Sexta, 10 de Fevereiro de 2012
Logo Revista Viver Brasil - Assim é viver
 

Cidades da Copa 2014

Tem pantanal... e futebol

A menor das 12 cidades-sede da Copa de 2014, Cuiabá trabalha para que as belezas naturais da região façam com que o turismo ganhe impulso durante o evento esportivo

Texto: Fernando Torres | Fotos: Daniel de Cerqueira


Envie seu comentário


O estádio José Fragelli, que está sendo demolido, dará lugar à moderna arena Novo Verdão

Cuiabá já vive em clima de Copa do Mundo. Não a de 2010, mas a de 2014. Escolhida para ser uma das 12 cidades-sede do campeonato, a capital mato-grossense está empenhada em cumprir metas e cronogramas – as obras da arena Novo Verdão, por exemplo, começaram em 26 de abril, oito dias antes do prazo estabelecido pela Fifa. O foco, porém, está no turismo, principal justificativa para Cuiabá sediar o campeonato. Não por acaso, a Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa do Mundo (Agecopa) divulga o evento como a Copa do Pantanal. Dessa forma, espera atrair estrangeiros para as belezas naturais do Estado, que incluem não apenas a região pantaneira, mas também o Cerrado, o Araguaia e a Amazônia.

Com cerca de 550 mil habitantes, sem contar a região metropolitana, Cuiabá é a menor das cidades-sede. Para receber um evento da magnitude do Mundial, ela terá que passar por grandes transformações. No total, são 26 obras, como construção da arena, intervenções no trânsito e na malha viária, reforma do aeroporto e ampliação da rede hospitalar. Segundo o presidente da Agecopa, Adilton Sachetti, a previsão total de verba ultrapassa 2 bilhões de reais. “Um bilhão já está garantido por lei no orçamento do estado. Mas a Agecopa também está buscando financiamento de 454 milhões com a Caixa Econômica, 400 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e 250 milhões com o Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur)”, informa.

Só o Novo Verdão deve custar 342 milhões de reais do orçamento, sem contar os gastos com cadeiras, painel eletrônico e outros equipamentos, que serão licitados durante a construção. O atual estádio José Fragelli está sendo demolido para dar lugar à nova arena, com capacidade para 42 mil pessoas. Como o Mato Grosso não tem expressão nacional no futebol – o Luverdense, time em maior evidência atualmente, disputa a série C do Campeonato Brasileiro –, o complexo deverá ser uma arena multiuso, com conceito de business center. “O estádio será utilizado para shows e grandes feiras. Há também a possibilidade de abrigar centro de conven­ções e faculdade de educação física”, lista Carlos Brito, diretor de infraestrutura da Agecopa. O projeto, assinado pelo renomado arquiteto paulista Sergio Coelho, recebeu a certificação Leed, atribuída a empreendimentos de elevado desempenho ambiental. “Estão previstas energia solar e reutilização da água, inclusive da chuva. O entorno será um parque ambiental, arborizado com plantas adultas nativas”, diz Brito.


Pablo Barbosa: “O governo precisa investir muito pesado no turismo”
Pablo Barbosa: “O governo precisa investir muito pesado no turismo”

Na semana em que a reportagem da Viver Brasil esteve em Cuia­bá, uma equipe da Fifa, liderada pelo arquiteto Carlos de La Corte, vistoriou as obras do Novo Verdão, mas não fez nenhuma declaração. Até o fechamento desta reportagem, a Fifa ainda não havia se pronunciado. No entanto, a Agecopa garante que as obras estão adiantadas. “Estamos cum­prindo os prazos rigorosamente e, até agora, todos os comentários são positivos”, afirmou Sachetti em coletiva à imprensa após a vistoria. A previsão é de que a arena fique pronta até dezembro de 2012, já que Cuiabá pretende disputar com as 12 cidades-sede para abrigar os jogos da Copa das Confederações, em 2013 – apenas cinco serão escolhidas.
 

Obras visando à Copa do Mundo passam por vistorias em Cuiabá
Obras visando à Copa do Mundo passam por vistorias em Cuiabá

As seleções que irão jogar em Cuiabá serão definidas por sorteio. Os centros de treinamento e concen­tração ficarão em pequenos estádios da cidade e da vizinha Várzea Grande, na região metropolitana. O parque de exposições Senador João Pinheiro deverá se tornar um fan park, centro de eventos para os torcedores, mais uma exigência da Fifa. O espaço terá restaurantes, telões e pista de caminhada.
 

Eva Pinheiro: “Espero que as reformas na locomoção venham para ficar”
Eva Pinheiro: “Espero que as reformas na locomoção venham para ficar”

Salto de infraestrutura

Como nem só de futebol vivem as cidades da Copa, o maior desafio está na reestruturação urbana. O trân­sito é apontado pelos moradores como um dos maiores problemas. Que o diga a comerciante Eva de Castro Pinheiro. No fim do dia, ela demora 1h30 para sair da loja em que trabalha, na região central, e chegar em casa, no Centro Político Administrativo (CPA), trajeto de cerca de 10 km. “Espero que as reformas na locomoção venham para ficar e não apenas para maquiar a cidade”, diz ela.
 

Adilton Sachetti: “Um bilhão de reais já está garantido no orçamento do estado”
Adilton Sachetti: “Um bilhão de reais já está garantido no orçamento do estado”

Se depender do planejamento, Eva e os demais cuiabanos podem ficar sossegados. “A Copa vai permitir que obras que demorariam 20 anos para serem concluídas estejam prontas em menos de cinco”, garante Brito. O orçamento para intervenções na mobilidade é de 454,7 milhões de reais, além de um convênio com o Departamento Nacional de In­fraestrutura de Transportes (Dnit), da ordem de 286 milhões, destinado para trechos urbanos que ainda são rodovias federais. “O projeto envolve a construção de oito viadutos, seis trincheiras, alargamento de pistas e a implantação do Bus Rapid Trans­port (BRT), sistema de locomoção 8
pública mais ágil, com corredores exclusivos, estações de transbordo e ônibus articulados”, adianta o diretor de infraestrutura. Uma das principais interferências será nas vias de acesso ao aeroporto, em Várzea Grande, até o CPA.

Vista noturna da cidade de Cuiabá,  a menor entre as sedes da Copa
Vista noturna da cidade de Cuiabá, a menor entre as sedes da Copa

E já que se tocou no assunto, o Aeroporto Internacional Marechal Rondon pede reformas urgentes: o local tem apenas um terminal de passageiros e estacionamento com capacidade para 500 vagas. O diretor de relações interinstitucionais da Age­copa, Agripino Bonilha Filho, garante que o espaço será quadruplicado já em 2012. “Serão inseridos quatro módulos pré-moldados do mes­mo tamanho do módulo atual”, diz. Quanto ao estacionamento, a expectativa é que a capacidade aumente para mais de 2 mil veículos. “Estão sendo feitos estudos para construção de vagas subterrâneas”, antecipa Bonilha. Além disso, a logística operacional e o controle alfandegário devem ser reestruturados.
 

Pantanal, um dos atrativos turísticos para os torcedores que forem a Cuiabá
Pantanal, um dos atrativos turísticos para os torcedores que forem a Cuiabá

Atualmente, a capacidade hoteleira de Cuiabá é de 4,5 mil leitos. Até 2014, esse número deve dobrar. E isso já vem acontecendo mediante iniciativa privada. Um exemplo é o hotel em que Pablo Rafael Barbosa trabalha como gerente: o grupo está construindo um empreendimento cin­co estrelas, a ser inaugurado em 2011. “Fico preocupado que a nova estrutura não fique ociosa após a Copa. Para que isso não aconteça, o governo deve investir pesado no turismo”, cobra.

Cachoeira Véu da Noiva, na Chapada dos Guimarães
Cachoeira Véu da Noiva, na Chapada dos Guimarães

Mas esse é o ponto em que Cuia­bá está mais confiante. Os governantes enxergam no Mundial a oportunidade ideal para mostrar o que o Mato Grosso tem para oferecer. O diretor de assuntos estratégicos  Yuri Bastos revela que “cerca de 350 milhões serão investidos no turismo, sendo que 150 milhões estão destinados para construção e reforma de estradas”. Projeta-se, por exemplo, o asfalto da estrada para Nobres, destino praticamente exclusivo para a prática de flutuação – divide o posto apenas com Bonito (MS) –, e a duplicação da rodovia para Chapada dos Guimarães.
 

Flutuação em Nobres, a 145 km: roteiro exclusivo
Flutuação em Nobres, a 145 km: roteiro exclusivo

As obras turísticas também incluem a revitalização das margens do rio Cuiabá, do paisagismo urbano e das fachadas dos casarões do centro histórico. Posteriormente à Copa, há projeto de o fan park se tornar um siriródromo, espaço para atividades ligadas à dança regional, como o siriri e o cururu. Além disso, será construído um aquário de água doce, com espécies do Pantanal, e um planetário, com um núcleo dedicado ao corpo humano. Percebe-se que, no fim das contas, o futebol é apenas uma desculpa para a cidade se reinventar.

Os dois lados da moeda

De goleada

Turismo

- Embora esteja sendo chamada de Copa do Pantanal, o turismo no Mato Grosso é muito mais amplo. A Chapada dos Guimarães, por exemplo, na região do cerrado, está a apenas 64 km de Cuiabá, em estrada asfaltada e de fácil acesso. Destaque ainda para o turismo de aventura de Nobres (142 km) e Jaciara (144 km)

Estádio

- A arena Novo Verdão, estimada em 342 milhões de reais, deve ser uma das mais modernas do país. Como o estado não tem tradição no futebol, o complexo servirá como palco para shows, feiras e outros eventos. Poderá abrigar até uma faculdade de educação física. A vantagem em relação a outras cidades é que a construção não implica desapropriações, devido ao tamanho da área (33 hectares)

Sustentabilidade

- Os líderes da Agecopa repetem como um mantra que o projeto de Cuiabá para a Copa passa pelo tripé da sustentabilidade ambiental, social e econômica. Mas o destaque fica mesmo para o meio ambiente. O planejamento leva o conceito Copa Carbono Zero: a emissão de carbono de todas as obras está sendo quantificada para ser devolvida em plantio

Na retranca

Hospitais

- A saúde representa um dos maiores desafios de Cuiabá. O atendimento ambulatorial precisa ser modernizado e o número de vagas de hotelaria hospitalar precisa aumentar consideravelmente. O sistema privado também é apontado pelos moradores como deficiente

Trânsito

- O tráfego de Cuiabá está longe do caos de Belo Horizonte, mas também apresenta muitos problemas nas principais avenidas. As intervenções de mobilidade já têm verba locada e devem ser colocados em prática até 2012

Aeroporto

- O Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande (região metropolitana), tem apenas um terminal de passageiros e estacionamento com capacidade para 500 veículos. Apenas as pistas são suficientes para a demanda da Copa

Isolamento

- Cuiabá está muito distante dos principais centros urbanos e maiores estádios brasileiros: 1.586 km de Belo Horizonte, 1.604 km de São Paulo e 2.034 km do Rio de Janeiro. A distância do Rio é a mais preocupante, já que a capital fluminense é o principal destino turístico de estrangeiros e abriga o Maracanã. Voos diretos resolveriam a situação, mas, normalmente, há muitas escalas e conexões

Segurança

- O Mapa da Violência 2010, divulgado pelo Instituto Sangari, coloca Cuiabá como a 12ª capital mais violenta do país, com 38,8 homicídios em cada 100 mil habitantes, à frente do Rio de Janeiro (35,7) e de São Paulo (17,4). A Secretaria de Segurança Pública se mobiliza para reduzir os índices de criminalidade


 
Compartilhe:    Bookmark com Delicious Bookmark com Delicious  Bookmark com Digg  Bookmark com Facebook  Bookmark com /.   Bookmark com Google  Bookmark com StumbleUpon   Bookmark com Technorati  Bookmark com Linkarena  Bookmark com Yahoo  Bookmark com SEOigg  Bookmark com Spurl  Bookmark com Live  Bookmark com Rec6  Bookmark com Myspace
Versão para Impressão  Versão Impressão    Assinar NewsletterNews:    

Busca no Portal

 
  

Blog do PCO
Assinatura Anual

© Copyright 2009, Revista Viver Brasil – MG-030, nº 8625. Torre2 – Shopping Serena Mall – Vale do Sereno.
Cidade: Nova Lima – MG / CEP:34000-000 | Telefone: (31) 3503-8888