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Especial Dia das Mães IIÊta Fase DifícilMães de adolescentes: modernas gestoras familiares ou mulheres que padecem no paraíso?
Texto: Vanessa de Cobucci | Fotos: Daniel de Cerqueira
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No controle, literalmenteA empresária e fisioterapeuta Patrícia Holman, mãe de Raphael, 16, passa pela terceira vez a experiência de lidar com adolescentes, depois de Cristiana, hoje com 23 e Mariana, 20. Embora Raphael seja o caçula e o único homem, ela garante que o rapaz não tem privilégios. Por isso utiliza o mesmo sistema que adotou com as meninas: regras estabelecidas, horários, limites, enfim, tarefas a cumprir. E não toma partido quando ocorrem as famosas brigas entre irmãos. Para evitá-las e aumentar o elo de amizade e respeito entre eles, Patrícia criou um sistema no qual em cada dia específico da semana um dos filhos é que detém o controle remoto da TV, enquanto toda a família assiste à programação escolhida pelo jovem da vez. É uma forma, segundo ela, de manter o elo entre irmãos. “Pode parecer bobagem, mas funciona. Como tenho veia italiana, sempre fui rígida com decisões, pois se eu voltar atrás uma única vez eles abusam. E todo jovem sente falta de regras.” Patrícia diz que opta por escancarar a realidade aos filhos, por mais que seja chocante. “Sempre mostramos a eles artigos de jornais e revistas sobre criminalidade juvenil, gravidez na adolescência, drogas, DSTs, enfim, tudo. Ainda uso exemplos de amigos que foram pais aos 15, 16 anos. Não tem como fazer vista grossa à realidade.” Para Raphael, adolescer é tranquilo. “O chato é que a gente fica com mais responsabilidade, tem de estudar mais. Por exemplo, eu já penso no vestibular, embora seja só no ano que vem”, diz o aluno do 2º ano do ensino médio do Colégio Logosófico. |
Regras inflexíveisA funcionária pública Ana Cristina de Oliveira não cede fácil aos apelos de Paulo Henrique, 14. Ela lembra que viveu uma fase complexa na pré-adolescência do garoto. “Foram longos momentos de introspecção, ele passava horas recluso no quarto.” Ana Cristina lembra que se não fossem os longos diálogos entre ela, o marido e o garoto, o período poderia ter sido pior. “Tínhamos a postura de também compreendê-lo, pois sabemos que é difícil lidar com a alteração hormonal bombardeando todo o tempo.” Por morar em um condomínio repleto de muitos adolescentes, Paulo diz que é comum “pagar constantes micos” quando está nas áreas de lazer do prédio e os pais impõem o toque de recolher. “A azaração dos colegas é tanta que já nem ligo. Hoje entendo que meus pais estão certos.” O casal diz manter um diálogo aberto com o adolescente, mesmo em assuntos como drogas e sexo. Ana Cristina conta, orgulhosa, que o primeiro conjunto de camisinhas do filho foi presente do pai, o gerente de vendas Leonardo Oliveira. Aluno do Santa Doroteia, Paulo Henrique chegou assustado, uma vez, em casa. “Soube que durante festa de 15 anos um de meus amigos bebeu tanto que teve coma alcoólico. Quase morreu, foi parar no hospital. Fiquei chocado.” O jovem diz que nessa hora se lembrou dos conselhos familiares. “Nem sempre quem estimula a fazer coisas erradas ampara em momentos difíceis como esse, ao contrário, fogem à responsabilidade,” afirma Paulo. |
Amizade a toda provaEliana Lo Buono Moreira Bergmann, mãe de Gabriela, 17, utiliza do famoso jogo de cintura para lidar com a filha adolescente. Ela apregoa que a fase tem sido tranquila, porque regras e limites foram impostos à garota desde a infância. Por ser filha única, Gabriela tornou-se a melhor amiga da mãe. Para Eliana, não é algo que comprometa a relação de respeito, pelo contrário, ajuda a se aproximar da filha e no debate sobre temas complexos. Ela jura que ambas são confessoras uma da outra. Uma coisa é sagrada na família Bergmann: nem os pais, nem a jovem abrem mão de jantarem juntos todos os dias, em casa, quando aproveitam para jogar conversa fora e interagir. Nesses momentos, cobranças, problemas e temas negativos são assuntos proibidos. O que predomina é a interação positiva. Parte do que aplica na educação da filha, já que durante muitos anos Eliana foi educadora infantil, é inspirada nos livros da filósofa e pesquisadora Tania Zagury e nos best-sellers do psiquiatra Içami Tiba. Aluna do colégio Santo Agostinho, Gabriela é jovem nota 10: tira boas notas em todas as disciplinas, gosta de ler livros e ao contrário de seus colegas odeia ficar pendurada no telefone ou em redes com MSN ou twitter. “Prefiro lidar com as pessoas pessoalmente, é algo muito mais rico.” |
Adolescer é para pais e filhos, segundo Içami Tiba.Psicanalista avalia a relação familiar como uma troca: todos têm de participar Nem carrascos, nem vítimas. Na relação pais x adolescentes todos carregam sua responsabilidade, erros e acertos em peso idêntico. Quem avalia essa conturbada relação é o renomado psiquiatra e escritor Içami Tiba, especialista na área: em 38 anos de clínica, atendeu mais de 74 mil adolescentes e pais. Antes de qualquer comparação, é categórico: o que aplica hoje na educação de adolescentes é diferente do que fez com os filhos. “Porque jamais daria certo, é outra época.” Autor de 28 livros, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos, entre os quais o best-seller Adolescentes: Quem Ama, Educa! já na 38ª edição, Tiba não alivia o tom crítico ao dizer que o maior problema dos jovens está na falta de pulso dos pais. E dá um puxão de orelha nos que se agarram a conceitos ultrapassados. Hoje o grande dilema dos casais é não ter tempo para curtir e cuidar dos filhos. Como fazer para minimizar a ausência? Como impor limites e disciplina aos jovens? Os adolescentes têm uma tendência de se isolarem em seus mundos. Evitam interagir com a família. Como romper tal comportamento? Como não usar discursos prontos que nunca são ouvidos pelos filhos? Como os pais devem abordar temas delicados como drogas, sexualidade, gravidez, violência com os jovens sem parecer chatos? Há muitos casos de adolescentes de classe média alta que vão parar nas páginas policiais. Por que isso ocorre? Qual é o pior pesadelo dos pais de adolescentes hoje? |