A tradição política de Minas Gerais alia prudência à ousadia. Não são poucos os exemplos de políticos que souberam ousar sem perder o equilíbrio. Aécio Neves é talvez a versão mais acabada desse político. Um de seus lances políticos mais ousados, se não o maior, foi escolher seu secretário de Planejamento, sem experiência eleitoral, para compor sua chapa como candidato a vice-governador na disputa à reeleição. Não ficou aí, coordenou ações para indicá-lo à sucessão de seus dois mandados como candidato a governador pela coligação liderada por seu partido, o PSDB.
Tendo Aécio Neves renunciado ao cargo para se desincompatibilizar visando à disputa de um novo mandato, no início de abril, o professor Antonio Anastasia assumiu o governo de Minas. Foi ele o principal executivo da exitosa administração Aécio Neves, responsável pelo desenho e pela implementação de políticas públicas, que, pela inovação e pelos resultados, são exemplos reconhecidos nacional e internacionalmente.
Antonio Anastasia tem uma história de sucesso quer como brilhante estudante de direito, discípulo do professor Paulo Neves de Carvalho, quer como advogado especialista em direito administrativo, quer como gestor público, quer ainda como político.
Ao escolher para ser seu vice-governador, Aécio Neves tinha a perfeita noção de sua responsabilidade para com Minas e com seu governo. Não homenageava um leal companheiro e amigo. Preparava para sucedê-lo quem melhor poderia fazê-lo. Hoje o jovem professor é o governador de Minas Gerais.
Gostaria de relembrar aqui alguns fatos que testemunhei e que mostram como Antonio Anastasia, ao longo de sua brilhante carreira, cativou as pessoas que o conheceram.
Em 1990, nos juntamos para elaborar uma proposta de governo para Minas Gerais. Na primeira reunião com o então candidato Hélio Garcia, ele foi encarregado de fazer uma exposição sobre a nova Constituição do estado, pois havia sido assessor do deputado relator, Bonifácio Mourão. Quando terminou sua preleção, Hélio Garcia lhe perguntou: “Menino, como tão novo você sabe tanto?”
Em 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso convidou-me para ser transferido do Ministério do Trabalho para o Planejamento e Gestão, mas fez-me, contudo, uma restrição: “Você não pode me propor levar o Anastasia porque preciso ainda dele no Ministério do Trabalho”.
Em 2006, certa vez no Palácio da Liberdade, o governador Aécio Neves me confidenciou o seguinte: “Muitas vezes pessoas me convidam para eu fazer uma palestra, mas torcendo para eu não aceitar e indicar o Anastasia”. Mais recentemente o presidente Itamar Franco me falou como admirava a postura ética e atenciosa do vice-governador, nosso colega no Conselho de Administração do BDMG.
São pequenos exemplos de avaliações espontâneas sobre Antonio Anastasia, cujas mostras de competência, lealdade, espírito público e conduta ética são incontestes e irreparáveis.
Pois bem, chega maio, mês de seu aniversário. Este ano o primeiro como governador de Minas Gerais.