Mais de 100 pessoas, entre empresários, políticos, investidores e convidados participaram da edição de abril do projeto Conexão Empresarial, cujo palestrante foi o megaempresário mineiro, o bilionário Eike Batista. O jantar foi patrocinado pela Usiminas, com apoio da Embratel e Mascarenhas Barbosa Roscoe. Ágil e prático, Eike exibiu um vídeo que reúne o extenso panorama de investimentos da holding EBX, que congrega uma dezena de outras empresas. Foi atencioso com as perguntas da plateia e até ofereceu consultoria a empresários mineiros que pretendem abrir negócios no mercado de capitais. O estilo empresarial de Eike é considerado ousado, agressivo e até visionário por especialistas. Porém, em algumas áreas, é unanimidade: sabe atrair investimentos e lucrar como ninguém. Aos 53 anos, Eike aposta em áreas distintas, fazendo jus à famosa máxima popular de que não se põe todos os ovos em um único cesto: seus negócios vão desde a mineração, petróleo, energia, recursos hídricos, portos, turismo e um restaurante japonês de luxo, até a preservação da história nacional, apoiando projetos culturais como o recém-inaugurado Museu das Minas e do Metal, na praça da Liberdade, em Belo Horizonte, e a restauração completa do Hotel Glória, um símbolo do Rio de Janeiro.
Em matéria de investimentos, tudo é superlativo na escala Eike: na próxima década, ele planeja investir 40 bilhões de dólares no país. Atualmente, está finalizando as obras dos superportos de Açu e Sudeste, ambos no Rio de Janeiro, que devem começar a operar em 2011, e já planeja construir um estaleiro. Seu foco vai além do negócio: já prevendo a expansão demográfica nas áreas próximas aos portos, quer construir a Cidade X, para abrigar operários, estivadores e seus familiares. “Não sou empresário de construir puxadinho. Quando me disseram que uma casa padrão para a classe média baixa era de 48m2, fiquei horrorizado. Isso não é padrão! Faço questão de investir no ambiental e social antes”, sentencia. Segundo Eike, o melhor aprendizado para se ver saídas diante de crises e de situações inesperadas ele teve quando comprou uma mina em meio ao deserto do Atacama (Chile). “Ali, aprendi o que é ser autossuficiente, pois tive de partir do zero em tudo: não havia estradas, água, mão de obra, infraestrutura, nada. Foi uma operação quase que militar para colocar a mina em operação.”
A expansão meteórica na área petrolífera de Eike é recente. “Em 2007, descobri que a taxa de acerto para se achar poços, no Brasil, era de 60% contra 17% da média mundial. Já furamos dez poços e temos outros 17 descobertos, com capacidade geradora8 de mais de 10 milhões de barris, podendo chegar, até 2019 a 1 bilhão de barris. Infelizmente, o brasileiro não tem a cultura do risco.” Para a empreitada, ele foi ao mercado e contratou os melhores especialistas com know-how em pesquisa petrolífera. Segundo Eike, o país subestima sua capacidade petrolífera e até produtiva. “Angola produz hoje o mesmo que a Petrobras. O projeto do estaleiro que estou desenvolvendo tem só 20% de investimentos brasileiros. Para ganhar meu primeiro bilhão, fiz investidores ganharem 20 vezes. Vamos produzir o primeiro navio em, no máximo, três anos. É uma pena que aqui não se valorize isso.”
Bate-bola com os convidados
O que representa grandes eventos, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo de Futebol, ocorrerem no Brasil?
Élcio Guerra, presidente da Anglogold Ashanti
Eike: Eles colocaram o país no mapa-múndi, as pessoas passaram a respeitar mais o que fazemos aqui. Antigamente, eu precisava ir atrás dos investidores internacionais, hoje são eles que vêm aqui pedir bênção. Tanto a China, quanto a Índia e o Brasil têm uma enorme demanda reprimida. Só que temos a vantagem de sermos os queridinhos da vez na escolha dos investidores.
Quais foram os maiores problemas que você enfrentou na escalada empresarial?
Renata Vilhena, secretária de Estado de Planejamento e Gestão
Eike: Foi fechar empresas de maneira correta. No Brasil, não sei por que é mal visto quem fecha uma empresa, é como se fosse proibido ter uma segunda ou terceira chance. Fechar uma empresa do jeito certo, de forma transparente, é algo difícil de ocorrer aqui. Acho que todo empresário tem de buscar ser o mais transparente possível, pagar salários justos, compatíveis aos níveis de complexidade de cada cargo. Outra coisa é se formalizar. Se nós, empresas e sociedade, nos mobilizarmos para ampliar a formalização, conseguiremos até reduzir impostos.
Como você lida com a inveja?
Marco Antônio Castelo Branco, presidente da Usiminas
Eike: Paciência, o ser humano é assim mesmo.
Como você monta sua equipe, quais seus principais critérios seletivos?
Décio Freire, advogado
Eike: Eu não acredito no sistema tradicional de seleção de empresas de recursos humanos. Talvez hoje eu saiba mais ler pessoas do que livros. É algo similar à tática de acerto para se encontrar uma mina de ouro, que é na proporção de 17 mil x 1. Com o tempo, aprende-se a enxergar quem tem talento. Empresas de headhunnters nunca funcionaram para mim, prefiro os networks.