Sábado, 18 de Maio de 2013
Logo Revista Viver Brasil - Assim é viver
 

Mundo Virtual III

Tudo nas nuvens

Conheça as vantagens do cloud computing, serviço de armazenamento de dados a distância que, segundo especialistas, veio para ficar

Texto: Nalu Saad | Fotos: Daniel de Cerqueira, SXC, divulgação/ Arte: Paulo Werner


Envie seu comentário


O computador que fica na sala de TV para guardar filmes, jogos, fotos e músicas não tem mais espaço? Os micros dos filhos estão obsoletos? Que tal mandar para as nuvens tudo que a família guarda em formato digital? Calma! A ideia não é apagar os arquivos, como os vídeos de batizado e aniversário das crianças, o trabalho tantas vezes executado em casa e os comprovantes das operações bancárias na internet. Assunto da hora, a computação nas nuvens ou cloud computing, em inglês, é como os especialistas estão chamando o serviço que permite às empresas e pessoas alugarem computadores a distância. As máquinas podem estar na cidade em que o locatário mora ou do outro lado do mundo. Isso não importa, porque os dados estão sempre acessíveis por meio da internet. Mas, qual a vantagem de mandar para longe de você conteúdos valiosos se continuará precisando de um micro ou smartphone para acessá-lo? E se tem vantagens, custa caro? Está disponível para usuários finais?

Grande parte das respostas a essas e outras dúvidas depende da compre­ensão do que é a tal da cloud, serviço em informática que surgiu há cerca de dois anos para atender a empresas que precisavam de um computador temporariamente acessado a partir de qualquer lugar e a qualquer hora. Os data centers, ou seja, centro de dados que guardam as informações de grandes companhias para que suas máquinas não fiquem sobrecarregadas, passaram então a alugar também uma máquina acessada a distância que fica disponível para o cliente personalizá-la como bem entender, como instalar programas, criar pastas, definir que funcionários podem acessá-las etc. Os serviços de locação foram se diversificando a tal ponto que hoje é possível contratar até os programas que vão rodar nesse computador remoto. Algumas empresas gostaram tanto da experiência que trocaram muitos dos com­putadores instalados em sua se­de ou filiais por máquinas remotas, daí o termo computação nas nuvens. Essas máquinas cuidam do serviço pesado, enquanto na sede e filiais fi­cam equipamentos mais baratos e com menor poder de processamento, que servem mais para se comunicar com as poderosas.


José Lúcio Neto: controle do uso de recursos tecnológicos
José Lúcio Neto: controle do uso de recursos tecnológicos

O caminho natural é que toda evo­lução tecnológica chegue às pessoas comuns e, na última década, cada vez mais rápido. Com a cloud computing não poderia ser diferente. “Em nome da qualidade de vida, muitas pessoas já estão trabalhando nas nuvens”, afirma a executiva de End-User Service Brasil da IBM, Edna Sa­tomi Massuda Kee. Ela lembra que essa migração ocorre por incentivo das empresas que oferecem tal estrutura. A grosso modo, elas separam um computador remo­to – chamado de desktop virtual – só para o funcionário trabalhar de casa, tendo que ir à empresa duas vezes na semana ou menos. “Algumas companhias fazem rodízio entre funcionários, com isso, é menos espaço físico ocupado na sede e o trabalhador gasta menos tempo no trânsito, fica menos estressado”, conta a executiva da IBM. Para ela, a prova de que a computação em nuvens está cada vez mais inserida na vida de todos é um recente projeto pedido à IBM em que todos os consultores da empresa contratante trabalharão em desktops virtuais, de suas casas ou escritórios particulares.

Quando a tecnologia facilita a vida no trabalho, a tendência é que os profissionais a levem também para a vida pessoal. É o que aconteceu com o empresário José Lúcio Neto, sócio-diretor da Ledcorp, empresa mineira de TI. Além dos oito funcionários fixos, ele contrata cerca de 60 consultores ao ano que são alocados em projetos diversos. Essa equipe temporária trabalha integralmente em computadores virtuais, ou seja, acessam de sua casa máquinas remotas alugadas pela Ledcorp. “Com isso contabilizo com exatidão as horas de trabalho de cada um e ainda tenho controle de como os recursos tecnológicos foram utilizados. Por exemplo, é impossível instalar um programa pirata nos meus desktops virtuais, fotos e vídeos pessoais ou jogos. Também tenho a garantia de que, nem por descuido de um consultor, um vírus comprometerá o projeto”, conta Neto.

“Algumas companhias fazem rodízio entre funcionários, com isso, é menos espaço físico ocupado na sede e o trabalhador gasta menos tempo no trânsito, fica menos estressado”
Edna Satomi, executiva da IBM

Além dos desktops virtuais, Neto tratou de criar um pessoal, no qual armaze­­na centenas de arquivos musicais e games que adora jogar nas horas livres. “Não preciso levar comigo o notebook, MP3 Player e outros dispositivos para ouvir minhas músicas. Onde eu estiver, com um smartphone ou qualquer dispositivo que acessa a internet eu ligo minha discoteca”, conta. Neto lembra que, se não fos­se assim, já teria sido obrigado a comprar novos cartões Micro SD (para celulares) com mais memória para guardar tantas músicas.

O diretor em Minas Gerais da Aptech, Pedro Cunha, foi mais longe e, há cerca de um ano, transferiu todo o disco rígido de seu notebook para as nuvens. “Se alguém roubar o equipamento, o que é co­mum hoje em dia, não perco uma só informação. O notebook é apenas a ponte até os dados.” Outra vantagem elencada por ele é que não precisa se preocupar com limitação de espaço na memória da máquina ou de capacidade de processamento, pois quando o desktop virtual começa a encher ou não suporta algum aplicativo, a pessoa só precisa contratar mais recursos. “Não me interessa onde está a máquina, o serviço me basta, mas muitas pessoas não estão preparadas para isto ainda. Entre os usuários domésticos, vai demorar um pou­co para quebrar alguns preconceitos”, prevê Cunha.

Além dessa resistência, tem a do custo mensal. Apesar de hoje existirem pacotes a 59 reais, como é o ca­so do mini cloud oferecido pela Lo­caWeb, a maioria das pessoas acredita que é melhor ter a propriedade da máquina do que a despesa fixa. A conta que fazem é que com o mesmo investimento mensal pagariam por um computador padrão médio no pra­zo de dois anos. Porém, estudos apontam que um micro se torna obsoleto com um ano e seis meses. Ao final de três anos, ao vender esse equi­pamento, caso consiga fazer is­so, o usuário deve retornar, no máxi­mo 10% do investimento inicial.

Essas contas não devem agilizar o convencimento do usuário final. Se­gun­do o coordenador de Hospe­da­gem da LocaWeb, Alex Hubner, o usuário final vai perceber as vantagens da computação em nuvem gradativamente. A LocaWeb foi a primeira empresa brasileira a oferecer armazenamento de sites para pequenas e médias empresas, negócio que evoluiu para a cloud. “Hoje, quem não é técnico pensa na computação em nuvens apenas como guardar dados, mas existem diversos outros serviços de tecnologia oferecido nas nuvens”, completa Hubner.

Pedro Cunha: “Não me interessa onde está a máquina”
Pedro Cunha: “Não me interessa onde está a máquina”

Contudo, como esse deslocamento da nuvem para usuários domésticos é tido como inevitável, Alex Hubner antecipa que, mesmo tendo pacotes para pequenas empresas que podem atender aos usuários finais, a LocaWeb lançará um produto focado exclusivamente nesse público. Ele só não antecipa o modelo do negócio e a data, “por questão de estratégia comercial”, explica. Como tem acontecido com outras tec­nologias, os filhos poderão ser os grandes propagadores da computação em nuvem nas residências, acredita o empresário e sócio-diretor do Grupo WebConsult, Leonardo Bor­toletto. Por isso, o mais recente projeto de uma das empresas do grupo, a Genesis So­lutions, é levar a cloud para a escolas.

Por conta de recente acor­do com a LG, a Genesis começa a distribuir com exclusividade no Brasil, em ju­nho, o Network Monitor, um equipamento que permite ligar vários monitores num só computador. É que todo monitor depende de uma placa de vídeo para exibir o conteúdo de um PC e esse equipamento centraliza várias dessas placas dispensando que se tenha um micro para cada tela. “Vamos fazer com que esse computador utilize recursos disponíveis nas nuvens e que são gratuitos, como softwares para edição de textos e criação de planilhas e slides ofertados pelo Google”, antecipa Bortoletto.

O empresário lembra que a ausência da máquina física ainda causa desconfiança e desconforto nas pessoas, mas que está atestado que as empresas que ofertam as máquinas virtuais são idôneas e muito mais seguras do que os computadores pessoais. “Investem fortemente em antivírus e backup, coisa que o usuário doméstico não faz”, destaca. “Os jovens são mais abertos e compreendem melhor o virtual, nasceram num tempo em que coisas não vistas também existem.”

A NUVEM ESTÁ AÍ

Exemplos de serviços de cloud computing que muita gente já usa

APLICATIVOS DE PRODUTIVIDADE

  • Editor de texto, planilha e apresentações no Google Docs(http://docs.google.com). Os documentos podem ser produzidos, armazenados e compartilhados. Gratuito
  • A Microsoft (www.microsoft.com.br) oferece o mesmo serviço, mas para usuários do Office

WEBMAILS

Quando acessados por um navegador de internet e as mensagens não são baixadas no Outlook ou outro programa de correio eletrônico

  • Hotmail
  • Gmail
  • Yahoo

BLOGS

Serviços gratuitos que permitem criar e armazenar blogs utilizando várias ferramentas sem baixar os softwares no computador 

FOTOS

  • Picasa (http://picasa.google.com.br). Permite armazenar, editar e compartilhar fotos com quem você quiser. Gratuito
  • Flickr (www.flickr.com). Permite armazenar e compartilhar fotos
    Gratuito
  • Photobucket (www.photobucket.com) Permite armazenar, editar e compartilhar fotos, álbuns digitais e scrapbooks. Gratuito

 
Compartilhe:    Bookmark com Delicious Bookmark com Delicious  Bookmark com Digg  Bookmark com Facebook  Bookmark com /.   Bookmark com Google  Bookmark com StumbleUpon   Bookmark com Technorati  Bookmark com Linkarena  Bookmark com Yahoo  Bookmark com SEOigg  Bookmark com Spurl  Bookmark com Live  Bookmark com Rec6  Bookmark com Myspace
Versão para Impressão  Versão Impressão    Assinar NewsletterNews:    

Busca no Portal

 
  

Blog do PCO


VIVER_BRASIL PROMOÇÃO - Concorra a pares de convites para o musical "Gonzagão", no Teatro Bradesco. Acesse o link e saiba mais on.fb.me/14yHtKw:

TudoBH Mãe de Eliza quer pena máxima para Bruno - Minas jornaltudobh.com.br/minas/mae-de-e? via @TudoBH

VIVER_BRASIL "Achar mão de obra qualificada também é um dos nossos grandes desafios", afirma Paulo Castellari.


Viver Casa

© Copyright 2009, Revista Viver Brasil – MG-030, nº 8625. Torre2 – Shopping Serena Mall – Vale do Sereno.
Cidade: Nova Lima – MG / CEP:34000-000 | Telefone: (31) 3503-8888