O que levou o senhor a escrever um livro sobre JK e Brasília?
A saga de Brasília é empolgante, rica, importante. Uma das mais emocionantes do país. Desde o sonho dos inconfidentes mineiros de interiorizar a capital à fantástica história da vida e obra de JK.
Que tipo de questões o livro aborda?
O livro conta Brasília e quem foi e o que fez JK. Mostra, por exemplo, por que construiu Brasília e por que em disparada. Mostra, analisa e avalia os reflexos da criação da cidade no desenvolvimento do país. Discute como foi feita, quanto custou, se valeu a pena. Capital da roubalheira e da inflação ou segunda descoberta do Brasil? Recupera o duro debate sobre a mudança da capital. Mostra quem era a favor ou contra e por quê.
A construção de Brasília foi o melhor caminho a ser tomado?
Que seria do Brasil e dos quase 200 milhões de brasileiros de hoje sem Brasília e a interiorização do desenvolvimento, de que ela foi e é alavanca fundamental?
Por que o título Brasília Kubitschek de Oliveira?
JK, pai de Márcia e Maria Estela, dizia que Brasília era sua terceira filha. Daí, Brasília Kubitschek de Oliveira.
JK foi mesmo especial?
Era uma pilha de energia, garra e capacidade de trabalho. Sabe quantas viagens Rio-Brasília-Rio ele fez de outubro de 1956 até o final de 1958? Duzentas e vinte e cinco. Trabalhava o dia inteiro no Rio, depois entrava num DC-3 ronceiro e ia feliz para Brasília. Olhava tudo, punha fogo em todo mundo e voltava feliz. Depois trocou o DC-3 por um Viscount. Dormia bem nos voos. Lembre-se: Brasília era um canteiro de obras em pleno sertão. Em média, ele fez uma viagem a cada três dias.
Fale-me sobre outros episódios curiosos que garimpou sobre JK.
Tancredo Neves contava que, hóspede do governador Israel Pinheiro no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte, o presidente Costa e Silva acordou muito cedo e foi tomar o café da manhã sozinho. Avisada, dona Coracy, mulher de Israel, correu para fazer-lhe companhia. Amiga e admiradora de Kubitschek, não se conteve: “Presidente, admiro o marechal Castello Branco, mas não lhe perdoo a cassação do Juscelino”. Costa e Silva: “Pois a senhora pode tratar de perdoá-lo, pois quem cassou o Juscelino fui eu.”