Calcinha e sutiã Jogê, meias Fruit de la Passion, camisa Le Lis Blanc, colar, aneis e brincos Manoel Bernardes e sandálias La Porte
Mesmo em tempos contemporâneos que exaltam corpos esguios no pódio de beleza ideal feminina – como a da modelo Dani Oliveira fotografada neste editorial –, sensualidade e quilinhos a mais e afins são, sim, compatíveis. Não só pelo poder da mulher em atiçar a libido masculina, que independe de seu biotipo, como a partir do uso da lingerie ideal, potente recurso de sedução. De olho na realidade corporal das mulheres, na maioria das vezes distante da difundida pela mídia, o mercado passa a estender tendências fashions da moda íntima feminina para numerações acima da confecção GG. A possibilidade de novas opções de consumo deste universo, tradicionalmente restrito e pouco atrativo, pode ser atestada pelas peças exibidas pela modelo fotografada de manequim P: todas elas são disponíveis em modelagens maiores. “A mulher que tem relação positiva com o próprio corpo (conhece-o e aceita-o), ainda que acima do peso, consegue se manter autoconfiante, revelar imagem bem resolvida e tornar-se atraente”, diz a psicóloga Juliana Assis.
Há mais de uma década no mercado de lingerie, a Água Fresca passou a investir em numerações acima do padrão comercial há um ano e meio. “A confecção de coleções e inclusão de representações de marcas voltadas especialmente para este público vieram atender à demanda de clientes por modelagens sofisticadas maiores”, atesta Juliana Moraes, proprietária da Água Fresca. Se em passado recente, a oferta por este tipo de peças íntimas se restringia a variações de tons beges e modelos básicos, hoje as grifes competem em diferenciais. A nova linha se permite a não ser discreta e, muito menos, ter pudor em ousar. Assim como a moda íntima em geral, também está cada vez mais distante da palavra de origem francesa lingerie, oriunda do termo linge, que se referia aos tecidos brancos de limpeza e higiene pessoal. Em cena, cores vibrantes, como verde, vermelho, e estampas vivas, de listras a peles de animais, são arrematadas por tules, cetins, rendas, cristais Swarovski e lançam mão de tecidos tecnológicos. “Além do visual refinado, conferem conforto, firmeza, flexibilidade e deixam a pele respirar.”
No rol de opções, modelos provocantes, como calcinhas fio dental e cavadas de cós alto, sutiãs de bojos superestruturados e corselês não ficam de fora. “A dica é chamar a atenção para partes do corpo que mais valoriza”, ensina Juliana Moraes.
Para o dia a dia, sugere peças que contribuem para esconder imperfeições, como os semi-body e body inteiro, de tecidos inteligentes e sem costuras, dotadas de efeito control, que modelam o corpo e propõem ajustes localizados, como barriga e culotes. Dicas como essas são mais que bem-vindas. Como definia a musa do cinema, a atriz italiana Sophia Loren, “sex appeal é metade do que você tem e metade o que os outros acham que você tem.”
“Apesar de a lingerie, aos olhos masculinos ser vista como poderoso aditivo e até fetiche na relação a dois, nunca deve superar o desejo à parceira. Na busca pelo prazer sexual, o importante é que a pessoa seja priorizada, independentemente da forma física, peso e recursos usados”, frisa a psicóloga Juliana Assis. Mas, ainda que o intuito em seduzir o parceiro seja prazeroso desafio, vale lembrar que o gosto pessoal é item prioritário para se sentir bem consigo mesma.