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EconomiaAcelerado Demais?Com as projeções otimistas de crescimento da economia brasileira para os próximos anos, surge a preocupação: uma bolha pode estar no caminho?
Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Victor Schwaner / Arte: Paulo Werner
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Na opinião do professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli, é preciso levar em conta que esse crescimento mais acelerado se deve à base de comparação. “Saímos de um período em que os reflexos da crise mundial afetaram o Brasil e provocaram queda no PIB em 2009. Mas de qualquer maneira é uma retomada da trajetória pré-crise e a discussão que se estabelece hoje é sobre a capacidade de o país fazer face a este aumento da demanda”, analisa. Piscitelli questiona se a capacidade instalada das indústrias no Brasil é suficiente para fazer face à elevação da demanda sem maiores obstáculos, principalmente o aumento da inflação. Mas, o gerente de Economia e Finanças da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Guilherme Leão, diz que isto não será problema. “Existe na indústria capacidade produtiva principalmente nos segmentos da transformação e da extrativa mineral, capaz de suportar crescimento de 6% do PIB brasileiro”, garante. Leão ressalta que o país segue modelo de crescimento mais saudável, pois o nível de investimento cresce acima das projeções e dos índices de consumo, o que é muito importante para assegurar crescimento sem gerar inflação. O economista do Centro de Pesquisas Econômico-Sociais do Instituto de Economia (Cepes) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Paulo Rais, no entanto, observa que um crescimento muito alto do PIB implicaria nós na infraestrutura e geraria grande preocupação com a inflação. “Estamos próximos de uma produção plena”, pontua o economista da UFU. Se a volta da inflação divide opiniões, a economia brasileira vive outro gargalo: o da falta da mão de obra especializada, principalmente nos setores de bens de capital, engenharia, petróleo e gás, mineração e siderurgia. E o pior é que este é um problema que não pode ser solucionado a curto prazo, pois passa pela educação. “O que se pode fazer é investir na capacitação técnica do trabalhador com educação básica ou intermediária e direcioná-lo para técnicas de produção”, diz Leão. Para o economista Cláudio Gontijo, da UFMG, outro ponto falho na economia brasileira no momento é seu grande déficit na chamada conta corrente. “Este é o único aspecto negativo, que não é causado pelo crescimento, mas pelo dólar muito barato que incentiva as importações, e os juros elevados, que têm feito com que as empresas brasileiras se endividem no exterior. Outro problema é o fato de termos no país muitas empresas multinacionais, que remetem lucros para suas matrizes em outros países”, afirma Gontijo. Devido a todos os índices e informações sobre a economia disponíveis, Paulo Rais acredita que o Brasil irá crescer de maneira forte, e o que é mais importante, gerando postos de trabalho e distribuindo renda. Ele observa que o Brasil precisará acompanhar com muito carinho este crescimento, caso contrário, as cidades serão congestionadas, poderão ter mais concentração de renda e, principalmente, se não houver mais atenção e cuidado com o meio ambiente, o país poderá dar um tiro no pé. “De qualquer forma, entramos em nova fase e penso que a perspectiva de nos tornarmos uma das cinco economias do planeta é muito concreta e deve se apresentar brevemente, nos próximos cinco, seis anos”, destaca o economista. |
Projeções de crescimento
Variável >>> 2010 (%) Fonte: Relatório Focus Bacen – Abril/2010 |
Gargalos ImportantesRiscos relacionados ao crescimento econômico
Fonte: Guilherme Leão/Fiemg |
Mão de Obra
PESSOAL OCUPADO ASSALARIADO
FOLHA DE PAGAMENTO REAL Fonte: Guilherme Leão/Fiemg |