Segunda, 20 de Maio de 2013
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Saúde

Culpa dos industrializados

Câncer do intestino já é o terceiro em incidência no mundo e a maior causa está na alimentação inadequada dos dias de hoje

Texto: Fernando Torres | Fotos: Pedro Vilela


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O câncer de intestino vive um alastramento assustador. Pesquisas internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que há cerca de 1 milhão de novos casos por ano no mundo. Só no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estão previstos 28 mil casos para 2010. Isso coloca a doença na terceira posição em manifestações cancerígenas, ultrapassando a incidência de tumores no pulmão (veja mais dados no quadro).

Segundo o oncologista André Mu­rad, coordenador do Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da UFMG, do Centro de Oncologia do Hospital Lifecenter e do Centro Avan­çado de Tratamento On­cológico (Cena­tron), a proliferação des­se tipo de tumor se deve ao processo de industrialização. “Os principais fatores de risco estão relacionados à dieta industrializada, rica em carne vermelha, gordura animal e pobre em frutas, vegetais e cereais, e ao uso de bebidas alcoólicas e cigarro, além de incluir pouca ou nenhuma atividade física.” O histórico familiar também favorece o surgimento da doença, pois, de acordo com Murad, 15% dos casos são transmitidos por via genética. O oncologista também alerta que mais de 90% dos pacientes apresenta o diagnóstico com idade superior a 50 anos.

A maioria dos tumores começa com o surgimento de pólipos, formações no revestimento interno do intestino grosso, que podem se tornar cancerosos e chamados, en­tão, de adenocarcinomas. Nes­se caso, os sintomas mais frequentes incluem prisão de ventre, diarreia, cólicas abdominais, dores durante a evacuação, flatulência, náusea, san­gramento anal e anemia. Um dos principais exames na fase pré-cancerosa consiste na pesquisa de sangue oculto nas fezes. Estudos demonstram que a prática desse procedimento reduz em até 33% a mortalidade por câncer intestinal. Na sequência o toque retal identifica 15% dos casos, especialmente tumores na borda do ânus e do reto. Ambos são indicados anualmente para todos os sexos a partir dos 45 anos.

O exame de colonoscopia, por sua vez, permite visualizar todo o interior do cólon. Para isso, utiliza-se um tubo flexível de aproxi­madamente de 1 m de comprimento e 1 cm de diâmetro com uma minicâmera de TV na extremidade final. Com a mesma técnica, pode-se colher lesões suspeitas para biópsia e retirar lesões pré-malignas. Murad informa que, na última década, surgiram alguns métodos mais modernos e menos invasivos. “A colonoscopia virtual, por tomografia computadorizada ou por ressonância magnética, produz imagens tridimensionais do cólon, tornando possível a avaliação da mucosa intestinal sem a introdução do endoscópio.” Outra novidade, em breve disponível, é a pesqui­sa de DNA de células tumorais ou precursoras de tumores intestinais nas fezes. Porém, ambas não substituem a colonoscopia tradicional, uma vez detectada a suspeita de tumor, pois não permitem retirar biópsias nem remover lesões.

Quando detectado precocemente, o câncer de intestino tem grandes chances de cura, na maioria das vezes com intervenção cirúrgica. “A cirurgia consiste na retirada do tumor juntamente com parte do cólon ou reto e os nodos linfonáticos adjacentes”, diz Murad. Em tumores da porção baixa do reto, pode ser necessário a colostomia, procedimento cirúrgico de exteriorização do cólon na parede abdominal, possibilitando um novo trajeto para a saída do material fecal – o paciente passa a utilizar uma bolsa especial para coletar as fezes. Ainda em termos cirúrgicos, o avanço mais significativo dos últimos anos é a cirurgia videolaparoscópica. Segundo Murad, “ela é realizada por meio de pequenos orifícios na parede abdominal com o auxílio de câmera de vídeo e outros instrumentos, com recuperação mais rápida e menos dor”.

Como o câncer de cólon frequentemente provoca o surgimento de metástases, o tratamento costuma ser complementado por quimioterapia e radioterapia. No caso específico do câncer de reto, localizado mais próximo ao ânus, o grande avanço é a possibilidade de utilizar a radioterapia e a quimioterapia antes da cirurgia, reduzindo o tamanho do tumor. “Com isso, conseguimos preservar o esfíncter anal e eliminar a necessidade da realização da colostomia definitiva”, diz Murad. Ressalte-se que radioterapia moderna é realizada com aparelhos ultrassofisticados em técnicas de três dimensões.

Outro grande avanço de agentes anticâncer são as drogas biológico-mo­leculares, também chamadas de drogas inteligentes. Elas têm efeito des­trutivo exclusivamente nas células malignas, poupando as saudáveis, diferente da quimioterapia convencional. “São drogas com excelente perfil de tolerância e baixo índice de efeitos adversos”, descreve. No caso específico do câncer de intestino, estão disponíveis duas drogas: bevacizumabe e cetuximabe. O primeiro bloqueia o fator de crescimento vascular ao redor do tumor, responsável por sua manutenção; o segundo inibe a ligação de fatores de crescimento epitelial, que estimulam o aumento dos tumores.


Doença em ascensão

  • O câncer de intestino ocupa o 3º lugar em incidência de tumores no mundo
  • Estima-se que haja 1 milhão de novos casos por ano
  • Desses, 700 mil levam à mortalidade
  • No Brasil, ele também ocupa a 3º posição, atrás do câncer de próstata e de mama
  • Nos últimos 20 anos, houve aumento de 50% do índice de mortalidade,
    com cerca de 11 mil óbitos por ano (5 mil homens e 6 mil mulheres)
  • Cerca de 90% dos pacientes têm
    mais de 50 anos

Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS) e Instituto Nacional do Câncer (Inca)

Fique atento

Confira os principais sintomas do câncer de intestino

  • Alterações nos hábitos intestinais (prisão de ventre e diarreia)
  • Dores ao evacuar
  • Cólicas abdominais
  • Sangramento anal
  • Anemia
  • Flatulência
  • Náuseas

Fonte: Oncologista André Murad


 
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