Quarta, 23 de Maio de 2012
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Cidades da Copa 2014

Para além de 2014

Manaus se agarra à escolha como uma das sedes do mundial para impressionar os visitantes e intensificar o turismo na região após o evento

Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Fábio Nutti


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Vista geral de Manaus: no centro, o Teatro Amazonas; à direita, a igreja de São Sebastião

A floresta Amazônica foi a grande responsável por Manaus ter sido escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Devido ao fato de ser mundialmente conhecida por sua importância para a humanidade, ela continuará o principal foco dos manauaras para atrair a maior quantidade possível de turistas de outros países durante e, principalmente, após o evento. A ideia é aproveitar o apelo internacional da floresta e a divulgação da Copa para fervilhar o turismo na capital do Amazonas.

Com esse fortíssimo apelo ecológico da cidade os responsáveis pe­las obras estruturais em Manaus, visando a Copa do Mundo, garantem que todas as ações serão ambientalmente corretas. “Não temos ação isolada da Secretaria de Meio Ambiente. Tudo será feito com foco nas questões ambientais”, garante o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus, Marcelo Dutra. Ele conta que a cidade é adepta ao projeto Green Goal, implementado pela primeira vez na Alemanha, em 2006. Ele consiste na busca ao máximo dos parâmetros de sustentabilidade nas obras para a Copa do Mundo.

A prefeitura de Manaus diz que a cidade passará por grande transformação para receber o evento. Uma delas – muito necessária, diga-se de passagem –, será no sistema de transporte público, com a implantação do Bus Rapid Transport (BRT, em tradução livre, ônibus de trânsito rápido). A proposta é que além de desafogar o trânsito no centro da cidade, o sistema gere desenvolvimento por onde passar. O BRT é tido como uma das principais obras a serem executadas na capital do Amazonas e, segundo Dutra, será voltada para as questões ambientais. Um dos desafios da cidade é reduzir em 40% a emissão de poluentes pelos veículos do transporte público. A meta deverá ser atingida com a troca dos ônibus antigos por outros mais modernos, menos poluentes, mais rápidos e que transportam quantidade maior de pessoas.


Estádio Vivaldo Lima, que será demolido para dar lugar a Arena da Amazônia
Estádio Vivaldo Lima, que será demolido para dar lugar a Arena da Amazônia

Estas mudanças são muito aguardadas pela população. Não faltam críticas ao atual sistema. “Nosso transporte é péssimo. Os ônibus são todos maquiados. Eles têm pintura nova por fora, mas por dentro não oferecem condições de transportar passageiros. São todos muito velhos”, opina o chefe de Ali­mentos e Bebidas, Francisco Pinto. Ele diz que não é de hoje que o po­der público fala em promover mudanças no sistema de transporte de Manaus. “Mas elas nunca saem do papel”, assegura. A recepcionista Elaine Costa Silveira reclama dos atrasos dos ônibus, do valor da tarifa e das condições precárias em que os veículos trafegam. “Os atrasos são constantes e a tarifa sai muito cara em relação ao serviço prestado”.

Outra intervenção visando à mobilidade urbana será no sistema viário de Manaus, que sempre enfrenta engarrafamentos nos horários de pico e trânsito lento no decorrer do dia na área central. “São diversas intervenções viárias com a interligação de grandes vias com avenidas e a construção de 11 viadutos até a Co­pa”, atesta o assessor de In­fra­estru­tura da prefeitura, Eraldo Ban­dei­ra. “Temos praticamente o mes­mo 8 sistema viário de dez anos atrás, mas com uma frota muito maior. Então, teremos de investir na cria­ção de alternativas para dar fluidez ao trân­sito e implementar um bom sistema de transporte coletivo”, reconhece.

Arena da Amazônia, que abrigará um business center e onde serão realizados shows musicais
Arena da Amazônia, que abrigará um business center e onde serão realizados shows musicais

Outro aliado do BRT será o monotrilho, que ligará as regiões norte e leste da cidade. O projeto é ambicioso e deve consumir mais de um bilhão de reais em seus 22,2 quilômetros de extensão. A capacidade de transporte do monotrilho será de 400 mil pessoas/dia e terá integração com o BRT.

Mas nem tudo são flores. Os Ministérios Públicos Fe­de­ral e Es­ta­dual recomendaram modificações no projeto do monotrilho. Com a intervenção do MP as obras não poderão ser iniciadas enquanto o impasse não for solucionado. “As dúvidas técnicas e de conduta de­vem ser apuradas sempre, mas o MP precisa vir para a parceria entendendo que um prefeitotem poderes eletivos conferidos para tomar decisões políticas em relação à cidade”, alega Marcelo Dutra.

Rodrigo Camelo: “Arena trará nova realidade para Manaus”
Rodrigo Camelo: “Arena trará nova realidade para Manaus”

Enquanto o monotrilho para, as obras do estádio Vivaldo Lima, mais conhecido como Vivaldão, estão a to­do vapor. Foram iniciadas em 19 de março. O estádio será substituí­do pe­la moderníssima Arena da Ama­zô­nia, que será multiuso. Já foram reti­rados alguns equipamen­tos do Vivaldão. Após esta etapa, o estádio será demolido e dará lugar a uma das arenas mais belas a se­rem construídas para a Copa 2014. “A Arena da Ama­zônia visa desenvolver uma nova realidade em Manaus”, diz o secretá­rio executivo de Plane­ja­men­to e De­­sen­vol­vi­mento Econômico do Ama­­­zonas, Ro­­drigo Camelo. A arena terá ca­paci­dade para 45 mil torcedores.

Como o futebol não tem nenhu­ma tradição no Amazonas e o estado não possui times de expressão (suas principais equipes, Nacional e São Raimundo, disputam a quarta divisão do Campeonato Brasileiro), a ideia é fazer com que a arena seja mais do que apenas um palco de futebol. Lá terá um business center e o espaço será utilizado também para a realização de shows musicais. O projeto do novo estádio está orçado em 499 milhões de reais.

Eraldo Bandeira: “Temos de criar alternativas para dar fluidez ao trânsito
Eraldo Bandeira: “Temos de criar alternativas para dar fluidez ao trânsito

Todo o entorno da Arena também será reformulado. À esquerda do empreendimento está sendo8 cons­truído um centro de convenções e, à direita, será reformado o poliesportivo Amadeu Teixeira, sede do mídia center durante a Copa. “Nossa ideia não é ter apenas um bom estádio. Temos de torná-lo autossustentável”, atesta Camelo. Pró­xi­mo ao complexo es­portivo também existe o sambódromo, onde se apresentam os bois Caprichoso e Garantido.  Já os dois centros de treinamento exigidos pela Fifa serão o campo do Clube do Trabalhador, do Sesi e possivelmente o estádio Ismael Benigno. Já os locais que servirão para adaptação das seleções que  disputarão a Copa em Manaus poderão ser, além da própria capital, Iranduba ou Rio Preto da Eva, municípios vizinhos a Manaus.

Como a cidade tem forte turismo ecológico e de negócios por causa da Zona Franca, não tem tantos problemas no que tange à rede hoteleira. Os hotéis de Manaus disponibilizam 10 mil leitos. A cidade precisaria de mais 6 mil.  “Temos investimentos em execução que vão gerar mais 3 mil leitos, reduzindo pela metade a defasagem”, assegura Rodrigo Ca­me­lo. Segundo ele, os outros 3 mil leitos devem ser conse­guidos sem problemas, pois como a demanda por hotéis na cidade é alta, o risco desse investimento em Manaus é quase zero.

Francisco Pinto: “Nosso sistema de transporte é péssimo”
Francisco Pinto: “Nosso sistema de transporte é péssimo”
Investimentos que também deverão ser direcionados para o aeroporto da cidade. Em 2008, segundo dados da Infraero, passaram por lá dois milhões de passageiros. “Quando foi construído, o ae­roporto era o mais moderno do país, mas está defasado e precisa de ampliação e modernização para atender ao público da Copa”, atesta Camelo. Segundo ele, a Infraero acenou para atender a esta necessidade. Além das obras estruturais, Ma­naus passará por outras mudanças, mas com enfoque turístico. Entre elas, estão a construção de um parque temático com aquário municipal e a revitalização total da praia da Ponta Negra, um dos cartões postais da cidade. “Queremos que as pessoas que virão aqui para assistirem à Copa encontrem a cidade toda organizada e façam propaganda boca a boca em seus países para que outros turistas venham nos visitar”, enfatiza o assessor da Secretaria de Infraestrutura de Manaus, Eral­do Bandeira. A aposta está feita.

Os dois lados da moeda

De goleada

Estádio

  • Manaus terá uma das mais modernas arenas de futebol do Brasil. A Arena da Amazônia, cujas obras já foram iniciadas, terá capacidade para 45 mil espectadores. O local terá um business center já que o futebol não tem tradição no Amazonas, para que seja autossustentável

Rede Hoteleira

  • A cidade tem dez mil leitos de hotéis que atendem às exigências da Fifa. Outros três mil leitos estão sendo construídos e ficarão prontos até a Copa. A cidade necessita de apenas mais três mil leitos

Porto

  • Por ser uma cidade portuária, Manaus abrigará transatlânticos que poderão também ser utilizados como hotéis para quem for assistir a Copa na cidade

Floresta Amazônica

  • A floresta Amazônica possui uma das maiores diversidades da flora e da fauna do mundo. O poder público aposta na floresta para atrair turistas, independentemente das seleções que ficarem em Manaus

Na retranca

Aeroporto

  • O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes necessita de ampliação e reforma. O local tem apenas dois terminais de passageiros, o estacionamento é somente para cerca de 700 veículos. A Infraero deverá efetuar as obras necessárias, mas ainda não estipulou prazo para isso

Trânsito

  • O trânsito em Manaus é complicado, sendo que nos horários de pico sempre há congestionamento, principalmente na área central da cidade. Nos horários normais o trânsito é lento no mesmo perímetro

Capacitação

  • Apesar de ser uma cidade turística, nem todas as pessoas que trabalham em hotéis, restaurantes e pontos turísticos estão capacitadas para dar a atenção adequada aos turistas

Restaurantes

  • Não há muitas opções de bons restaurantes na cidade e a comida é muito cara

Confira os bastidores da matéria no blog da redação.


 
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