Quarta, 23 de Maio de 2012
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Esporte

Estreia de prata

Menos de um ano de vida, três títulos e o vice-campeonato da Superliga de Vôlei: conheça os segredo da equipe do Bonsucesso/Montes Claros

Texto: Ana Cristina d´Angelo | Fotos: Gustavo Scatena


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Um grupo de amigos e atletas talentosos, um pai saudoso, uma prefeitura audaciosa, empresas dispostas a patrocinar o esporte e uma cidade que decide abraçar o voleibol por pura simpatia. Conjunção rara e talvez única no cenário do esporte brasileiro deu origem ao time de vôlei do Bonsucesso/Montes Claros que após vitórias consecutivas ganhou o apelido de Pequi Atômico. O grupo saiu vitorioso de três campeonatos seguidos em seu primeiro ano de vida e recentemente conquistou o vice-campeonato da Superliga de Vôlei, o mais prestigiado torneio nacional. Mas, afinal, como surgiu e quais os segredos do Pequi Atômico?

O jogador mineiro Vitão resolve jogar na Europa. O pai Felipe Oliveira, empresário em Montes Claros e com saudades do filho, decide se unir a outros empresários e poder público municipal para viabilizar projeto de esportes que pudesse unir o útil ao agradável. Repatriar atletas brasileiros, incluindo o filho, repaginar o antigo estádio e lançar equipe de vôlei que pudesse fazer o nome da cidade rodar o Brasil, além de ser referência para os jovens no combate às drogas e criminalidade. Juntaram-se patrocinadores, como o que dá nome ao time, Vitão retornou ao país, acabou integrando a diretoria do Montes Claros e trouxe colegas que também estavam sem clube no Brasil: Diogo, Brendle, Rodriguinho, Acácio, Lorena. Era julho de 2009 e a história vitoriosa do Pequi Atômico só começava.

O primeiro jogo, lembra o supervisor técnico, William do Prado, foi em decadente e apertado estádio da cidade, com  público escasso, praticamente buscado em casa, para assistir à partida. “Nós mesmos identificávamos os desníveis da quadra para arrumar. Poucos na cidade se importavam com o vôlei”, conta.

A prefeitura de Montes Claros  re­inau­gura o ginásio Tancredo Ne­ves, com capacidade para 12 mil pessoas, o segundo maior de Minas. Os patro­ci­nadores então decidem promover um circuito internacional, com equipes da América do Sul. O público come­ça a comparecer. O Bon­su­ces­so/Montes Claros bate todas as equipes. A cidade começa a se movimentar. O grupo compete no Desafio Globo Minas de Vo­leibol Masculino e leva o título em outubro de 2009.

Chega o campeonato mineiro e ninguém segura o Pequi Atômico. Ao final de cada partida vitoriosa, a população de Montes Claros toma as ruas e faz a festa.  “Antes disso tudo a cidade não tinha a oportunidade de ver grandes atletas jogando, todo mundo se encantou”, diz o comentarista da rádio Terra de Montes Claros, Rubem Ribeiro. Rodriguinho, o levantador, diz que não podia imaginar vencer o Mineiro, muito menos chegar à final da Superliga. “Tem muita relação com nossa amizade anterior, acaba o treino e ficamos conversando um tempão, isso nunca tinha acontecido comigo”, afirma. Para além da amizade entre os integrantes do time, a qualidade e experiência da equipe é mencionada em consenso. O assistente técnico Carlos Au­gusto Oliveira de Almeida diz que desde o início já havia consciência da qualidade do grupo. “Quase todos com bagagem internacional mais a vontade de voltar e jogar no Brasil deu uma química boa.”


Jogadores do Bonsucesso/Montes Claros: medalha de prata no primeiro ano do time
Jogadores do Bonsucesso/Montes Claros: medalha de prata no primeiro ano do time

“É um time bom, de qualidade. Unidos eles acreditaram e deu nisso. A amizade entre eles também conta muito e um técnico competente e que inspira confiança”, acrescenta o ex-jogador de vôlei e hoje comentarista esportivo Tande, que acompanhava atento aos treinos um dia antes da grande final da Superliga. Os adversários deste último jogo e que saíram com o troféu máximo da competição também não pouparam elogios ao Bonsucesso/Montes Claros.

O jogador Renato, do Cimed de Florianópolis, a­posta que a energia e motivação da equipe do Norte de Minas fizeram toda a diferença. “Eles têm alegria na hora de decidir a partida, além do grande trunfo, Lorena,  jogador que consegue levar a equipe adiante”. O oposto Lorena jogou por cinco anos no vôlei europeu, voltou ao Brasil para integrar a nova equipe e foi o sacador com melhor aproveitamento na Superliga. Mas também ficou conhecido pela garra, por um jeito de brigar em todas as partidas, cobrando da equipe não menos que o máximo. “Nossa equipe ficou conhecida por jogar com barulho”, define Lorena.

Não menos importante, a cidade de 336 mil habitantes adotou sua equipe com todo o carinho e alegria que atletas esperam receber. O técnico do Bonsucesso/Montes Claros, Talmo Curto de Oliveira, diz que nunca viu coisa igual em toda sua carreira. “O vôlei pode ser uma ferramenta de transformação e estes atletas assumiram a responsabilidade perante seu público.” O time  não levou o título da Superliga. No entanto, a medalha de prata logo no primeiro ano de vida da equipe foi suficiente para técnico e jogadores serem aclamados pela torcida com gritos de é campeão e time de guerreiros na volta pra casa. 


 
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