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Crônica![]() Uma recente pesquisa da revista especializada Social Psychology Quarterly, publicada em vários veículos de comunicação, principalmente internet, mostrou que os homens que traem suas parceiras tendem a ter o QI mais baixo, enquanto aqueles fiéis a mulheres e namoradas são mais inteligentes e evoluídos. Para chegar a esta brilhante conclusão, Satoshi Kanazawa – o autor do estudo – cruzou dados de duas grandes pesquisas norte-americanas que mediam atitudes sociais e QI de milhares de adolescentes e adultos. Se existe uma coisa irritante são estas pesquisas sobre comportamento que descobrem o óbvio e são divulgadas como a novidade do milênio. Mais aborrecido e frustrante é notar a surpresa que os resultados causam em certas pessoas. Alguns cientistas passam a impressão de ficarem tanto tempo enfurnados que deixam de viver a realidade e por isso perdem a noção entre o óbvio e o inusitado. Quando se trata das relações humanas, a experiência e a capacidade de observação são mais assertivas do que qualquer estudo científico cuja conclusão serve apenas pra encher linguiça virtual.
Acredito que o caro Satoshi nunca traiu, foi traído ou sequer prestou atenção nos relacionamentos à sua volta. Nunca sentiu ou percebeu que a traição é a pior escolha a ser feita, não importa a motivação: carência, frustração, vingança ou impulsos puramente físicos. A efemeridade do orgasmo proibido não explica as razões e nem soluciona os problemas que o motivaram. A infidelidade nunca resolve nada, muito pelo contrário. Arrependimento certo, que corrói a consciência e faz do medo da verdade uma sombra eterna. Nos egoístas e vagabundos irreversíveis talvez não doa tanto, mas, por outro lado, não acrescenta nada de positivo em suas vidas. Os poucos minutos de elevação da autoestima – às custas do risco de magoar a quem se ama – somente ratificam a incapacidade de resistir a instintos primitivos e danosos, sob a permissão de paradigmas culturais retrógados – o machismo, agora copiado pelas mulheres. E mesmo que da infidelidade surja uma história promissora, começá-la da forma mais honesta possível evitará o sofrimento de terceiros e fortalecerá a confiança para o futuro desta nova relação. Ninguém precisa cansar os olhos diante de planilhas eletrônicas para concluir que os que vivem em paz com a consciência estão sendo mais inteligentes do que aqueles que sofrem o desgaste de racionalizar desculpas hipócritas para aliviar o próprio remorso. Nada mais cansativo do que o conflito moral. Evitá-lo é a mais sagaz das decisões. Não tem mistério. Também não há necessidade de estudos diuturnos para arrematar a questão da evolução. A opção pela monogamia é prova evidente da existência de autocrítica, de busca pela melhora, do aprendizado com os erros passados, da resistência a vícios de comportamento e impulsos primários. Características indispensáveis aos que se dizem evoluídos. A inteligência e a evolução de uma pessoa são percebidas por suas ideias e atitudes, assim como no esforço constante em torná-las menos nocivas a terceiros e a ela própria. De fato, a monogamia pode ser considerada um destes desafios, porque sofre a forte interferência de fatores sentimentais e culturais bastante enraizados. Todos estão sujeitos a momentos de fraqueza, inclusive os de boa índole, mas evitar a repetição dos erros é um trabalho ao qual a minoria se dedica. A tentação de transferir para o outro a responsabilidade pelo ato imoral muitas vezes supera a racionalidade de seguir pelo bom senso e honestidade. Riscos altos com baixos retornos nunca serão a melhor escolha. E são as escolhas que definem os mais inteligentes. Não há necessidade de cálculos para fazer esta constatação. Independente da gravidade das consequências, trair será sempre burrice. Com ou sem o aval da ciência. |
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