de obras. Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o problema passou de segunda para primeira preocupação dos empregadores no primeiro trimestre deste ano, comparado ao último trimestre de 2009, quando a elevada carga tributária aparecia como o principal motivo da falta de sono dos empresários da construção civil. A CNI destaca a restrição do aumento da competitividade como um dos impactos negativos dessa escassez de mão de obra qualificada, mas aponta o investimento das próprias empresas em qualificação como medida adequada para que o quadro se normalize a médio prazo. |
Para encurtar esse abismo, além de cursos de especialização nos canteiros de obras, muitas construtoras montaram verdadeiros pacotes de benefícios como forma de evitar a migração de suas equipes para a concorrência. Cabe de tudo nesse pacote – plano de saúde extensivo à família, seguro de vida e até toalha limpa para o banho no fim da jornada de trabalho. “Cada empresa oferece algum diferencial. Muitas construtoras estão também pagando prêmios por produtividade, assiduidade, maior organização no canteiro de obras”, diz o vice-presidente de Política, Relações Trabalhistas e Recursos Humanos do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Bruno Vinícius Magalhães. “É um lado positivo dessa grande demanda, a valorização profissional”, ressalta. Uma saída encontrada pelo sindicato mineiro foi estabelecer parcerias com instituições de ensino superior como Fumec, PUC e Kennedy para criar uma espécie de banco de empregos. Já ao Senai caberá a formação de turmas de até 25 alunos nos canteiros de obras. A primeira delas começa a ter aulas em junho. A ideia é formar multiplicadores de mão de obra, ou seja, transformar ajudantes em oficiais – como são chamados os técnicos especializados na construção civil. Bruno Magalhães destaca ainda a parceria com a ONG Aprecia, que capta no mercado potenciais trabalhadores para o segmento e oferece treinamento para os interessados. |
O setor de panificação também sofre com a falta de mão de obra adequada. Tanto a Associação Mineira da Indústria da Panificação (Amip), quanto o sindicato dos trabalhadores do setor (SIP) garantem: há vagas para pelo menos mil padeiros profissionais e para até 700 confeiteiros, a maioria em Belo Horizonte, onde estão concentradas 1,8 mil das 14,7 mil padarias do estado. O setor emprega diretamente cerca de 150 mil pessoas e registrou faturamento de 7 bilhões de reais em 2009, quando cresceu 13,07%, superando a média nacional (12,61%). A expectativa é fechar 2010 com novo recorde de crescimento – até 15%, pelos cálculos do presidente da Amip, Antônio de Pádua Moreira. Para evitar imprevistos que possam impedir a concretização dos números, investimento em qualificação é a palavra de ordem. “O treinamento dos profissionais é essencial para o sucesso do negócio. As padarias estão se modernizando para atender o consumidor e isso refletiu positivamente no consumo e na geração de empregos”, observa Luiz Carlos Caio Xavier Carneiro, presidente do Sip lembrando que a diversificação de serviços e produtos oferecidos pelas padarias, como café da manhã, sushi bar, happy our, além de pães mais elaborados, exige mão de obra específica, como nutricionistas e engenheiros de alimentos. |
Entre as diversas ações oferecidas pela Amipão (junção do sindicato e da associação) estão os cursos de formação e aperfeiçoamento em parceria com o Senai, palestras motivacionais, treinamentos, encontros com empresários, feiras e seminários. A melhoria do nível profissional, muitas vezes, é resolvida com soluções internas. Aparecida Oliveira, 37 anos, é hoje ajudante de confeiteiro na Padaria Antoine, na região da Savassi. Começou a trabalhar no local há cerca de um ano e meio como auxiliar de limpeza e foi promovida após passar por treinamento oferecido pela empresa. “Quem não estiver aderindo a esse tipo de atitude está passado mais aperto”, pondera o presidente da Amip, Antônio de Pádua Moreira. Segundo ele, a Amipão desenvolve agora projeto em parceria com a prefeitura, o governo do estado e as Forças Armadas, onde são recrutados, entre os reservistas indicados, interessados em passar por teste vocacional. “Até pouco tempo trabalhar em padaria era visto como fim de linha. Hoje, é bom frisar, as condições de trabalho são outras e o profissional é bastante valorizado”, diz Moreira. |
Além da construção civil e da panificação, a indústria de máquinas também sofre com a falta de mão de obra especializada para ampliar a produção. O setor tem recorrido a workshops para tentar atrair mais trabalhadores para as fábricas, segundo declarou recentemente o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Antonio Carlos Bonassi, lembrando que a escassez de funcionários qualificados é consequência do aquecimento das vendas no mercado interno e do início da retomada das exportações. Dados da Abimaq apontam crescimento de 127,7% das vendas no mercado doméstico no primeiro bimestre de 2010. No Brasil, o setor conta com fabricantes como Caterpillar, Case New Holland, Komatsu, Volvo, entre outros. |
O presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Gonçalves, afirma que o setor de mineração também encontra dificuldades para encontrar profissionais de nível superior, mas já conseguiu amenizar a deficiência dos níveis técnicos oferecendo formação especializada para os empregados. Nos setores de siderurgia e alimentos o problema também é constantemente monitorado. Convênios com o Senai e outras instituições para a formação do pessoal demandado é uma das principais iniciativas. “A falta de mão de obra ainda não compromete o desenvolvimento da indústria mineira. Temos carências, sim, mas plenas condições de superar esse quadro”, ressalta Lincoln Gonçalves. |
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Engrenagem prontaO novo presidente da Fiemg, Olavo Machado, fala de uma realidade no setor industrial bem diferente daquela do início da década, época em que a competição com o mercado externo era algo impensávelAlex Capella Há sete anos, o empresário Olavo Machado Júnior comprou um Karmann Ghia, modelo 1969, original. Foi em 2003, início da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na época, a consultoria McKinsey & Co. apontou que setores importantes da indústria brasileira apresentavam desempenho 70% inferior frente à concorrência internacional. As empresas nacionais não tinham como competir no mercado externo e sofriam com a invasão dos produtos importados. O que se viu foi um desmanche do parque industrial, inclusive, em Minas. Diante do cenário tenebroso, o engenheiro do setor elétrico não teve dúvidas: também desmontou o automóvel como uma espécie de catarse. Passados sete anos, o charmoso conversível vermelho ganhou as ruas, mas continua em fase de montagem. As peças e engrenagens vêm sendo restauradas aos poucos, com muito critério, para que a raridade pegue o asfalto, de forma triunfal, como na época em que era considerado o preferido das meninas. Apenas 175 unidades do modelo foram fabricadas no Brasil. Já a indústria nacional, incluindo a mineira, na opinião do novo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), do alto dos seus 61 anos, tem hoje totais condições de participar de qualquer mercado, sem temer a concorrência de ninguém, nem da indústria chinesa. Agora, assim como na montagem do Karmann Ghia, Machado defende que, numa economia de mercado, “as porcas e arruelas” também precisam estar bem encaixadas. E o encaixe certo, que propicia desempenho ao automóvel, no caso da indústria, é classificado pelo empresário como “barreiras técnicas” que fazem com que o setor cresça localmente, usando o próprio mercado. A opinião é de quem teve de lidar com a carga tributária, os encargos sociais e a concorrência desleal, desde cedo, na empresa do pai, fabricante de equipamentos de retransmissão de televisão. Por isso, Machado não teme ser taxado de protecionista. “Não falo em fechamento, mas, sim, em criar condições para que nossas empresas se tornem mais competitivas. Precisamos proteger o nosso mercado. Somos a segunda opção de crescimento para o país. E pelas características do nosso mercado, acredito que o desenvolvimento vai fluir para Minas”, diz. Casado há 35 anos e pai de três filhos, o novo representante da indústria mineira quer levantar a bandeira de que a classe empresarial precisa ser tratada com mais carinho pelos governos. Segundo ele, por causa da burocracia, a indústria vem perdendo a chance de ajudar o país a crescer ainda mais. “Há problemas causados pelo emaranhado da burocracia, pela deficiência dos portos e pelas dificuldades que há para investir no país. A minha primeira bandeira é o resgate do empresário que, no passado, teve problemas. Temos que criar condições para quem teve problemas com impostos, muitas vezes por culpa da burocracia”, afirma. O novo presidente da Fiemg destaca a parceria com o governo do estado para o crescimento do setor industrial como nas reduções de alíquotas que, na sua visão, resultaram no aumento das vendas e da arrecadação. Mas o empresário destaca também a atuação do governo federal na área social como outro vetor do crescimento industrial, principalmente, nas áreas mais pobres. “Sou favorável ao Bolsa Família do Lula, porque foi a maneira que ele encontrou de distribuir renda. O Jequitinhonha começou a crescer, o aposentado passou a receber um dinheiro, a mãe solteira, o desempregado. Então, aquela economia pequena começou a ter recursos para rodar: o comerciante tinha para quem vender, o produtor agrícola aumentou sua produção”, lembra. A palavra crescimento acompanhou o engenheiro do setor elétrico pelo resto da vida. E começou a ganhar importância quando, ao lado de um colega de faculdade, logo depois de se formar, abriu a sua primeira empresa, a Machado Corrêa Engenharia. Ambicioso, mas com espírito coorporativo, militou em entidades de classe como no antigo Centro das Indústrias das Cidades Industriais (Cici), de Contagem, e depois na própria Fiemg. Na década de 1980, foi presidente do Sindicato das Indústrias Elétricas de Minas Gerais. Exímio conhecedor do setor elétrico, foi chamado pelo então governador Newton Cardoso (PMDB) para dirigir o Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec), cargo que exerceu, simultaneamente, ao comando da Macorin. A fabricante de transformadores de distribuição e painéis elétricos, tornou-se referência no estado. Mas, a vontade de crescer, fez com que Machado vendesse metade de sua empresa para seu maior concorrente, a Orteng, de propriedade do ex-presidente da Fiemg, Robson Andrade, que ocupa hoje a cadeira principal da Confederação Nacional das Indústrias (CNI). A parceria resultou na Orteng MCT. “A Orteng tinha dinheiro, e eu, a tecnologia. O negócio foi importante para eles pela agregação de valor, porque eles entraram num novo negócio. E, para mim, o importante era a viabilização do negócio. Eu havia chegado ao limite da capacidade de investimento”, revela. Agora, à frente da Fiemg, o empresário assegura que continuará o trabalho na defesa da estruturação econômica, da criação de condições para o desenvolvimento, da formação das pessoas, da geração de riquezas e do combate aos gargalos do setor. “Não há razão para fazermos grandes mudanças. Participei da administração do Robson Andrade e concordei com a maioria das decisões. Vamos partir de onde ele terminou. A Fiemg é importante para qualquer governo e não pode ser submissa. Por isso, acredito que não podemos ficar debaixo de tutelas que impedem o Brasil de avançar. Hoje, toda grande empresa tem programas ambientais. Será que o problema vem delas? Ou será que o problema é a insuficiente rede de esgoto, o que é de responsabilidade dos governos?”, questiona. |
Mérito em 2010Instituído em 1957 por JK, o Dia da Indústria consolidou-se em Minas e é comemorado todo dia 25 de maio. Desde 1976, a Fiemg entrega, a cada ano, a um empresário do setor, o Título de Industrial do AnoFlávio Penna Segundo maior centro industrial do país, Minas Gerais tem uma participação expressiva na formação do PIB brasileiro. A mineração, a siderurgia e o setor automotivo têm forte presença na economia mineira que, ao longo dos anos vem se diversificando, graças a atração de novas empresas e o empreendorismo de seus empresários. O “Dia da Indústria”, que Juscelino Kubstichek instituiu em 1957, como homenagem ao setor que se consolidava no país, começou a ser comemorado em Minas em 1960, na gestão de Fábio de Araújo Motta à frente da Fiemg. Naquele ano, foram condecorados os pioneiros da indústria mineira, pessoalmente ou através de familiares, como reconhecimento pelo esforço que realizaram em favor do desenvolvimento do estado. |
Em 1965, a Federação das Indústrias decidiu estabelecer o dia 25 de maio, ou uma data próxima, em função de interesses de agendas, para fazer a entrega da Medalha do Mérito Industrial a empresários de destaque na nossa economia, escolhidos por uma comissão formada por seus pares na entidade. |
Desde 1976 a Fiemg entrega a um empresário do setor industrial, indicado por uma comissão especial, o “Título de Industrial do Ano”, em reconhecimento à contribuição dada ao desenvolvimento industrial de Minas. Trinta e quatro empresários já foram agraciados, entre eles o vice-presidente José Alencar, que recebeu o título em 1985. O trigésimo quinto empresário homenageado com o “Título de Industrial do Ano” foi o engenheiro metalurgista Marco Antônio Soares da Cunha Castello Branco, ex-presidente da Usiminas. Junto com ele, outros trinta e um empresário foram agraciados com o “Mérito Industrial-2010”, em solenidade realizada na Serraria Souza Pinto, no dia 27 de maio. |
Os homenageados com o Mérito Industrial 2010
Ademir Jorge Marinho - Diretor-presidente da Gráfica e Editora 101 Ltda. Cláudia Corrêa de Castro Magalhães - Sócia-proprietária da Paddia Comércio e Indústria Ltda. - Mabel Magalhães Cláudio Fernando Santos Vidigal Amaro - Sócio-proprietário da Martha Veículos Indústria e Comércio Ltda. Danilo César Elias - Diretor comercial da Ponto por Ponto Ltda. Eduardo Pinheiro Campos - Diretor da Emccamp Residencial S.A. Geraldo Eder Drumond Alves - Gerente geral da Cipalam - Indústria e Comércio de Laminados Ltda. Gilnei Machado - Diretor-presidente da Telemont Engenharia de Telecomunicações S.A. Gláucia Drager de Abreu - Sócia-proprietária da Recadanth Acessórios Alternativos Ltda. Jorge Lages de Oliveira - Presidente da Medquímica Indústria Farmacêutica Ltda. José Adilson Teixeira - Sócio e diretor comercial da Real Minas Têxtil Indústria e Comércio Ltda. José Flávio Pereira Viana - Sócio-diretor da incorporadora e Construtura Viga Ltda. José Luiz Balardin - Diretor financeiro da Usina Santo Ângelo Ltda. Joselito Gonçalves Batista - Diretor-proprietário da Laticínios Traigor´s Ltda. Luiz Raul Aleixo Barcelos - Sócio-diretor da Luiza Barcelos Calçados Ltda. Marcus Vinícius Salum - Sócio-diretor da Salum Construções Ltda. Milton Elias da Cruz - Sócio-diretor da Panificadora Palmeiras Ltda. Onofre Siqueira - Diretor da Indústria de Carnes Nelore Ltda. Paulo Marcon - Presidente da Sociedade Vinícula Marcon Ltda. Paulo Sérgio Cunha - Sócio-diretor da Temper Indústria e Comércio Ltda. Renato Ferreira Malta - Diretor-presidente da Vina Equipamentos e Construções Ltda. Rogério Luís da Cunha - Sócio-diretor da Rubber Trade Produtos de Borracha Ltda. Rogério Mascarenhas Cezarini - Diretor administrativo-financeiro e vice-presidente do Conselho de Administração da Estamparia S.A. Rovaldo Coelho Cunha - Presidente da Creck Móveis Ltda. Rubens Martins de Araújo - Diretor-presidente da Vasconcelos Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda. Sinval Bressan da Costa - Sócio-gerente da Indústria e Comércio de Malhas Pinguim Ltda. Vicente Roberto de Carvalho - Diretor-presidente da Vicente Roberto de Carvalho & Cia. Ltda. |
Gilnei MachadoHá nove anos à frente da Telemont Engenharia de Telecomunicações, empresário lidera time com mais de 10 mil funcionários no BrasilAna Clara Furtado Respeito, simplicidade e excelência em gente. Estes são valores cultivados pelo diretor-presidente da Telemont Engenharia de Telecomunicações S.A., Gilnei Machado, desde o início de sua gestão, em 2001. Homenageado com a medalha Mérito Industrial da Fiemg, é com seriedade que o empresário lidera um time de mais de 10 mil empregados espalhados pelo Brasil, conduzindo com resultados positivos os negócios da empresa prestadora de serviços voltada para a implantação de redes telefônicas. Orgulhoso pela premiação, Machado conta que é “mineiro por adoção”. Após graduar-se aos 23 anos em engenharia civil na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, cidade em que nasceu, mudou-se para Brasília, onde deu início à carreira. Foi lá que se dedicou, por algum tempo, à profissão de engenheiro, experimentando, dois anos depois, setores mais administrativos. Entrou para o grupo Dan-Hebert como diretor-técnico da construtora, tornou-se superintendente e, há nove anos, quando foi por eles comprado o controle acionário da Telemont, veio para Belo Horizonte. Desde então, a empresa de telecomunicações ampliou de forma significativa sua área de atuação no país, assim como o número de colaboradores e acessos de voz e dados. A adaptação ao mercado de operadoras privatizadas foi, segundo Machado, um dos maiores desafios enfrentados. Nos primeiros 25 anos da Telemont, hoje com 35, eram construídas redes telefônicas para operadoras estatais, cenário que mudou a partir de 2000. “Atualmente, além de construir redes, fazemos a operação e a manutenção das plantas. Isso exige uma responsabilidade maior, pois meu sucesso depende da velocidade e qualidade do meu serviço”, pontua. Em 2007, a Telemont foi campeã, no setor de construção e engenharia, do prêmio Valor 1000, promovido pelo Jornal Valor Econômico. Entre os diferenciais da empresa, Machado destaca o time de profissionais de qualidade, sempre atento às mudanças do mercado, de tecnologia e adaptações econômicas, em busca constante por inovações. Aos 45 anos, casado há 20, pai de uma filha e um filho, o executivo da Telemont procura, com esforço, conciliar a vida pessoal com as responsabilidades na empresa e viagens a trabalho. “Uma família equilibrada e organizada em todos os aspectos lhe dá uma tranquilidade maior para exercer sua atividade, seja ela qual for.” |
Marcus Vinícius SalumPara o sócio-diretor da Salum Construções, a melhor forma de lidar com momentos instáveis é fazer dos cenários negativos boas oportunidadesAna Clara Furtado Reunindo espírito empreendedor e tradição familiar, o mineiro Marcus Vinícius Salum fundou, aos 21 anos, ao lado do irmão Caio Márcio Salum e do primo Jorge Salum, a Salum Construções. Empresa de engenharia civil especializada no segmento de obras públicas e no mercado industrial, o negócio de família iniciado antes mesmo de sua graduação na faculdade se desenvolveu e, hoje, é responsável por sua satisfação profissional. E o empresário tem muito a comemorar. Os 33 anos de dedicação, desafios e árduo trabalho ganham mais uma prova de terem valido a pena. Salum acaba de receber a medalha Mérito Industrial, reconhecimento da Fiemg por sua sólida trajetória profissional. Gratificado com a homenagem, Salum valoriza não apenas os próprios caminhos trilhados como o empresariado mineiro em geral, o qual qualifica como sério, seguro e competente, sabendo driblar as diversas crises e burocracias do país. Ele explica que um dos segredos do bom desempenho de seus negócios, inclusive, é exatamente saber lidar com os momentos instáveis, fazendo dos maus cenários, boas oportunidades. “Muitas empresas, em momentos de crise, diminuíram, ficaram restritas ao mercado. A Salum se preparou tecnicamente, diversificou para o mercado privado e especializou-se”. Aos 54 anos, o sócio-proprietário da Salum Construções zela por qualidade, segurança, responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. Atuando na administração e representatividade da empresa, ele credita a positiva condução da profissão ao seu espírito de liderança, característica inata que sempre lhe rendeu muitos problemas a resolver, mas também incomparável aprendizado. Salum, de fato, destaca-se como líder. Já ocupou cargos de presidência em diversos setores, desde o Sicepot, passando pelo Clube Sírio de Belo Horizonte até o América Futebol Clube, sua grande paixão e, segundo ele, o abacaxi favorito. Do time de coração, o qual ele considera sua cachaça, apenas abriu mão entre 2002 e 2008, assumindo, no ano passado, o posto de membro executivo do conselho de administração. É com a pelada do final de semana, reunindo o time formado há 28 anos, que ele alivia o stress do dia a dia. Valoriza ainda, acima de tudo, o apoio na vida pessoal, da esposa, duas filhas e um filho, que reflete, indiscutivelmente, na profissional. “Sou um homem feliz, principalmente por minha realização familiar.” Já em relação ao corre-corre à frente da Salum Construções, o empresário acredita que trabalha mais do que devia, mas não chega a se considerar um workaholic, felizmente. “Costumo dizer que minha busca é conseguir saber envelhecer e diminuir essa carga de trabalho.” |
Cláudia MagalhãesDando continuidade à história de sucesso da mãe no mundo da moda, ela se sente reconhecida com o Mérito Industrial 2010Ana Clara Furtado Talvez a menina que gostava de desfilar na infância jamais imaginasse que se tornaria uma renomada empresária, aos 40 anos. Foi aos 15 que Cláudia Corrêa de Castro Magalhães iniciou seus trabalhos na empresa da mãe, Mabel Magalhães, trilhando e acompanhando atentamente os passos de uma mulher determinada que, acima de tudo, sabia dar valor a cortes e tecidos de qualidade, caimentos impecáveis e estilo de primeira. Passou do estoque à recepção, esteve ainda na expedição, produção e estilo, até que conhecesse de pertinho toda a logística da fábrica. Foi com empenho, sempre se espelhando na figura materna, que ganhou, aos poucos, uma visão geral do seu local de trabalho, que ela considera essencial. Atualmente com duas lojas em Belo Horizonte, clientes em diversas cidades do Brasil e showrooms na França e Espanha, a fórmula de sucesso da grife não mudou muito desde o falecimento de sua fundadora, em junho de 2004. Foi então que Cláudia, formada em administração de empresas, assumiu o posto de sócia-proprietária. Com a ajuda de irmãos e familiares, tem se esforçado para conservar o legado de Mabel, preocupando-se sempre em cultivar seus rigorosos padrões e palavras de ordem responsáveis pelo elevado nível da empresa. Tamanha tem sido a dedicação que, aos 25 anos de carreira, Cláudia será homenageada com o prêmio Fiemg Mérito Industrial 2010. Feliz com a indicação, ela se sente privilegiada, mas conta que o reconhecimento tem gosto especial, representando um feedback positivo à continuidade do trabalho deixado por Mabel. “Ela batalhou muito por isso e eu e meus irmãos quisemos continuar o que ela nos tinha deixado. É como receber o prêmio por ela, que merece mais do que eu.” Além do dia a dia na fábrica, desafios do mercado da moda, viagens ao exterior e muitas tomadas de decisões, Cláudia divide o tempo com a filha e amiga, Júlia, 11, que faz questão de buscar na escola. É com o apoio de uma equipe antiga e leal, de cerca de 50 pessoas, que ela conduz os negócios e busca, com pitadas de contemporaneidade, satisfazer os clientes com produtos diferenciados e exclusivos, aliados a bom atendimento, entrega e fidelidade. Sentindo-se profissionalmente realizada, a empresária diz querer manter o equilíbrio atual, não tem a ambição de estar no topo, até porque seu foco não é crescer demais, mas conservar o alto padrão da grife. Descrevendo-se como uma mulher de garra, disciplinada e que pensa sempre positivo, é assim que Cláudia caminha, seguindo o estilo da mãe: personalidade que, indiscutivelmente, contribuiu muito para o cenário da moda mineira. |
Bernardo Andrade de Valadares GontijoHá 22 anos trabalhando no setor, o diretor da AVG Siderurgia afirma que as perspectivas para o mercado interno são positivasCláudia Rezende Aos 40 anos, o mineiro Bernardo Andrade de Valadares Gontijo já tem no currículo 22 anos ligados ao setor siderúrgico do estado. Ele começou aos 18 anos, em 1988, na extinta Itaminas, na parte comercial. Depois disso, não parou mais e, desde 1995, é diretor da AVG Siderurgia, um dos braços do grupo AVG, que tem sede em Sete Lagoas e unidades em outras partes do estado. “Comecei muito cedo e, para mim, a principal fonte (de conhecimento) foi a experiência.” Agraciado com a medalha do Mérito Industrial concedido pela Fiemg, Bernardo Gontijo observa que a homenagem é “um incentivo muito importante”. “Estamos trabalhando há tanto tempo no ramo siderúrgico. Vejo o Mérito Industrial como um incentivo para a minha carreira, um reconhecimento”, diz. Gontijo também já foi agraciado com a Medalha da Inconfidência concedida pelo governo de Minas Gerais a pessoas que se destacam durante o ano. Segundo ele, a AVG Siderurgia tem implementado projetos importantes, que estão se destacando no setor. Entre eles, ressalta os investimentos em reflorestamento em terrenos do Norte de Minas, uma forma de trabalhar aliada à sustentabilidade, e nas áreas de energia e mineração no quadrilátero ferrífero, que fica na região central do estado. Além de ter começado jovem a carreira, Bernardo Gontijo passou uma temporada fora do Brasil, em estágios nos Estados Unidos e na China, em 1988, que contribuíram para o aprendizado profissional e o início das atividades no setor comercial. Ele conta que a ida para a AVG foi importante para que ele adquirisse uma visão mais completa dos processos, de gestão e das outras áreas da empresa em geral. “Sempre gostei muito de siderurgia. Para ficar 20 anos em um ramo, tem que gostar muito. Se não, não tem jeito.” O diretor da AVG diz que está com uma perspectiva muito positiva para o setor no mercado interno pelo fato de a economia brasileira estar em crescimento. Quanto ao mercado externo, a história é um pouco diferente por causa das crises – de 2008 e a atual, na Europa – que afetaram as exportações. “Teremos os dois cenários neste ano: expansão no mercado interno e recuperação no externo”, observa. Mas, para ele, o grupo vai tirar de letra os desafios. “Fazemos um trabalho sério, e os resultados têm aparecido, uma etapa após outra.” |
Carlos FrauchesDiretor corporativo da Fidens Engenharia tem em seu extenso currículo profissional projetos importantes para o desenvolvimento do paísCláudia Rezende e Terezinha Moreira Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aos 46 anos, Carlos Henrique Frauches, hoje diretor corporativo da Fidens Engenharia, tem um extenso currículo ligado à área. Ele iniciou a carreira em 1981 na extinta Tercam – Terraplanagem e Carregamento de Minérios, como estagiário. Lá, era o responsável pela área de equipamentos da empresa, onde ficou até 1992. A partir deste ano assumiu a área operacional da empresa, quando ela passou a construir grandes obras na área pública, como a rodovia MG-050 e a duplicação da BR-381 em direção a São Paulo. “Também fiquei à frente do projeto baixo Aracau, no estado do Ceará”, relembra o engenheiro. Carlos Frauches teve oportunidade de trabalhar em projetos importantes para o desenvolvimento do país. Por exemplo, obras de grande porte, como implantação da BR-317, no Acre, para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e da BR-352, em Minas Gerais, também para o órgão federal. Ele também atuou nas obras na mina Brucutu, da Vale, na duplicação do ramal ferroviário Capitão Eduardo-Costa Lacerda e na construção da ponte sobre o rio Itacaiunas e seus acessos, no Pará, entre outras. Sua experiência envolve o atendimento a clientes tanto do setor público quanto do privado, nas áreas de engenharia de manutenção de equipamentos pesados e na supervisão de obras de grande porte. O engenheiro permaneceu na área de equipamentos da Tercam até 2003, quando a empresa passou por transformações e mudou o nome para Fidens Engenharia. Mas, novos desafios ainda esperavam por Carlos Frauches. Em 2008 ele passou a compor a diretoria corporativa da Fidens, cargo que ainda ocupa. Há 29 anos na construtora, o engenheiro passou por vários setores, o que possibilitou que conhecesse todo o processo de funcionamento da companhia. “Esta experiência me proporcionou um nível de conhecimento muito grande do mercado da indústria da construção. Nesse período enfrentamos várias crises econômicas internas e externas, mas também presenciei a empresa aumentar de tamanho oito vezes”, salienta Carlos Frauches. Durante todo esse período na Fidens Engenharia, Carlos Frauches diz que seu maior desafio foi conseguir fazer sucessores qualificados para ocupar seus antigos cargos. “Este é meu grande orgulho aqui dentro, pois sempre encontrei pessoas gabaritadas para me substituir nas funções que ocupava na empresa. Migrei de um cargo para o outro, mas sem que a área, que deixei, fosse prejudicada porque sempre escolhi pessoas competentes para dar continuidade ao meu trabalho”, relata o engenheiro. Para Carlos Frauches, a busca por mão de obra qualificada para a construção civil continua sendo um grande desafio para o setor, pois está muito escassa. Como uma forma de se preparar para melhor conduzir os negócios da Fidens, o engenheiro fez especialização no exterior na área de desenvolvimento de novos produtos, engenharia básica, produção e pós-venda. Carlos Frauches foi um dos responsáveis pela expansão da Fidens Engenharia. Ele atuou no desenvolvimento e implementação das primeiras atividades da empresa no exterior. Na época, a Fidens ingressou no mercado da construção pesada de Angola, país do continente africano, que tinha acabado de sair de uma guerra civil. A empresa passou a participar da reconstrução do país. “Esse desafio marcou muito minha carreira”, pontua o engenheiro. Hoje, uma das preocupações de Carlos Frauches é voltada para o crescimento sustentado e, devido a esse esforço, a Fidens já conquistou reconhecimento, como duas certificações ISO. Na área social, Carlos Frauches incentiva a Fidens a apoiar projetos que contribuem para o desenvolvimento dos brasileiros e do país. Entre eles, está o de inclusão esportiva da Associação Mineira de Reabilitação (AMR), o projeto Valores de Minas, do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), a manutenção de uma casa com 16 jovens carentes na Cidade dos Meninos, da Sociedade São Vicente de Paulo e participação no Programa de Parceria Minas pela Paz, promovido pelo Instituto Minas pela Paz, organização não governamental, que nasceu a partir do interesse da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) de contribuir em ações de combate à violência. A Fidens também investe em iniciativas sociais e culturais por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura e do Fundo da Infância e Adolescência (FIA). |
Marco Antônio Castello BrancoEx-presidente da Usiminas é homenageado com o título de Industrial do Ano concedido pela FiemgAna Arsênio "Na Europa, o futuro costuma ser portador de ameaças, já no Brasil, de esperança.” A frase, otimista, é do executivo Marco Antônio Castello Branco, 49 anos. Em Paris, onde foi visitar o filho mais velho, ele foi informado de seu novo título: Industrial do Ano, concedido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Tratou logo de marcar a passagem de volta ao Brasil para a solenidade de entrega do título que aconteceu dia 27 de maio. Ao falar de esperança, Castello Branco se refere ao futuro político do país, que neste ano elege um novo presidente. “Conseguimos enfrentar a crise econômica. O Brasil está crescendo e, tenho certeza de que o novo governo vai se empenhar em manter essa mesma estratégia”, disse ele, ao confidenciar que pretende continuar atuando profissionalmente no Brasil. “Tirei uns dias para descansar e visitar meu filho Manuel, que estuda cinema em Paris. As perspectivas no momento no Brasil são muito boas na área da siderurgia, que é onde costumo atuar, tanto em Minas Gerais como no Rio de Janeiro e no Nordeste. Acho que ainda tenho muito a contribuir para o crescimento do setor em nosso país”, disse ele sem, no entanto, revelar se já possui alguma proposta concreta de trabalho. Marco Antônio Castello Branco, considerado um dos executivos mineiros de maior destaque de sua geração, deixou, recentemente, a presidência da Usiminas, onde atuou por dois anos. “Fiquei muito feliz com o título que me foi concedido pela Fiemg, ainda mais vindo de uma entidade com quem tenho uma convivência antiga, desde a época em que eu trabalhava na Mannesmann (hoje V&M do Brasil)”, disse ele, lembrando ainda que, em 2002, chegou a ocupar a vice-presidência da Fiemg. Mais velho de quatro irmãos, filho de um funcionário público e uma dona de casa, o engenheiro metalúrgico, formado pela UFMG, com mestrado e doutorado na Alemanha, nasceu em Belo Horizonte e iniciou sua carreira profissional em 1984 na Mannesmann S.A. Em 2000, assumiu o cargo de diretor-presidente e de operações da Vallourec & Manessmann Tubes (V&M do Brasil S.A.), tornando-se membro do Conselho de Administração da empresa em 2004. Época em que transferiu-se para a França, onde assumiu a presidência da divisão de tubos laminados a quente da Vallourec. O executivo deixou o cargo para assumir a presidência da Usiminas, em 2008, onde ficou por dois anos. “Decidi retornar ao Brasil para ficar mais perto da família, de meus pais já muito idosos, o que coincidiu com o convite para assumir a presidência da Usiminas. Estes dois últimos anos foram de trabalho muito intenso à frente da empresa. Fico muito orgulhoso com o título concedido pela Fiemg porque ele é o coroamento do reconhecimento do meu trabalho”, disse o executivo, que é casado e pai de dois filhos, sendo que o mais novo deles, Ricardo, é estudante de Engenharia Civil na UFMG. |
Hora de CrescerApós oito anos à frente da Fiemg, Robson Andrade acaba de ser eleito presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e afirma que o momento é o de aproveitar os bons ventos para crescer, mesmo com a ameaça do retorno da inflação e da falta de infraestrutura. “Temos que achar os caminhos parFlávio Penna Depois de oito anos, quando exerceu dois mandatos, Robson Andrade está deixando a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Assume em junho provisoriamente a presidência da Confederação Nacional das Indústrias, a CNI de forte presença na vida política e empresarial do país. Em outubro assume definitivamente o cargo de presidente da entidade, cargo que nenhum mineiro ocupava há 50 anos, eleito que foi por uma quase unanimidade no mês de maio. Aqui Robson Andrade, empresário de múltiplas atividades, fala um pouco da economia mineira e brasileira, adverte quanto a dificuldades que precisamos superar para ter um crescimento sustentável e defende, com convicção, o empresariado e as empresas nacionais.
O senhor assume a CNI num momento contraditório de nossa economia. Precisamos crescer, temos potencial para isso, mas não podemos crescer pois nos falta a infraestrutura e há ameaça de inflação.
O senhor então não acredita em inflação de demanda?
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho disse em Belo Horizonte que o país precisa parar de crescer baseado no consumo e passar a ter crescimento com base no investimento.
Até porque o consumo pode ser com produtos importados.
Até aqui estamos falando do governo. E o empresário brasileiro, ele já está profissionalizado, preparado?
O governo de Minas tem como prioridade, já dita pelo governador Antonio Anastasia, a diversificação da economia mineira. A curto prazo é possível se conseguir esta diversificação?
A infraestrutura mineira é um gargalo para o desenvolvimento industrial?
Falar sobre economia nos remete à questão da educação. Este será um grande gargalo para o Brasil nos próximos anos?
Nestes oito anos em que dirigiu a Fiemg, o Brasil e Minas, comparados com eles mesmos, melhoraram, surgiram novos problemas?
Mas em compensação nós não conseguimos fazer as mudanças política, tributária e outras que todos defendem como necessárias.
Na sua administração na Fiemg foram implementadas ações interessantes de parceria com o governo. Esta forma de relacionamento da sociedade organizada com o governo foi interessante para ambos?
Das experiências desenvolvidas na Fiemg qual, ou quais, o senhor gostaria de implementar na Confederação Nacional da Indústria?
E em 2014, algum projeto de entrar na política?
O senhor chegou a ser cogitado para prefeito de Belo Horizonte? |