Quem ainda não ouviu, em breve ouvirá esse nome: geoengenharia. É uma ciência nascente: busca interferir deliberadamente no clima da Terra para compensar as trapalhadas que o ser humano tem feito em sua morada. Com seu crescimento, surgirá um novo mercado, de bilhões de dólares anuais. O pouco que se tem feito para evitar o agravamento do aquecimento global tem levado muitos cientistas a propor a alternativa da geoengenharia.
Entre as opções estão lançar ao espaço um objeto que faria sombra na Terra e, como um grande guarda-chuva, bloquearia a quantidade de radiação solar, resfriando o Planeta; pintar de branco todas as casas, prédios e ruas, para aumentar a reflexão da luz; lançar milhões de toneladas de enxofre, por ano, na estratosfera, para barrar a radiação solar, imitando as erupções vulcânicas; semear compostos de ferro no mar, para alimentar algas que, ao fazerem a fotossíntese, retirariam o carbono do ar. Essas são apenas algumas das ideias em debate, nenhuma delas ainda cientificamente testada. Todas com sabor de aprendiz de feiticeiro...
O termo geoengenharia une dois conjuntos de tecnologias bem distintos. O primeiro reduz o volume de CO2 na atmosfera; esta opção coloca desafios e riscos para indústrias hoje dominantes, como a do carvão e a do petróleo, entre outras. O segundo visa reduzir a quantidade de luz solar que chega à Terra e poderá ser desenvolvido de forma rápida e com efeitos imediatos, reduzindo as pressões sobre aquelas indústrias.
Ninguém sabe quais poderão ser os efeitos colaterais desses remédios. Por exemplo, a colheita num país pode ser prejudicada por ações de geoengenharia adotadas por outros países. Daí a questão: quem decidirá usar, ou não, quais dessas tecnologias?
A indústria da tinta, com certeza, ficará muito feliz caso se decida pintar todas as casas, telhados, passeios e asfalto de branco; da mesma forma, os fabricantes de óculos escuros. Os oftalmologistas e os dermatologistas terão, quase que certamente, muito mais trabalho. Outras indústrias poderão florescer, como a têxtil, principalmente as empresas que detiverem a tecnologia para produzir tecidos que reduzam a incidência de raios solares sobre a pele. A burca, como as afegãs, porém de alta tecnologia, poderá vir a se tornar a última moda, com concorridos desfiles de moda!
As outras tecnologias, se adotadas, certamente levarão tanto prosperidade quanto consequências negativas, para setores e países. Daí a importância de saber quem decidirá usar, ou não, quais delas.
Há, ainda, outras alternativas: ampliar as áreas de florestas, reduzir o consumo de produtos que emitem gases de efeito estufa etc. Essas opções apresentam menos riscos para países pobres ou emergentes, além de serem, certamente, mais seguras. Infelizmente, os lobbies em favor destas tenderão a ser menos ativos que os favoráveis às opções mais temerárias. Alguém sabe, alguém ouviu, o posicionamento dos nossos candidatos a presidente da República sobre o tema?