Sábado, 25 de Maio de 2013
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Mundo Virtual II

Rede segura

Como controlar os filhos na imensidão do mundo virtual

Texto: Queila Ariadne | Fotos: Pedro Vilela, SXC


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Daniela Prata, com os filhos João Pedro e Luca: “Tudo que é totalmente proibido aguça mais a curiosidade”

Ian Ferrari tem 14 anos. João Pedro Prata Diniz também. Além da idade, eles têm em comum o interesse natural da geração pela internet e regras para cair na rede. Na casa de Ian, o tempo é limitado: são duas horas por dia, devidamente monitoradas por um programa instalado no computador. Na casa de João Pedro, só à noite, quando os pais estão presentes e aos fins de semana. A coordenadora do Movimento Internet Segura (MIS), Marinês Gomes, explica que, embora cada pai adote um esquema, alguns cuidados não podem faltar. Um deles é orientar sobre o fornecimento de dados pessoais. E para dar dicas de como lidar com a segurança de crianças e adolescentes na internet, a reportagem conversou com as maiores especialistas em administrar hormônios e curiosidades: as mães.

Essa conversa da orientação, por exemplo, a dona do Buffet Flambar’t, Cláudia Ferrari, tem frequentemente com o filho Ian. E dá certo. “Eu instruo meu filho a não passar nenhuma informação pessoal como endereço, telefone e até o nome verdadeiro. Hoje em dia é muito perigoso”, afirma Cláudia.

Para pesquisas da escola, a internet é liberada para Ian, sob consulta prévia. “Ele pode usar duas horas por dia, quando precisa fazer consultas, me liga e avisa. É tudo conversado e ele respeita bem”, conta Cláudia. Respeitar Ian respeita, mas reclama um pouco. “Eu queria ter mais tempo para usar a internet”, confessa o adolescente. Apesar da queixa, as regras são seguidas com consciência. “Eu nunca passo meus dados, tomo muito cuidado. Não conheço ninguém que já tenha se prejudicado, mas eu sei que é perigoso”, afirma o jovem.

“Eu explico para meus filhos que conversar com uma pessoa que você não conhece pela internet não é a mesma coisa do que conversar com alguém desconhecido em um McDonald’s. On-line, a pessoa pode dizer que está na Espanha e ser um pedófilo no prédio ao lado”
DANIELA PRATA, DONA DO SPA LONGEVITÀ,
MÃE DE JOÃO PEDRO, 14, E LUCA,7


Cláudia Ferrari, com Ian: “Eu instruo meu filho a não passar informação pessoal”
Cláudia Ferrari, com Ian: “Eu instruo meu filho a não passar informação pessoal”

Assim como Ian, João Pedro, que adora jogos on-line, gostaria de ter mais tempo para usar a internet. Mas ele também tem consciência e obedece às regras da casa. “Quando eu tenho que dar meu nome para algum cadastro, sempre coloco uma letra só e, quando pede endereço, invento um CEP”, conta João Pedro. Com responsabilidade, o adolescente tem conquistado a flexibilidade da mãe. “Como ele é muito consciente, eu tenho negociado um tempo maior de uso”, destaca a dona do Spa Longevità, Daniela Prata.

Ela sabe que a proibição rigorosa não é o melhor caminho. “Tudo que é totalmente proibido aguça mais a curiosidade”, revela. Para a empresária, também é preciso saber explorar o lado bom da internet na relação com os filhos. “Ela abre oportunidades para conversarmos vários assuntos, às vezes ele vê alguma coisa e comenta comigo e isso puxa um assunto e por aí vai”, afirma Daniela, que também tem um filho de 7 anos, Luca Prata Diniz. “Por enquanto o Luca gosta só de ver sites de desenho animado e jogos, e eu não o estimulo a ir mais além. Quando chegar a hora, ele vai ser melhor do que o irmão mais velho, pois essa geração já nasceu na cultura virtual”, diz.

Segundo a coordenadora do MIS, Marinês Gomes, essa porta tem que ser aberta pelos pais. Além de aproximar pais e filhos, a troca de experiências também tem um papel de filtro. “Estimule seus filhos a compartilhar as experiências. Isso vai lhe ajudar a identificar os perigos e fazer com que ele te respeite, pois se ele perceber que você não conhece sobre aquele assunto, vai rejeitar seus conselhos”, ressalta Marinês. Daniela também tem Orkut, Twitter e Facebook. “Os amigos dele são meus amigos também, nas redes sociais e tenho a vantagem de falar a mesma língua que eles”, destaca a mãe de João Pedro e Luca.

 “É sempre bom olhar o que as crianças estão acessando. Da mesma forma que os pais precisam conhecer os amigos do mundo real e os lugares que seus filhos frequentam, o mesmo deve acontecer no mundo on-line”
MARINÊS GOMES,
COORDENADORA DO MOVIMENTO
INTERNET SEGURA (MIS)

No controle

Além das indispensáveis conversas e orientações, os pais podem contar hoje com softwares que bloqueiam conteúdos inapropriados para menores. “Muitas dessas ferramentas estão disponíveis na internet gratuitamente. No Windows 7, por exemplo, você usa um programa baseado na web, como o Windows Live Segurança da Família, de modo que você pode ver relatórios e alterar configurações em todos os PCs com o Windows 7 que você estiver monitorando”, explica a coordenadora do Movimento Internet Segura (MIS), Marinês Gomes. Segundo ela, o programa Segurança para a Família já vem instalado em muitos PCs.  “Mas quem não tem pode baixá-lo gratuitamente do site do Windows Live”, orienta.

Internet para pais e filhos em 4 passos

1) Decida os sites que seu filho pode visitar

  • Assistente de conteúdo do Microsoft Internet Explorer 
    Vai ajudá-lo a limitar o que seu filho deve ver on-line. É possível
    estabelecer os limites de conteúdo usando a seleção de conteúdo de internet (Platform for Internet Content Selection)
  • Proteção infantil do XBox
    O sistema de jogo Microsoft XBox inclui uma proteção infantil similar, permitindo a restrição a jogos inadequados ou a filmes em DVD inapropriados

2) Aumente a segurança e privacidade

Recomenda-se inibir os sites e os downloads que podem significar um risco à segurança e privacidade

  • Crie contas de usuários diferentes:
    O Microsoft Windows XP Home Edition permite a criação de várias contas de usuário para um mesmo computador. Como pai ou mãe, você pode criar uma conta de administrador com controle total sobre o equipamento e designar contas de usuário limitadas para seus filhos

3) Rastreie os sites que seus filhos visitam

  • Para ver o histórico da internet, clique no botão histórico na barra de ferramentas do navegador. Para obter mais informações sobre como utilizar a lista do histórico, consulte procurar e voltar às páginas web que foram visitadas recentemente.
    Veja como no site:
    http://www.microsoft.com/brasil/security/default.mspx

4) Lembre as crianças de não falarem com desconhecidos

  • Para minimizar a vulnerabilidade das crianças, ensine-as a adotar precauções como as seguintes:
     - Utilizar somente o nome ou um apelido como identificação
     - Nunca revelar um número de telefone ou endereço
     - Nunca enviar fotografias deles
     - Nunca marcar encontros com alguém que tenha conhecido on-line sem supervisão
  • Para bloquear contatos desconhecidos no Windows Live Messenger:
    1. Clique em ferramentas
     2. Selecione opções
     3. Escolha a guia privacidade
     4. Adicione as pessoas que você conhece à lista permitir e bloqueie todos os demais usuários

O Windows Live Messenger também oferece uma lista aprovada para ajudar os pais a limitar as trocas de e-mail de seus filhos

Fonte: Movimento Internet Segura ou www.internetsegura.org

10 mandamentos

1) Estimule seus filhos a compartilhar as experiências deles na internet com você. Desfrute-a com seus filhos. Conhecê-la é a melhor forma de ajudar seu filho a evitar perigosas armadilhas. Seu filho respeitará conselhos dados com conhecimento de causa, mas os rejeitará se perceber que você não domina o assunto

2) Ensine seus filhos a confiar em seus instintos. Se algo on-line os deixa nervosos, eles devem dizer isso a você

3) Se seus filhos visitam salas de bate-papo, utilizam programas de mensagem instantânea, jogos on-line ou outras atividades na internet que solicitam login e senhas para identificação, ajude-os a escolhê-los e certifique-se de que ele não revele nenhuma informação pessoal

4) Insista para que seus filhos nunca divulguem seu endereço, número de telefone, escola onde estudam ou qualquer outra informação pessoal

5) Ensine-os a diferença  entre o que é bom e o que é ruim na internet e compare com situações do mundo real

6) Mostre aos seus filhos como respeitar os demais, on-line. Certifique-se de que  eles sabem que as regras de bom comportamento não mudam somente porque estão em uma máquina

7) Insista para que eles respeitem a propriedade dos outros que estão on-line. Explique que realizar cópias ilegais do trabalho de outras pessoas (música, vídeos, jogos e outros programas) é roubo

8) Diga a eles que nunca devem marcar um encontro pessoal com amigos virtuais. Explique que os amigos on-line podem não ser quem dizem que são

9) Ensine que nem tudo o que leem e veem on-line é verdade. Estimule-os a perguntarem se não estão seguros

10) Controle a atividade on-line dos seus filhos com software de internet avançado. A proteção infantil pode filtrar conteúdo prejudicial, supervisionar os sites que seu filho visita e averiguar o que ele faz neles

Fonte: Movimento Internet Segura ou www.internetsegura.org


 
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