Fundação João Pinheiro acaba de divulgar o Índice Mineiro de Responsabilidade Social, um indicador que expressa o nível de desenvolvimento de cada município mineiro. O Índice de 2009 considera mais de 240 indicadores municipais, organizados nas dimensões saúde, educação, renda, segurança pública, meio ambiente e saneamento, cultura, esporte e lazer, finanças públicas. Elaborado com extremo rigor técnico pela equipe da FJP, o IMRS consegue identificar, sem dúvida, quais os melhores municípios de Minas em termos do seu nível de desenvolvimento socioeconômico. Destacam-se, entre os cinco melhores municípios do estado, três que têm na sua base econômica a mineração: Nova Lima, Itabira e Catas Altas.
Este resultado somente poderá surpreender aqueles que mantêm um preconceito quanto à capacidade que tem a atividade minerária capitalista moderna de promover um processo de desenvolvimento local e não apenas um ciclo de expansão econômica do município em que se localiza. A complexidade da demanda global por certas especificações de qualidade dos produtos de origem primária (zoossanidade, fitossanidade, manejo sustentável, logística, engenharia financeira, certificação etc.) leva a crer que estes produtos tenham maior intensidade de capitais intangíveis (humano, conhecimento tecnológico, institucional etc.) do que um grande número de produtos industrializados tradicionais, reproduzidos em regime de economia informal. Ou seja, os produtos primários como os bens minerais, carregam elevado conteúdo de fatores especializados, principalmente de mão de obra qualificada de níveis médio e superior. O exemplo de Itabira é marcante. Em 2006, ostentava o primeiro lugar do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) no estado de Minas e o 73º lugar entre os 5.550 municípios brasileiros, com o valor do índice igual a 0,8548. Ocupa o segundo lugar no Brasil em termos do componente de emprego e renda. O IFDM é equivalente ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal ao levar em conta proporcionalmente as variáveis emprego e renda, educação e saúde. É um indicador de desenvolvimento socioeconômico e não apenas de crescimento econômico. O seu valor varia também de 0,0 (pior desempenho) a 1,0 (melhor desempenho).
Durante as duas últimas décadas, as lideranças políticas e comunitárias de Itabira vêm construindo e implementando, com apoio da Vale, uma estratégia de diversificação de sua base produtiva. À medida que o tempo passa, é declinante a posição relativa da mineração no conjunto das variáveis econômicas do município que tende a se tornar um lugar central de prestação de serviços educacionais de qualidade e de medicina especializada no Leste de Minas. O longo e penoso período de transformação socioeconômica de Itabira poderá ser encurtado em outros municípios por meio de intensa mobilização social e política endogenamente, por meios de processos de planejamento de médio e de longo prazos.
Contrapondo-se a esse esforço endógeno de desenvolvimento local, há muitos municípios mineradores em diversas regiões do país, e também em áreas com base no setor petrolífero nos estados do Rio e da Bahia, que apresentam situação psicossocial de conformismo ou de histerese socioeconômica de sua população. Um contexto histórico no qual as respostas das populações aos estímulos e incentivos externos tendem a se atrasar, mesmo quando estes se intensificam, tornando-as incapazes de mobilizar suas imensas potencialidades econômicas.