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NegóciosProcuram-se ExecutivosProfissionais com perfil para cargos de direção e gerência nunca foram tão valorizados. É o mercado executivo onde quem dispõe de gente de destaque faz de tudo para segurá-la e, quem está à procura, oferece mais um pouco para persuadi-la
Texto: Iracema Barreto | Fotos: Alexandre Brum, Daniel de Cerqueira, Gustavo Scatena, Sergio Zacchi Arte: Paulo Werner
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"O mercado está aquecido, a demanda por profissionais qualificados é maior do que a oferta e as empresas temem não achar alguém para substituí-los no curto prazo, ou não encontrar alguém com o mesmo salário", explica Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half. “Trazer novo funcionário, ambientá-lo e treiná-lo gasta recursos e tempo. Por isso o receio das empresas em perder seus talentos, uma vez que o investimento nesses colaboradores é alto e a busca por novos profissionais também.” Indagado sobre o que será decisivo em sua escolha entre as três empresas que aguardam resposta, Cláudio Horta confirma o que os especialistas garantem: a remuneração não é o principal atrativo para um executivo. Nem mesmo para as jovens lideranças que estão buscando espaço no cenário business. Pesquisa realizada pela Cia de Talentos com 30 mil estudantes brasileiros neste ano revelou que o salário é o quarto item da lista de prioridades na hora de definir uma boa oportunidade de emprego. No topo do ranking aparecem crescimento e desenvolvimento profissional, além de ambiente de trabalho agradável. “Vale é o desafio e a vontade de mostrar resultado. E é importante saber se a empresa oferece condições para isso”, diz Horta, que se mostra despreocupado com a decisão a tomar. “Sinto-me em vantagem. O mercado coloca executivos vitoriosos nessa situação.” |
Em situação confortável está também o administrador de empresas José Luis Poli. Aos 48 anos, ele dirige agora as áreas comercial, de marketing e logística da GR Higiene e Limpeza, sediada no Rio de Janeiro. A empresa é detentora de marcas como Barra e Bica e há cerca de um ano identificou em Poli, então diretor da Mazzaferro Monofilamentos Técnicos, em São Paulo, o perfil adequado para concretizar o desejo de expansão dos negócios no Brasil. Não é a primeira vez que o executivo é pescado em outra empresa. Na primeira vez em que trabalhou na Mazzaferro (de 1990 a 1994), trocou a capital paulista por Minas ao aceitar a proposta da Cera Ingleza, onde atuou por seis anos, até que decidiu virar empresário. Em 2003, porém, veio novo convite da Mazzaferro. “Faz bem para o ego essa sondagem quase constante”, admite Poli, que nos últimos seis meses recebeu três propostas distintas para deixar o atual emprego. “Mas é preciso entender até onde o mercado está disposto a pagar por isso. As empresas oferecem bônus para você largar o que tem e aceitar outros desafios, mas não se resume a uma questão financeira, é todo um conjunto de fatores que te permita colocar sua expertise em prática”, diz. “Esse leilão de profissionais sempre existiu, mas com um volume diferente. Agora, a demanda é maior porque a economia cresceu muito e não estávamos devidamente preparados para essa onda de oportunidades.” |
A grande oferta de vagas para executivos é mensalmente monitorada pela Laerte Cordeiro Consultores em Recursos Humanos. O termômetro é São Paulo, onde, em março, 640 profissionais para os níveis de gerência e direção foram procurados – oferta 14% maior do que a registrada em igual período do ano passado. De acordo com a pesquisa, os profissionais da área geral de marketing/vendas receberam o maior número de ofertas de emprego (39%), seguidos pelos executivos de produção/técnica (23%). A indústria foi a maior recrutadora desses profissionais (64% das ofertas). Uma busca simplificada no site do Grupo Catho, considerado o maior detentor de classificados online de currículos e empregos da América Latina, mostrou 1.180 vagas para diretor (as mais variadas áreas) em Minas Gerais, em 95 anúncios, numa semana de abril. O número de currículos, porém, não chegava a 300. “O Brasil terá essa lacuna transitória até se equipar de pessoas para sustentar esse salto da economia”, afirma o professor Laerte Cordeiro. “Agora, a troca de emprego sempre vai acontecer porque o bom profissional vive em busca de melhores oportunidades. Por outro lado, as empresas sempre querem ter Ronaldo e Pelé no mesmo time.” Maria Helena Bertoccelle, da BS Consultores, em São Paulo, também já constatou que, desde o início do ano, as corporações estão procurando mais a ajuda das consultorias de recursos humanos em busca de bons profissionais. Em muitos casos, diz ela, a missão é conseguir a recontratação dos que foram dispensados durante a crise financeira que abalou meio mundo em 2008 e deixou rastro no ano passado. “Não há dados estatísticos sobre essa defasagem, mas a gente percebe pela dificuldade de fazer o meeting entre o que as corporações desejam e os currículos disponíveis. Por isso, é mais econômico buscar quem já tem uma boa colocação no mercado.” |
Mas qual é o perfil dos profissionais que estão com o passe supervalorizado? Alguém com network eficiente, boas relações sociais, que mostre competência no desenvolvimento de relações humanas, aponta o professor Laerte Cordeiro. Alguém que já tenha entendido que o mercado não visa apenas a formação profissional, destaca a consultora da BS. “Hoje em dia, a competência, por si só, não diferencia o profissional de uma empresa para outra. Não adianta também apenas ter muitos cursos. É necessário provar que é empreendedor, líder, assertivo, estar alinhado com os valores da empresa”, avisa Maria Helena. O professor Anderson Sant’Anna, coordenador do Núcleo Vale de Desenvolvimento de Lideranças da Fundação Dom Cabral, diz que qualificação é apenas a base para entrar no jogo e que, para conseguir as vagas mais disputadas, é preciso mostrar os projetos que já realizou, por onde passou, que resultados alcançou, além das chamadas competências de terceira dimensão – adaptabilidade, flexibilidade, capacidade de lidar com situações ambíguas, de se relacionar com as pessoas, trabalhar em grupo. “O mercado quer um sujeito polivalente, que aponte soluções, alguém com capacidade de mobilizar seus múltiplos saberes para gerar resultados.” Sant’Anna avalia ainda que um dos motivos para o abismo entre oferta e demanda quando o assunto é o mercado de trabalho para executivos é o fato de as empresas terem, em muitos casos, a pretensão de encontrar um indivíduo pronto. “Isso leva a certo embotamento. As empresas têm receio de serem formadoras de profissionais, de oferecer treinamento, porque acreditam que podem se transformar em fornecedoras de mão de obra qualificada para a concorrência. Mas é necessário uma mudança de mentalidade, criar condições para que o bom profissional fique e apresente os resultados esperados. Além disso, saber que uma hora pode haver mudanças. Lembrando Vinícius de Moraes, que o relacionamento seja eterno enquanto dure. |
O que valoriza o executivo
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