Sexta, 24 de Maio de 2013
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Artigo

Espasmos Econômicos

O país aumentou suas despesas permanentes, com fortes reajustes para seus servidores

Texto: Paulo Cesar de Oliveira
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Paulo Cesar de Oliveira -

 Não sou um especialista em economia e até conheço poucos versados nesta ciência. Como a maioria dos brasileiros, sou autodidata na matéria e conheço muito mais, como praticamente todos os empresários, das questões do dia a dia do que da macroeconomia. Esta, quando entra em parafuso, normalmente pega todos nós de surpresa e gera as grandes crises, como a de agora. Desta crise não podemos dizer que o mundo, e o Brasil, claro, já a deixou para trás. Os espasmos dela surgem daqui e dali, atingindo especialmente a Europa, que tem países com economias sem muitas condições de expansão. Os riscos, que eram da economia norte-americana, agora vêm da Europa e, para alguns analistas, são consequências da grande crise do ano passado.

Para segurarem suas economias, os governos fizeram muitas concessões, muitos programas de ajuda, aumentando desordenadamente suas despesas. Agora não conseguem cumprir seus compromissos, assustando investidores que retraem os investimentos. O resultado é que todo o mundo é puxado para baixo. E nós aqui, como ficamos? São muito boas as notícias diárias que apontam quebras de recordes de produção, de geração de emprego. Saímos da crise, garantem os economistas mais entusiasmados enquanto os precavidos colocam um mas no meio da frase. Saímos sim, dizem estes, mas já para o ano que vem, teremos outra, criada por nós mesmos. São cada dia mais frequentes, as advertências de quem é do ramo sobre os riscos do Brasil enfrentar sérios problemas com suas contas num futuro bem próximo, que a cada dia vai se tornando mais presente. O governo, dizem os que são especialistas, aumentou muito suas despesas e as tornou permanentes. Além das medidas anticíclicas, o país aumentou suas despesas permanentes, com fortes reajustes salariais para seus servidores, ampliação do número de funcionários, entre outras. E agora, no ano de eleições, o Congresso dá uma bela contribuição para a deteriorização das contas da Previdência Social. O que para a maioria parece bom, o aumento de consumo das famílias, acaba sendo ruim para as contas públicas e, consequentemente, para a economia. Estamos importando muito e isto, se por um lado ajuda a segurar a inflação com maior oferta, diminui nosso superávit comercial, inibe o processo de desenvolvimento da atividade produtiva interna e, ainda segundo os economistas, coloca o país com o risco da desindustrialização. Por causa do câmbio, dos impostos elevados, fica mais em conta importar do que produzir aqui. Mas, pelo menos por agora, este não é um problema de assustar. Estamos crescendo a taxas bastante razoáveis, mas por outro lado temos poucas chances de acelerar este crescimento. O país tem problemas crônicos na sua infraestrutura que torna praticamente inviável crescermos a taxas acima dos previstos 5% deste ano. Quando se vê que podemos ter dificuldades de atender à demanda por televisão para a Copa deste ano, simplesmente porque o setor aéreo não consegue entregar as encomendas de peça dentro dos prazos, a gente toma consciência do que o Brasil ainda precisa investir para ter cresci­mento sustentável. Aliás, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, num recente almoço com empresários mineiros no Espaço V, fez esta advertência. Estamos crescendo no limite da capacidade de nossa infraestrutura. Disse mais, precisamos mudar o foco de nosso crescimento que necessita se sustentar no investimento, não no consumo como agora. O fato é que se formos nos deixar levar pelas notícias e análises de economistas, vai ficar difícil continuar desenvolvendo. O melhor que o brasileiro pode fazer é continuar trabalhando, acreditando em seu potencial. Sem perder de vista as sinalizações dos especialistas.

 
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