Sexo é bom e faz bem para a saúde. Excelente notícia, não? Nas últimas semanas, a questão foi destaque nos principais veículos de comunicação do país graças a uma declaração do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante a cerimônia de lançamento da campanha nacional de prevenção à hipertensão arterial. Na ocasião, ele recomendou que as pessoas façam sexo como medida de combate a doenças crônicas, inclusive a hipertensão. A fala do ministro, que é formado em medicina, gerou controvérsias e levantou a seguinte dúvida: afinal, quais os benefícios reais do sexo para a saúde?
Há muitas teorias sobre o tema, mas poucas possuem comprovação científica. As revistas femininas estão abarrotadas de informações que, nem sempre, têm o aval da medicina e, na internet, a todo o momento há uma novidade sobre o assunto. Basta um clique no mouse para ser invadido por uma enxurrada de teses. Vários são os exemplos: o sexo tem efeito rejuvenescedor porque aumenta o nível de estrogênio, deixando a pele macia e os cabelos mais brilhantes, alivia a enxaqueca por liberar hormônios como a endorfina, que minimiza a dor, ajuda a regular o ciclo menstrual, serve como exercício, entre outros.
Se todas essas afirmações fossem verdadeiras, então, bastaria ter uma vida sexual ativa para conquistar uma saúde de ferro. Mas o que dizem os especialistas sobre isso? O urologista Paulo Roberto de Brito Cunha defende que o sexo não pode ser considerado atividade física, pois seu gasto energético é ínfimo, não interferindo, portanto, no desempenho cardiovascular. “O ministro foi infeliz em sua colocação”, critica.
Especialista em sexualidade humana e mestre em saúde coletiva, a psicóloga Aparecida Favoreto afirma que um dos benefícios que a atividade sexual propicia no indivíduo é o relaxamento psicofísico. “Toda tensão fisiológica ou emocional promove uma alteração fisiológica e/ou psicológica que só é aliviada quando ocorre a expressão dessa tensão. A tensão sexual provoca uma necessidade que só é aliviada com o orgasmo, que causa, na maioria das vezes, uma sensação de prazer, relaxamento e bem-estar”, explica. Ela acrescenta que o benefício é ainda maior nas relações onde existe afeto, pois, além da descarga física, há a criação de uma experiência afetiva positiva.
Ainda conforme a especialista, a sensação de bem-estar físico e emocional está na base da definição de saúde da OMS. “Podemos concluir, portanto, que buscar uma vida sexual saudável pode contribuir, sem dúvida, com a saúde do indivíduo de modo geral”, assinala, destacando, porém, que não há evidências de que o sexo contribua para a redução da pressão arterial.
Opinião que é corroborada pelo chefe da comissão científica da Associação Brasileira para o Estudo da Inadequação Sexual (Abeis), o urologista Carlos Teodósio Da Ros. Segundo ele, quando o ministro José Gomes Temporão falou em atividade sexual para combater a hipertensão, ele devia estar se referindo ao sexo como atividade física e à busca de prazer.
“Quando se baixa o nível de estresse, todo o organismo melhora, então, provavelmente, pode haver melhora da pressão também. Mas não existem estudos científicos em relação a este assunto específico”, assevera Das Ros. O mesmo princípio se aplica às demais teorias apresentadas no início da matéria, de acordo com o urologista. “A pessoa que tem uma vida saudável apresenta menos chances de ter doenças, mas não há evidências científicas que comprovem que o sexo tem efeito rejuvenescedor ou ajuda a combater dores de cabeça”, assegura. Mas não custa nada praticar para tirar a prova...