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Especial Dia das Mães I
Eles chegaram
Viver Brasil acompanha de perto duas histórias, dois partos
e a sensação de pegar no colo um filho que acaba de nascer
Texto: Luciana Avelino | Fotos: Daniel de Cerqueira
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Em comum, os pequenos Arthur e Diego têm muito além do que seus poucos dias de vida. Ambos, nascidos na manhã do dia 20 de abril, vieram ao mundo de parto cesária pelas precisas mãos da obstetra Maria Inês Miranda Lima, no mesmo hospital em Belo Horizonte, a Maternidade Octaviano Neves. Em comum, também foram eleitos, aleatoriamente, para ilustrar, ao lado de suas genitoras, a matéria da revista que presta homenagem às mães. Ainda quando estavam nas barrigas maternas, mais precisamente quatro dias antes de Luciana Ferreira Villela (37 anos/2º parto) e Nádia Souza de Oliveira (32 anos/1º parto) darem a luz, a reportagem entrou em contato com as gestantes e seus universos particulares. Conhecemos os futuros quartinhos dos bebês caprichosamente preparados, vimos parte do enxoval que irão vesti-los nos primeiros meses de vida, ultrassonografias e, sobretudo, conversamos acerca de suas expectativas, ansiedades, emoções, transformações. Tão próximo de carregarem os filhos pela primeira vez, Luciana e Nádia, gentil e pacientemente, dispuseram-se a abrir seus corações de mães antes e depois do tão aguardado nascimento dos rebentos. No caso de Nádia, ainda acompanhamos todo o processo de internação. Desde a chegada na recepção da maternidade até o momento em que, na sala de parto, ela e o marido, Eduardo Machado López, abraçam Diego, minutos após ouvirmos seu tímido chorinho invadir todo o ambiente. Momento único, belo, significativo, que não só rendeu lágrimas nos olhos da partuniente e do pai, que também nascia naquele instante, como da jornalista, que reviveu a vinda do próprio filho, há quase seis anos. Cenas e diálogos intensos, emocionantes, que conferimos ao vivo e a cores e marcam o início desta profunda e complexa ligação entre mães e filhos.
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ANTES DE DIEGO CHEGAR
No dia anterior ao encontro com Nádia em sua residência, a farmacêutica atende a ligação da revista, que entrava em contato para confirmar a entrevista, e diz que ligaria na sequência, pois estava dirigindo, para meu espanto e preocupação, expressos de forma intromissiva. A ação da gestante, casada há cinco anos, retrata não só o desconhecimento do risco de mãe de primeira viagem como a disposição e saúde que teve durante toda gravidez.
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Trabalhou até próximo ao parto, engordou apenas 12 kg, fez hidroginástica do terceiro ao nono mês e não sentiu nenhum tipo de mal estar. No quarto decorado em bege e branco de Diego, Nádia mostra que tudo está em ordem, com exceção do cortinado do berço que ainda iria chegar. Até os algodões, cotonetes, fraldas e pomadas estavam meticulosamente organizados sob a cômoda. A malinha azul em cima da cama de apoio guardava a roupinha amarela e os sapatinhos vermelhos a serem usados pelo bebê na saída do hospital: cores que, segundo reza a simpatia, representam boa sorte aos recém-nascidos.
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Ao exibir a medalha de anjo que ganhou da irmã, eleita para ser a madrinha, a futura mãe expressa ansiedade natural de quem ainda não vivenciou a maternidade e tudo o que ela rende e representa tanto para Nádia como para a família. Diego será o primeiro filho, sobrinho, neto, bisneto materno. Neste primeiro contato, Nádia também revela preocupação. Nunca havia se internado em hospital para nada. “Tenho receio de não dar conta do recado na hora H, de alguma coisa sair errado, de sentir muita dor.” Em contrapartida, diz que a nova fase da vida já a ensinou muito. “Quando resolvi ter filho, já desejava engravidar de pronto, mas só consegui no sexto mês de tentativa. Também queria que tudo acontecesse conforme tinha planejado, idealizado, como ter parto normal, por exemplo.
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À medida que a gravidez foi evoluindo, percebi que tinha de ter muita paciência, não estava no controle da situação e até aceitar a possibilidade de cesariana, caso necessário. Amadureci muito.” Para Nádia, a opção pela maternidade só ocorre quando a mulher se dispõe a ceder o próprio tempo para os filhos. “Tomei essa decisão apenas quando me senti emocionalmente segura e preparada. Ter uma pessoinha crescendo dentro da gente é algo mágico, inexplicável, prova da existência de Deus.” Numa projeção da lida com o filho, ela se vê no futuro resgatando sua própria infância. “Sempre gostei de brincar de carrinho, jogar bola, andar de bicicleta.”
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DIEGO ESTÁ CHEGANDO
Sem saber, a dupla da reportagem, que havia chegado à maternidade antes de Nádia, assenta-se, coincidentemente, ao lado de suas irmã e mãe na recepção. Meia hora após o combinado com a médica, às 8h30, os futuros pais de Diego chegam: primeiro Nádia e, depois Eduardo. Enquanto ele leva o carro para o estacionamento, ela, que estava de jejum desde a noite passada, explica, aparentando relativa calma, que se atrasaram porque o marido decidiu tomar café e banho demorado antes de saírem. Minutos depois, Eduardo chega e diz que esqueceu a carteira com dinheiro, cartões e documento do carro em casa. Pergunto se ele está nervoso e ele responde que o período mais tenso passou. “Cheguei ao ponto de toda vez que Nádia me ligava, achava que estava na hora. Mas, depois da marcação do parto, fiquei mais tranquilo.” Mais relaxados, eles contam que dormiram bem e que programaram o despertador para não perder a hora. Enquanto Nádia aguarda ser atendida na recepção, a conversa toma rumo descontraído e ela passa a relembrar casos engraçados de família. Nem parecia a pessoa ansiosa que dizia ser. Cumprida a burocracia de internação, subimos para o setor indicado. Nádia segue para o ritual de preparação do parto, a mãe e a irmã se colocam a postos próximo do berçário e Eduardo, a jornalista e o fotógrafo vão colocar as roupas próprias de acompanhantes: os três iriam assistir ao parto.
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DIEGO CHEGA
Eram 10h57 quando entramos na sala de parto. Nádia já estava deitada sobre o leito, previamente anestesiada, prestes a ser operada. Compreendidas as regras de comportamento em ambiente cirúrgico – como não encostar nos panos verdes que cobrem e cercam a paciente –, a médica Maria Inês deu início às incisões na barriga de Nádia. Apesar de a equipe médica de sete profissionais aparentar controle da situação, a futura mãe oscila entre sorrisos e lágrimas. “Sou corajosa para muita coisa, mas é muita emoção”, fala e desaba a chorar. Eduardo, sentado à cabeceira de Nádia, acaricia o rosto da mulher e o cobre de delicados beijos, como em sinal de solidariedade, força. Após 13 minutos, às 11h10, diante de nossos olhos, Diego brota para a vida, em meio ao tradicional choro de recém-nascido. Após o corte do cordão umbilical, é levado para o aconchego da mãe sob o olhar emocionado do pai. Apesar de esperada, a cena é tocante. Sente-se misto de alívio e intensa alegria.”Meu neném, como disse um médico durante uma ultrassonografia, é de primeira qualidade. Ele é bem grande, não é? Minha mãe e irmã devem estar superansiosas lá fora, doidas para vê-lo.” Em seguida, o pai acompanha o pediatra com o filho até o berçário. Na volta de Eduardo à sala, a médica Maria Inês o aconselha, enquanto costura uma das sete camadas que cortou da barriga de Nádia para dar passagem ao bebê. “Agora é hora de maternar a mãe para que ela possa cuidar bem do filho, viu?”
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ANTES DE ARTHUR CHEGAR
Quando chegamos ao apartamento da analista de marketing Luciana, ela, o marido, Rodrigo Magalhães Christino, a primogênita de 12 anos, Aline, estavam reunidos na sala. Ao contrário da chegada de Aline, aos 24 anos, época em que morava com a mãe e corria para dar conta da universidade e do trabalho, a gravidez de Arthur foi planejada. “Estava numa época em que já tinha investido na questão profissional e sentia vontade de me voltar mais para a família. Então tirei o DIU que usava há oito anos e logo engravidei.”Também diferente da primeira gravidez, Luciana se sentiu mais disposta
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“Desta vez, engordei 12 kg a menos, fiz acompanhamento com nutricionista e fiquei emocionalmente mais tranquila. Até o quartinho, demorei mais a finalizar. Quando vi, entrei para o oitavo mês.” Embora seja mãe de segunda viagem, ela se sente como se fosse sua primeira experiência. “Esqueci-me de muitas coisas, sem contar que as ruins a gente parece deletar. Mas lembro-me bem das sensações de amamentar e de quando Aline mexia na barriga. Extremamente prazerosas.” Consciente da nova lida que a aguarda pela frente – madrugadas insones e afins –, ela avalia o que pretende mudar na criação de Arthur. “Vou tentar ser menos protetora, deixá-lo seguir seu caminho com suas próprias pernas, embora continuarei a mostrar as possibilidades que considero certas, coerentes.”Empolgada com a chegada do irmão, Aline era só alegria. “Estou muito feliz. Vou querer ajudar em tudo que puder.”
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ARTHUR CHEGA
Após o parto de Nádia, subimos no quarto 212 da maternidade para dar um alô a Luciana. Ao chegarmos lá, ela já estava deitada ao lado de Arthur, vestido com a roupinha do hospital e dormindo com a melhor carinha do mundo. O semblante de Luciana era sereno, feliz. Rodrigo, que não ia assistir ao parto, resolveu fazer companhia à mulher de última hora. “Foi uma surpresa maravilhosa. Não só deu conta de ficar lá, como tirou fotos.” Apesar de não terem conseguido dormir direito, todo o parto correu bem, sem sobressaltos. Eles chegaram à maternidade às 6h e, pouco mais das 9h, Arthur já tinha nascido. “Chorei do início ao fim. É uma expectativa gigante, compensada quando vimos o rostinho de nosso filho pela primeira vez.” Luciana conta que rezou muito para que tudo desse certo, toda a equipe médica ficasse tranquila e Deus abençoasse a todos. Outro momento de emoção para Luciana foi quando ela se encontrou com a mãe, Zuleida, após o nascimento do neto. “Na hora que ela me viu, me deu logo um beijo no rosto, um abraço apertado e chorou muito.” Depois de recebermos a lembrancinha de Arthur, deixamos o quarto e o hospital com uma gostosa sensação de renovação.
Confira os bastidores desta matéria aqui.
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