Domingo, 19 de Maio de 2013
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Negócios

Ele não para

O empresário Ricardo Nunes, da Ricardo Eletro, une-se à rede Insinuante para invadir São Paulo e Rio de janeiro

Texto: Alex Capella | Fotos: Pedro Vilela


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Pouco conhecidas por paulistas e fluminenses, a mineira Ricardo Eletro e a baiana Insinuante vão gastar 250 milhões de reais em campanhas publicitárias até o final de 2010. O montante, voltado na sua maior parte para a TV, é resultado da fusão entre os dois grandes nomes do comércio varejista, fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, que criou a holding Máquina de Vendas, segunda maior varejista de móveis e eletrodomésticos do país. Líderes em suas regiões, a meta agora é cobrir qualquer oferta da concorrência com o mesmo sotaque interiorano e se transformar em pedra no sapato do empresário Abílio Diniz, que está à frente do gigante formado pela união do Pão de Açúcar, Casas Bahia e Ponto Frio.

O jovem empresário Ricardo Nunes, da Ricardo Eletro, que herdou do pai o talento para os negócios, a partir de uma pequena loja no centro de Divinópolis, sabe que a tarefa de falar grosso nas duas principais regiões metropolitanas do país não será fácil. Ainda mais diante das cifras milionárias que envolvem a publicidade do setor. As líderes do mercado, juntas, pretendem gastar com mídia cerca de 2,4 bilhões de reais em 2010. Apesar do abismo que separa os dois grupos, com relação a gastos com anúncios, Nunes, ao lado do dono da Insi­nuan­te, Luiz Carlos Batista, têm planos ambiciosos. “Os investimen­tos em publicidade vão crescer conforme a ampliação do número de lojas.”

O novo grupo já surge com 4,1 bilhões de faturamento, 15 mil funcionários e 528 lojas – o que lhe garante a vice-liderança do setor, desbancando o Magazine Luiza. Até o fim do ano, a nova rede investirá 50 milhões de reais para abrir mais 30 lojas no Rio. Neste ca­so, o crescimento será com a a­ber­tura própria de lojas. Para 2011, a intenção é crescer a partir de no­vas fusões. Para isso, o mineiro man­terá a agressiva e peculiar estratégia de marketing usada até agora. Em suas campanhas, Nunes costuma divulgar até o próprio número do celular para que o consumidor negocie direto com ele o preço mais barato. “Esse jeito de vender aconteceu naturalmente. Não estudei para isso. Aprendi fazendo. Antes de mais nada, sou vendedor.”

O estilo pitoresco começou a ser moldado aos 18 anos, quando vendia bichos de pelúcia em Divi­nópolis. A pequena loja de 20 m² foi aberta com 15 mil reais arrecadados com a venda de um carro usado. Em 1994, seis anos depois de se aventurar no comércio de pelúcia, Nunes decidiu ir para o ramo de eletrodomésticos. Chamou os dois irmãos, Rodrigo e Rômulo, e iniciou a Ricardo Eletro. Nessa época, só conseguiu clientela porque vendia abaixo do preço praticado pelo mercado e tirava dinheiro do próprio bolso, das margens obtidas com as vendas dos bichos de pelúcia, para manter o negócio. Permaneceu com a operação empatada até a virada no final dos anos 1990. Foi nessa época que ele adotou a estratégia de partir pa­ra outros estados, o que permitiu o ganho de escala e os lucros no fechamento do balanço.

Porém, de lá para cá, o mais próximo que chegou da capital paulista foi, em 2007, quando comprou a Mig, uma rede de Uberlândia com 86 lojas, sendo seis no interior de São Paulo. Mas, como não conseguiu achar uma empresa que fosse bem administrada e que tivesse preço que coubesse no seu bolso, parou sua investida em território paulista. Agora, com o desafio de retomar a busca pelo mercado de São Paulo e do Rio, o empresário garante que a estratégia de marketing continuará sendo traçada a partir de Minas e da Bahia. A agência de propaganda Propeg, com sede em Salvador, cuida da verba anual de 150 milhões da Insinuante. A rede é a 15° empresa que mais investe em propaganda no país, segundo ranking do Meio & Mensagem. Já a Ricardo Eletro, atendida pela Pro Brasil, de Belo Horizonte, está na 30° posição, com 100 milhões de investimentos. Fontes do mercado especulam que, para a Máquina de Vendas ganhar volume no eixo Rio-São Paulo, a holding deverá concentrar o esforço publicitário em apenas uma agência.

Nunes discorda da análise. Para ele, como as marcas Insinuante e Ricardo Eletro serão mantidas, as duas agências continuarão suas ações voltadas pa­ra a área de influência de cada marca. A Insinuante vai ser usada apenas em lojas no Norte e Nordeste (233 dos 260 pontos da rede estão lá). A Ri­cardo Eletro ficará no Sudeste e Centro-Oeste, com 182 unidades. “As duas empresas continuarão com as estruturas separadas. E as agências conosco. São grandes parceiras”, diz ele, ressaltando que agora o momento é de iniciar o trabalho de compartilhamento de depósitos, de frotas de caminhões, de consolidação de lojas próximas e dos funcionários espalhados por 200 cidades de 16 estados, além do Distrito Federal.

As negociações para a fusão tiveram início em janeiro, por iniciativa de Nunes. Agora, a nova empresa quer dobrar de tamanho em quatro anos. Eles querem chegar em 2014 com receita de 10 bilhões de reais, mil lojas e 30 mil empregos, aproximando-se do Pão de Açúcar e de olho no mercado de São Paulo. No final do ano passado, a Ricardo Eletro passou a entregar na capital paulista produtos vendidos no seu site. Em pouco tempo, o mercado paulista passou a responder por 40% dos produtos comercializados pela Ricardo na internet. Nos possíveis planos para os próximos anos, além das lojas no Rio, está a abertura de uma loja-conceito  em São Paulo, que funcionará como porta de entrada para os clientes que acessam o site ou a inauguração de várias lojas em um único dia, estratégia comum do setor. É esperar para ver.


Perfil das empresas

A primeira loja foi inaugurada em meados dos anos 1990, em Divinópolis, cidade natal do fundador, Ricardo Nunes. Em 2007, ao comprar a rede Mig, a companhia iniciou seu projeto de expansão pelo país. Atualmente, a Ricardo Eletro tem 268  lojas em Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Sergipe, Rio de Janeiro e interior de São Paulo (cidades de Pontal, Orlândia, São Joaquim da Barra, Jardinópolis, Franca, Ituverava, Sertãozinho e Monte Alto)

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Fundada em 1959, em Vitória da Conquista, na Bahia, a Insinuante é hoje a líder do varejo de eletrodomésticos no Nordeste. Está presente em todas as cidades da região com mais de 50 mil habitantes. São 260 lojas na Bahia, Ceará, Alagoas, Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do
Norte e Sergipe

=    Máquina de Vendas

  • R$ 4,1 bilhões de faturamento
  • 15 mil funcionários
  • 528 lojas – o que lhe garante a vice-liderança do setor, desbancando o Magazine Luiza.
  • Até o fim do ano serão investidos R$ 50 milhões para abrir mais 30 lojas no Rio de Janeiro
  • Vão gastar R$ 250 milhões em campanhas publicitárias

 


 
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