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Cidades da Copa 2014Para além de 2014Manaus se agarra à escolha como uma das sedes do mundial para impressionar os visitantes e intensificar o turismo na região após o evento
Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Fábio Nutti
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Estas mudanças são muito aguardadas pela população. Não faltam críticas ao atual sistema. “Nosso transporte é péssimo. Os ônibus são todos maquiados. Eles têm pintura nova por fora, mas por dentro não oferecem condições de transportar passageiros. São todos muito velhos”, opina o chefe de Alimentos e Bebidas, Francisco Pinto. Ele diz que não é de hoje que o poder público fala em promover mudanças no sistema de transporte de Manaus. “Mas elas nunca saem do papel”, assegura. A recepcionista Elaine Costa Silveira reclama dos atrasos dos ônibus, do valor da tarifa e das condições precárias em que os veículos trafegam. “Os atrasos são constantes e a tarifa sai muito cara em relação ao serviço prestado”. Outra intervenção visando à mobilidade urbana será no sistema viário de Manaus, que sempre enfrenta engarrafamentos nos horários de pico e trânsito lento no decorrer do dia na área central. “São diversas intervenções viárias com a interligação de grandes vias com avenidas e a construção de 11 viadutos até a Copa”, atesta o assessor de Infraestrutura da prefeitura, Eraldo Bandeira. “Temos praticamente o mesmo 8 sistema viário de dez anos atrás, mas com uma frota muito maior. Então, teremos de investir na criação de alternativas para dar fluidez ao trânsito e implementar um bom sistema de transporte coletivo”, reconhece. |
Outro aliado do BRT será o monotrilho, que ligará as regiões norte e leste da cidade. O projeto é ambicioso e deve consumir mais de um bilhão de reais em seus 22,2 quilômetros de extensão. A capacidade de transporte do monotrilho será de 400 mil pessoas/dia e terá integração com o BRT. Mas nem tudo são flores. Os Ministérios Públicos Federal e Estadual recomendaram modificações no projeto do monotrilho. Com a intervenção do MP as obras não poderão ser iniciadas enquanto o impasse não for solucionado. “As dúvidas técnicas e de conduta devem ser apuradas sempre, mas o MP precisa vir para a parceria entendendo que um prefeitotem poderes eletivos conferidos para tomar decisões políticas em relação à cidade”, alega Marcelo Dutra. |
Enquanto o monotrilho para, as obras do estádio Vivaldo Lima, mais conhecido como Vivaldão, estão a todo vapor. Foram iniciadas em 19 de março. O estádio será substituído pela moderníssima Arena da Amazônia, que será multiuso. Já foram retirados alguns equipamentos do Vivaldão. Após esta etapa, o estádio será demolido e dará lugar a uma das arenas mais belas a serem construídas para a Copa 2014. “A Arena da Amazônia visa desenvolver uma nova realidade em Manaus”, diz o secretário executivo de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas, Rodrigo Camelo. A arena terá capacidade para 45 mil torcedores. Como o futebol não tem nenhuma tradição no Amazonas e o estado não possui times de expressão (suas principais equipes, Nacional e São Raimundo, disputam a quarta divisão do Campeonato Brasileiro), a ideia é fazer com que a arena seja mais do que apenas um palco de futebol. Lá terá um business center e o espaço será utilizado também para a realização de shows musicais. O projeto do novo estádio está orçado em 499 milhões de reais. |
Todo o entorno da Arena também será reformulado. À esquerda do empreendimento está sendo8 construído um centro de convenções e, à direita, será reformado o poliesportivo Amadeu Teixeira, sede do mídia center durante a Copa. “Nossa ideia não é ter apenas um bom estádio. Temos de torná-lo autossustentável”, atesta Camelo. Próximo ao complexo esportivo também existe o sambódromo, onde se apresentam os bois Caprichoso e Garantido. Já os dois centros de treinamento exigidos pela Fifa serão o campo do Clube do Trabalhador, do Sesi e possivelmente o estádio Ismael Benigno. Já os locais que servirão para adaptação das seleções que disputarão a Copa em Manaus poderão ser, além da própria capital, Iranduba ou Rio Preto da Eva, municípios vizinhos a Manaus. Como a cidade tem forte turismo ecológico e de negócios por causa da Zona Franca, não tem tantos problemas no que tange à rede hoteleira. Os hotéis de Manaus disponibilizam 10 mil leitos. A cidade precisaria de mais 6 mil. “Temos investimentos em execução que vão gerar mais 3 mil leitos, reduzindo pela metade a defasagem”, assegura Rodrigo Camelo. Segundo ele, os outros 3 mil leitos devem ser conseguidos sem problemas, pois como a demanda por hotéis na cidade é alta, o risco desse investimento em Manaus é quase zero. |
Investimentos que também deverão ser direcionados para o aeroporto da cidade. Em 2008, segundo dados da Infraero, passaram por lá dois milhões de passageiros. “Quando foi construído, o aeroporto era o mais moderno do país, mas está defasado e precisa de ampliação e modernização para atender ao público da Copa”, atesta Camelo. Segundo ele, a Infraero acenou para atender a esta necessidade. Além das obras estruturais, Manaus passará por outras mudanças, mas com enfoque turístico. Entre elas, estão a construção de um parque temático com aquário municipal e a revitalização total da praia da Ponta Negra, um dos cartões postais da cidade. “Queremos que as pessoas que virão aqui para assistirem à Copa encontrem a cidade toda organizada e façam propaganda boca a boca em seus países para que outros turistas venham nos visitar”, enfatiza o assessor da Secretaria de Infraestrutura de Manaus, Eraldo Bandeira. A aposta está feita.
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Os dois lados da moedaDe goleada Estádio
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