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Mundo Virtual IIITudo nas nuvensConheça as vantagens do cloud computing, serviço de armazenamento de dados a distância que, segundo especialistas, veio para ficar
Texto: Nalu Saad | Fotos: Daniel de Cerqueira, SXC, divulgação/ Arte: Paulo Werner
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O caminho natural é que toda evolução tecnológica chegue às pessoas comuns e, na última década, cada vez mais rápido. Com a cloud computing não poderia ser diferente. “Em nome da qualidade de vida, muitas pessoas já estão trabalhando nas nuvens”, afirma a executiva de End-User Service Brasil da IBM, Edna Satomi Massuda Kee. Ela lembra que essa migração ocorre por incentivo das empresas que oferecem tal estrutura. A grosso modo, elas separam um computador remoto – chamado de desktop virtual – só para o funcionário trabalhar de casa, tendo que ir à empresa duas vezes na semana ou menos. “Algumas companhias fazem rodízio entre funcionários, com isso, é menos espaço físico ocupado na sede e o trabalhador gasta menos tempo no trânsito, fica menos estressado”, conta a executiva da IBM. Para ela, a prova de que a computação em nuvens está cada vez mais inserida na vida de todos é um recente projeto pedido à IBM em que todos os consultores da empresa contratante trabalharão em desktops virtuais, de suas casas ou escritórios particulares. Quando a tecnologia facilita a vida no trabalho, a tendência é que os profissionais a levem também para a vida pessoal. É o que aconteceu com o empresário José Lúcio Neto, sócio-diretor da Ledcorp, empresa mineira de TI. Além dos oito funcionários fixos, ele contrata cerca de 60 consultores ao ano que são alocados em projetos diversos. Essa equipe temporária trabalha integralmente em computadores virtuais, ou seja, acessam de sua casa máquinas remotas alugadas pela Ledcorp. “Com isso contabilizo com exatidão as horas de trabalho de cada um e ainda tenho controle de como os recursos tecnológicos foram utilizados. Por exemplo, é impossível instalar um programa pirata nos meus desktops virtuais, fotos e vídeos pessoais ou jogos. Também tenho a garantia de que, nem por descuido de um consultor, um vírus comprometerá o projeto”, conta Neto. |
“Algumas companhias fazem rodízio entre funcionários, com isso, é menos espaço físico ocupado na sede e o trabalhador gasta menos tempo no trânsito, fica menos estressado” Além dos desktops virtuais, Neto tratou de criar um pessoal, no qual armazena centenas de arquivos musicais e games que adora jogar nas horas livres. “Não preciso levar comigo o notebook, MP3 Player e outros dispositivos para ouvir minhas músicas. Onde eu estiver, com um smartphone ou qualquer dispositivo que acessa a internet eu ligo minha discoteca”, conta. Neto lembra que, se não fosse assim, já teria sido obrigado a comprar novos cartões Micro SD (para celulares) com mais memória para guardar tantas músicas. O diretor em Minas Gerais da Aptech, Pedro Cunha, foi mais longe e, há cerca de um ano, transferiu todo o disco rígido de seu notebook para as nuvens. “Se alguém roubar o equipamento, o que é comum hoje em dia, não perco uma só informação. O notebook é apenas a ponte até os dados.” Outra vantagem elencada por ele é que não precisa se preocupar com limitação de espaço na memória da máquina ou de capacidade de processamento, pois quando o desktop virtual começa a encher ou não suporta algum aplicativo, a pessoa só precisa contratar mais recursos. “Não me interessa onde está a máquina, o serviço me basta, mas muitas pessoas não estão preparadas para isto ainda. Entre os usuários domésticos, vai demorar um pouco para quebrar alguns preconceitos”, prevê Cunha. Além dessa resistência, tem a do custo mensal. Apesar de hoje existirem pacotes a 59 reais, como é o caso do mini cloud oferecido pela LocaWeb, a maioria das pessoas acredita que é melhor ter a propriedade da máquina do que a despesa fixa. A conta que fazem é que com o mesmo investimento mensal pagariam por um computador padrão médio no prazo de dois anos. Porém, estudos apontam que um micro se torna obsoleto com um ano e seis meses. Ao final de três anos, ao vender esse equipamento, caso consiga fazer isso, o usuário deve retornar, no máximo 10% do investimento inicial. Essas contas não devem agilizar o convencimento do usuário final. Segundo o coordenador de Hospedagem da LocaWeb, Alex Hubner, o usuário final vai perceber as vantagens da computação em nuvem gradativamente. A LocaWeb foi a primeira empresa brasileira a oferecer armazenamento de sites para pequenas e médias empresas, negócio que evoluiu para a cloud. “Hoje, quem não é técnico pensa na computação em nuvens apenas como guardar dados, mas existem diversos outros serviços de tecnologia oferecido nas nuvens”, completa Hubner. |
Contudo, como esse deslocamento da nuvem para usuários domésticos é tido como inevitável, Alex Hubner antecipa que, mesmo tendo pacotes para pequenas empresas que podem atender aos usuários finais, a LocaWeb lançará um produto focado exclusivamente nesse público. Ele só não antecipa o modelo do negócio e a data, “por questão de estratégia comercial”, explica. Como tem acontecido com outras tecnologias, os filhos poderão ser os grandes propagadores da computação em nuvem nas residências, acredita o empresário e sócio-diretor do Grupo WebConsult, Leonardo Bortoletto. Por isso, o mais recente projeto de uma das empresas do grupo, a Genesis Solutions, é levar a cloud para a escolas. Por conta de recente acordo com a LG, a Genesis começa a distribuir com exclusividade no Brasil, em junho, o Network Monitor, um equipamento que permite ligar vários monitores num só computador. É que todo monitor depende de uma placa de vídeo para exibir o conteúdo de um PC e esse equipamento centraliza várias dessas placas dispensando que se tenha um micro para cada tela. “Vamos fazer com que esse computador utilize recursos disponíveis nas nuvens e que são gratuitos, como softwares para edição de textos e criação de planilhas e slides ofertados pelo Google”, antecipa Bortoletto. O empresário lembra que a ausência da máquina física ainda causa desconfiança e desconforto nas pessoas, mas que está atestado que as empresas que ofertam as máquinas virtuais são idôneas e muito mais seguras do que os computadores pessoais. “Investem fortemente em antivírus e backup, coisa que o usuário doméstico não faz”, destaca. “Os jovens são mais abertos e compreendem melhor o virtual, nasceram num tempo em que coisas não vistas também existem.” |
A NUVEM ESTÁ AÍExemplos de serviços de cloud computing que muita gente já usaAPLICATIVOS DE PRODUTIVIDADE
WEBMAILS Quando acessados por um navegador de internet e as mensagens não são baixadas no Outlook ou outro programa de correio eletrônico
BLOGS Serviços gratuitos que permitem criar e armazenar blogs utilizando várias ferramentas sem baixar os softwares no computador
FOTOS
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