Quarta, 23 de Maio de 2012
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Depois da bola, uma cervejinha

Elas resolveram aderir em massa a um programa que até pouco tempo era estritamente masculino e, cá pra nós, estão dando de goleada

Texto: Elisângela Orlando | Fotos: Daniel de Cerqueira


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Júlia (à dir.) com as amigas Luiza Pinheiro e Luiza Batista (sentada) antes do treino

Que o brasileiro é louco por futebol, todo mundo sabe. Está gravado na pele, na alma, no coração. E não precisa ser craque para arriscar alguns dribles. Basta juntar os amigos, suar a camisa e fazer a rede balançar. Depois é correr para o abraço, jogar conversa fora e tomar uma gelada para aliviar a tensão. Quem acha que isso é coisa de marmanjo, ainda não viu o que elas são capazes de fazer com a bola nos pés. O esporte tem conquistado um número cada vez maior de mulheres que lotam as quadras poliesportivas para disputar aquela peladinha com as amigas, tomar uma cerveja e por o papo em dia – afinal, não é à toa que o Brasil é o país do futebol.

 

 


Bate-papo e cerveja após o jogo
Bate-papo e cerveja após o jogo

Em alguns casos, a explicação para tanta jinga nos pés pode ser genética. Que o diga a médica Lu­ciana Dias Moretzsohn, 48 anos. Todas as terças e quintas ela troca o jaleco pelas chuteiras e vai bater bola com as filhas Cláudia, 18, e Lúcia, 20. Quando falta uma jogadora no time, quem assume a camisa de titular é o maridão, brinca Luciana. Segundo ela, a paixão pelo esporte começou na infância. Naquela época, porém, tudo era diferente. “O preconceito era grande”, diz.

Luciana Dias (centro) treina ao lado das filhas Lúcia (à esq.) e Cláudia
Luciana Dias (centro) treina ao lado das filhas Lúcia (à esq.) e Cláudia

O tempo passou e, hoje, após o término do jogo, Cláudia e Lúcia vão para um lado se divertir com as amigas, enquanto Luciana aproveita para estreitar os laços com as mães de outras jogadoras. A médica diz que outro programa preferido é ir ao estádio com a família ver o time do coração jogar, o Clube Atlético Mineiro – é paixão que corre nas veias.


 

Gabriela Mafra entre as amigas Flávia (à esq.) e Taís: pelada semanal
Gabriela Mafra entre as amigas Flávia (à esq.) e Taís: pelada semanal

Casos de amor pela bola costumam despontar cedo. E quando se é a única mulher entre dois irmãos e oito primos alucinados por futebol? Paixonite na certa. Essa é a história da estudante universitária Ali­ne Menezes Brito. Aos 21 anos, ela é lateral esquerdo do Batom Esporte Clube, time formado por alunas do curso de Comu­ni­ca­ção da PUC São Gabriel. Quando elas se reúnem pa­ra treinar, tomar uma cervejinha depois de molhar a camisa é lei, afirma Aline.

 

Depois do jogo, as integrantes do Futeboleiras BH se reúnem em bar
Depois do jogo, as integrantes do Futeboleiras BH se reúnem em bar

A equipe venceu três das quatro edições do torneio de futebol feminino da universidade. Em uma delas, Aline levou para casa o troféu de artilheira da competição. Longe das quadras, elas também costumam se encontrar em bares para ver os jogos do Cruzeiro ou mesmo de outros times. Além da premiação, Aline também coleciona fãs, entre eles o pai, os irmãos e vários alunos da faculdade. “O campeonato feminino é o mais badalado do campus”, frisa.

 

Aline, do Batom Esporte Clube: destaque como artilheira de campeonato
Aline, do Batom Esporte Clube: destaque como artilheira de campeonato

A estudante de engenharia de produção Déborah Tiengo, 22, também aprendeu a dar os primeiros dribles na infância. “Meu irmão é um ano e meio mais velho que eu e me pedia para jogar com ele. Acabei aprendendo”, diz 
Déborah que, na escola, fazia parte do time dos garotos. A estudante, que já disputou campeonatos amadores, chegou a pensar em seguir a carreira esportiva, mas acabou optando pela engenharia, sua outra grande paixão.
 O amor pelo esporte, entretanto, continua mais vivo que nunca. Todas as segundas-feiras, Deborah não abre mão da pelada com as amigas. E como ninguém é de ferro, nada melhor do que um bate-papo com uma cervejinha gelada para acompanhar e começar a semana com o pé direito. “No lugar em que jogamos, tem um barzinho entre as duas quadras. Assim, fica impossível resistir.”

Quem também é adepta dessa combinação de sucesso é a gerente de novas mídias Gabriela Mafra, 35. Em quadra, ela é atacante do Futeboleiras BH, time criado por amigas há cinco anos e que se reúne toda semana em uma quadra no bairro Buritis. Um fã especial costuma acompanhá-la em quase todos os jogos: o filho de 15 anos, que também é louco pelo esporte. “Futebol faz bem para o corpo e para a alma.”

As mineiras, pelo jeito, estão mesmo com sede de bola. Mais um exemplo disso é o Amem, que significa As meninas eternas do Minas. Em 2009, a equipe foi vice-campeã da Copa Alterosa de Futebol Society. A estudante de arquitetura Júlia de Carvalho Britto Lanna, 21, faz parte do grupo. “Cada uma jogava em um lugar. Depois, fomos treinar no Minas Tênis Clube. No ano passado, criamos o time para disputar o campeonato”, explica a estudante.
Hoje, elas batem bola duas vezes por semana e é comum se reunirem após o jogo para contar casos e relaxar. E adivinha o que as meninas do Amem gostam de fazer quando não estão treinando? Acertou quem disse que é ver futebol em algum bar da cidade – parceria mais que aprovada entre os belo-horizontinos e, agora, também entre as belas da capital.


 
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