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EconomiaNunca se consumiu tantoProjeção é de que o aumento do consumo no Brasil este ano deve ser de 6,1% em relação a 2009, número que pode fazer acordar o tão temido dragão inflacionário
Texto: Queila Ariadne | Fotos: Alberto Wu
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O diretor da IPC Marketing Editora, que publica o IPC Target, Marcos Pazzini, estima que o PIB crescerá 5,8% em 2010, menos do que os 6,1% do consumo nacional. Segundo ele, este será o sexto ano consecutivo que os gastos da população crescerão mais do que a economia. “Quando o consumo está aquecido, sempre há riscos de uma demanda descontrolada, mas aqui no Brasil a chance de isso acontecer é pequena, pois o governo já tomou algumas providências cortando gastos e juros”, destacou Pazzini. De onde vêm os gastos? Mas quem é que está gastando tanto e com o quê? O levantamento do IPC Target mostra que a classe que mais avançará no consumo será a B. Em 2009, essa faixa (com renda familiar entre 2.950 e 5.530 reais) era responsável por 42,5% dos gastos. Este ano terá uma fatia de 46,5%. Já a classe A (entre 9.850 e 14.550 reais) terá queda de 21,3% para 20% e a participação da C (entre 1.100 e 1.650 reais) cairá de 30,1% para 27,7%. A relações públicas Aline Zappulla Batista é o resultado da equação melhor emprego + melhor renda = mais consumo. Ela tem 23 anos e trabalha desde os 16. Há um mês, trocou o emprego por outro com carteira assinada e agora conta com uma fonte de renda mais segura. Ela sempre se deu ao luxo de fazer suas comprinhas, mas nunca deixou de pensar no dia de amanhã. Durante todo este tempo, juntou dinheiro para comprar um carro. Agora o futuro está prestes a virar presente. “Já tenho o valor que preciso e pretendo pagar à vista”, conta. Os anos de economia não a impediram de fazer suas compras. “O que mais gosto de comprar são roupas, então sempre fiz e ainda faço o seguinte: guardo pelo menos 30% do que ganho, uso 40% para minhas despesas particulares e os 30% restantes é só para torrar”, revela a tática. Para realizar o sonho do primeiro carro, nos últimos meses Aline fez um esforço maior e juntou quase 80% do salário por mês, mas continuou engrossando as estatísticas do consumo no Brasil. “Ainda fiz minhas compras, só que gastando menos. Quando a gente tem um objetivo, por que comprar uma calça de 200 reais, se podemos levar uma de 50?”, ressalta Aline. Para onde vão os gastos O brasileiro vai gastar 6,1% a mais em 2010. Mas para onde vão esses gastos? O estudo do IPC Target revela que a manutenção do lar é o item que levará a maior parte do orçamento. A cada 100 reais gastos, 27,60 ficarão neste setor. Em seguida virão outras despesas, com 21,6% em alimentação e bebidas, com 19,7%. Calçados e vestuário ficarão com 5,3%. Geograficamente falando, São Paulo dará a maior contribuição. Dos 2,2 trilhões de reais que as famílias brasileiras gastarão no ano, 641,5 bilhões serão consumidos neste estado. Em seguida virão Rio de Janeiro com 255,27 bilhões, e Minas Gerais com 224,7 bilhões. Os belo-horizontinos vão consumir este ano 46,8 bilhões, ou 21% do volume que deve ser gasto pelos mineiros. A capital de Minas, que em 2009 estava em terceiro lugar no potencial de consumo, este ano caiu para a quarta posição, ultrapassada por Brasília. “Isso não aconteceu porque Belo Horizonte perdeu poder de compra, mas sim porque Brasília não depende tanto da iniciativa privada e tem mais investimentos públicos”, justifica o diretor da IPC Marketing Editora, Marcos Pazzini. |
Consumo em 2010R$ 2,2 trilhões = 6,1% a mais do que R$ 1,8 trilhão de 2009Por setores
27,6% Manutenção do lar 21,4% Outras despesas 19,7% Alimentos e bebidas 7,6% Transportes/ veículos 7,3% Higiene e saúde 5,3% Vestuário e calçados 3,7% Recreação e viagens 2,6% Educação 2,2% Eletrodomésticos/ equipamentos 2% Móveis 0,7% Fumo |
Entenda por que o brasileiro está consumindo maisEmprego
Em abril de 2009, foram abertos 106,2 mil empregos com carteira assinada. Além de ser o melhor abril, também representou o segundo melhor resultado de todos os meses da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Depois deste resultado, o ministro do Trabalho revisou a criação de empregos formais em 2010 de 2 milhões para 2,5 milhões
Segundo dados do IBGE, a renda média do trabalhador subiu de R$ 1.393,05 em fevereiro de 2009 para R$ 1.413,40 em fevereiro deste ano, crescimento real de 1,46%, já descontada a inflação Segundo a Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef), de 2004 para cá, o prazo médio de financiamento de veículos subiu de 34 meses para 42 meses, mas há planos que dividem em até 84 vezes |
Os 10 maiores potenciais de consumo para 2010Cidades Participação em R$ bilhões
São Paulo 9,63% 211,86 FONTE: IPC Target 2010 |
Por classes
Classe 2009 2010
A1 4,1% 3,2% |