Há evidências de que o período de recessão que abateu sobre quase todas as economias desde o final de 2008 esteja superado. As projeções mais recentes para o crescimento econômico neste e no próximo ano superam as expectativas mais otimistas de alguns meses atrás. Segundo estimativas divulgadas pelo FMI no final de abril, o crescimento médio da economia no mundo deverá ser superior a 4% tanto em 2010 quanto em 2011. Mais surpreendente será o crescimento esperado para este ano de 3,1% para a economia norte-americana, epicentro da crise. Taxa de crescimento bem superior a de 1% para a região do euro e de 1,9% para o Japão. Por seu lado, os países emergentes manterão taxas de crescimento ainda muito mais elevadas, em 2010 e em 2011: China, 10 e 9,9%; Índia, 8,8 e 8,4%; e Brasil, 5,5 e 4,1%, respectivamente. Para o Brasil, a expectativa do mercado é de que em 2010 sua economia poderá crescer em mais de 6%. Essas estimativas indicam que o crescimento econômico está mais rápido do que o esperado e que a sua velocidade varia acentuadamente, quando se compara o desempenho das economias industrializadas com o das economias emergentes.
Não apenas houve a superação da crise, mas a economia mundial pós 2009 está se delineando ser muito diferente da que foi anteriormente. Se as estimativas para os próximos dois anos forem projetadas para o futuro, ver-se-á uma mudança significativa na posição relativa de várias economias: a distância no tamanho do PIB entre economias industrializadas e economias emergentes se reduzirá, alterando tendência das últimas três décadas. Por exemplo, em menos de 10 anos a soma do produto da China, Índia e Brasil, será o dobro do que é hoje. Segundo estimativas do Departamento Econômico do Bradesco, entre 2010 e 2013 a taxa média de crescimento das economias dos países desenvolvidos deverá se situar em 1,5%, enquanto a das economias dos países em desenvolvimento ficará em torno de 5,9%. Mantidas essas projeções, em 2021 os produtos internos brutos dos Estados Unidos e da China serão equivalentes, ao passo que hoje, no conjunto da economia mundial, a participação relativa do PIB norte-americano situa-se em torno de 20% e o da China de 13%.
Essas mudanças terão efeitos importantes sobre oportunidades de investimentos, crescimento dos mercados consumidores e fluxos de capital e de mão de obra entre países.
As populações dos países em desenvolvimento continuarão crescendo mais rapidamente do que a dos países desenvolvidos e, apesar de mudanças em sua composição etária, os segmentos de jovens e adultos terão um peso relativo muito maior nos países emergentes do que nos países desenvolvidos.
Certamente, questões como redução de desigualdades e preservação ambiental terão relevância ainda maior nos próximos anos.
Por fim, essas transformações deverão ter efeitos significativos sobre o equilíbrio político do mundo, aumentando a importância dos países em desenvolvimento nos fóruns multilaterais como o FMI e o Banco Mundial, com reflexos sobre decisões que hoje são, de certa maneira, lideradas por um grupo de sete ou oito países. Vale dizer, a governança dessas instituições deverá também passar por mudanças.
Não apenas a crise foi superada, mas emerge outra economia mundial.