Quarta, 22 de Maio de 2013
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Seguro de vida coletivo para trabalhadores de baixa renda: uma ideia que deu certo

Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Daniel de Cerqueira, Francisco Araújo Arte: Paulo Werner


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Criar um produto inovador, sem precedentes no mercado nacional. Foi esse o grande desafio de Alaor Silva Junior, com o Plano de Amparo Social Imediato (PASI), um seguro popular com forte apelo social. A ideia inovadora surgiu quando o empresário percebeu a carência no mercado de seguro de vida para os trabalhadores de baixa renda. “Com muita vontade de fazer acontecer esta ideia, firmamos parceria com a Vera Cruz (hoje Mapfre), que passou a ser nossa garantidora”, relembra o presidente do PASI.

Após a definição do público-alvo, a empresa desenvolveu a logística para fazer o produto chegar ao consumidor de maneira simples. “Em dois anos conseguimos identificar outra necessidade. Deixamos de fazer as vendas diretamente às empresas e nos aliamos aos corretores de seguro para que vendessem e distribuíssem nosso produto, o que significou grande expansão da empresa”, diz Alaor Silva Junior.

Hoje, são cerca de 3 mil corretores que trabalham com o PASI em todo o Brasil. O plano chegou para mudar a vida de muitos trabalha­dores brasileiros. Como aconteceu com a dona de casa Maria da Conceição Costa de Souza, de Manaus (AM). Ela recebeu mais de 12 mil reais pela indenização da mor­te de seu marido, que era pedreiro. “Com este dinheiro, paguei todas as dívidas acumuladas, e o restante, investi na reforma da ca­sa. Ajudou-me bastante, apesar das circunstâncias”, afirma a dona de casa. “O PASI é um produto interessante porque tem hora que a gente precisa não só de ajuda psicológica, mas financeira também”, desabafa Maria de Souza. Outra família beneficiada foi a de Wilson Santana, 56. A indenização que ele recebeu, pela morte da esposa, fez diferença na vida de suas três filhas. Uma delas é a promotora de vendas Mônica de Cássia Santana, que mora em Salvador (BA). “Meu pai dividiu os 8,6 mil que recebeu com as três filhas. Uma irmã terminou a casa dela, eu dei uma boa adiantada na minha e a caçula guardou sua parte na poupança”, conta Mônica. “Além da indenização também recebemos uma farta cesta básica.”


Maria da Conceição Souza: reforma da casa e pagamento de dívida
Maria da Conceição Souza: reforma da casa e pagamento de dívida

Hoje, são cerca de 30 milhões de trabalhadores com carteira assinada em todo o país. Chega-se a 100 milhões contando os dependentes dessas pes­soas. “E é justamente este o mercado potencial para ser explorado pelo nosso produto. Acredito que o PASI fará parte do desenvolvimento de novos mecanismos e que poderá chegar um dia bem próximo da população de todo o Brasil”, diz o presidente da empresa. Um dos motivos para este otimismo é a legislação específica para microsseguro, que deve entrar em vigor ainda este ano.

Atualmente, o PASI tem 2 milhões de segurados vinculados a mais de 14 mil convênios. Uma das primeiras empresas mineiras a aderirem foi a cons­­trutora Encamp. Desde 1990 seus funcionários são segurados. “Ofe­re­ce­mos alguns benefícios para nossos empregados e uma delas é o PASI”, informa o diretor financeiro da Encamp, Eduardo Pinheiro Campos Filho. Ele conta que poucas vezes a empresa teve sinistros por invalidez ou morte de operários, mas em todas as ocasiões foi prontamente atendida pelo plano, que cumpriu à risca o contrato.

Alaor Silva Junior: novo momento do mercado segurador
Alaor Silva Junior: novo momento do mercado segurador

O exemplo da construtora Encamp é enfatizado por Alaor Junior. Ele diz que a consciência das empresas para proteger seus funcionários está aumentando no Brasil. “O custo é muito baixo, o preço médio é de 4,80 reais por trabalhador”, destaca Eduardo Pinheiro. O Sinduscon-MG é um parceiro histórico do PASI. A parceria foi iniciada há quase duas décadas quando o presidente da entidade era Paulo Safady Simão, e persiste até hoje. “Essa iniciativa criou uma condição para o setor da construção civil, que não existia até então,  abranger número maior de trabalhadores. Com o PASI é possível segurar toda a massa de trabalhadores”, diz o atual presidente do Sinduscon-MG, Luiz Fernando Pires. Ele afirma que, até a criação do PASI, somente eram segurados os trabalhadores com salários mais elevados.

Outro diferencial do PASI é que o seguro indeniza o beneficiário em apenas 24 horas após a entrega de toda a documentação à Central PASI. O seguro cobre de diversas formas o titular e seus beneficiários. As coberturas podem ser por morte do titular, invalidez por doença profissional e acidente ocorrido dentro ou fora da empresa; se o cônjuge do trabalhador segurado falecer, o parceiro será indenizado; há indenização também quando ocorre morte de filho e quando nasce filho com doença congênita. As empresas também são beneficiárias porque parte das despesas com a rescisão trabalhista está coberta, no valor de até 10% do capital segurado. “Além da indenização em espécie, a família recebe as despesas do sepultamento e, para complementar, oferecemos duas cestas básicas. Recen­temente, lançamos a Cesta Natalidade para recém-nascidos filhos de mães seguradas”, enfatiza Alaor Junior. “O PASI veio para ficar e referenciar um novo momento no mercado segurador”, finaliza.


 
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