Quarta, 23 de Maio de 2012
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Bate-papo

Saudades de JK

Bate-papo com Ronaldo Costa Couto

Texto: Por Márcia Queiros | Fotos: Divulgação


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Que seria do Brasil e dos quase 200 milhões de brasileiros de hoje sem Brasília? A indagação é do historiador e escritor Ronaldo Costa Couto, que  acaba de lançar pela editora Record  edição revista e ampliada da obra Brasília Kubitschek de Oliveira, no ano em que a cidade completa cinco décadas.Para muitos, a resposta para a pergunta do historiador seria que Brasília se tornou um peso para o país devido aos escândalos políticos. Mas, para Costa Couto, não. Depois de vasta pesquisa, ele assegura que a construção de Brasília foi alavanca fundamental para a interiorização e desenvolvimento brasileiro. Mineiro de Luz, doutor em história pela Universidade de Paris-Sorbonne (Paris IV) e ex-ministro do Interior, Costa Couto traz na obra – uma biografia de JK construída em torno da epopeia da criação de Brasília –  histórias curiosas dos bastidores da política. Confira a seguir:

O que levou o senhor a escrever um livro sobre JK e Brasília?
A saga de Brasília é empolgante, rica, importante. Uma das mais emocionantes do país. Desde o sonho dos inconfidentes mineiros de interiorizar a capital à fantástica história da vida e obra de JK. 

Que tipo de questões o livro aborda?
O livro conta Brasília e quem foi e o que fez JK. Mostra, por exemplo, por que construiu Brasília e por que em disparada. Mostra, analisa e avalia os reflexos da criação da cidade no desenvolvimento do país. Discute como foi feita, quanto custou, se valeu a pena. Capital da roubalheira e da inflação ou segunda descoberta do Brasil? Recupera o duro debate sobre a mudança da capital. Mos­tra quem era a favor ou contra e por quê. 

A construção de Brasília foi o melhor caminho a ser tomado?
Que seria do Brasil e dos quase 200 milhões de brasileiros de hoje sem Brasília e a interiorização do desenvolvimento, de que ela foi e é alavanca fundamental?

Por que o título Brasília Kubitschek de Oliveira?
JK, pai de Márcia e Maria Estela, dizia que Brasília era sua terceira filha. Daí, Brasília Kubitschek de Oliveira.

JK foi mesmo especial?
Era uma pilha de energia, garra e capacidade de trabalho. Sabe quantas viagens Rio-Brasília-Rio ele fez de outubro de 1956 até o final de 1958? Duzentas e vinte e cinco. Trabalhava o dia inteiro no Rio, depois entrava num DC-3 ronceiro e ia feliz para Brasília. Olhava tudo, punha fogo em todo mundo e voltava feliz. Depois trocou o DC-3 por um Viscount. Dormia bem nos voos. Lembre-se: Brasília era um canteiro de obras em pleno sertão. Em média, ele fez uma viagem a cada três dias.
 
Fale-me sobre outros episódios curiosos que garimpou sobre JK.
Tancredo Neves contava que, hóspede do governador Israel Pinheiro no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte, o presidente Costa e Silva acordou muito cedo e foi tomar o café da manhã sozinho. Avisada, dona Coracy, mulher de Israel, correu para fazer-lhe companhia. Amiga e admiradora de Kubitschek, não se conteve: “Presidente, admiro o marechal Castello Branco, mas não lhe perdoo a cassação do Juscelino”. Costa e Silva: “Pois a senhora pode tratar de perdoá-lo, pois quem cassou o Juscelino fui eu.”


 
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