Quarta, 23 de Maio de 2012
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Saúde

Não adianta fugir

Polêmicas à parte, o tão temido exame de toque retal ainda é uma das melhores formas de prevenção ao avanço do câncer de próstata

Texto: Nayara Menezes | Fotos: Daniel de Cerqueira, Fábio Rossi


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Eugênio Augusto de Souza: cautela no diagnóstico

Ele é o segundo tipo de câncer com maior incidência no Brasil. Ainda assim muitos homens fogem do consultório quando o assunto é exame de colo retal, o popular toque. Devido ao preconceito e ao tabu que se criou em torno do procedimento médico, muitos realizam apenas o PSA (antígeno prostático). Ao ler o resultado do exame de sangue sem alteração, pensam estar livres do tão temido exame (e da doença). Mas não é por aí. Segundo especialistas, a medição do PSA não é suficiente para o diagnóstico do câncer. 

O chefe da seção de urologia do Inca, Aristóteles Wisnescky, explica que nem sempre a alteração no PSA significa câncer de próstata, e vice-versa. “Apro­xi­ma­da­mente 15% dos homens que desenvolvem a doença apresentam PSA normal”, revela. É também possível apresentar níveis do antígeno prostático aumentado, sem estar com a doença. Portanto, o diagnóstico é delicado e deve ser feito com cautela. O ideal é  que a medição seja realizada somen­te após o exame clínico, que inclui o toque retal. E mesmo aliando os dois exames, Aristóteles Wis­nes­cky diz que aparecem resultados positivos falsos. Em alguns casos, necessita-se ainda de outros procedimentos complementares. “Será o médico quem irá recomendar ou não os exames, como a medição do PSA, utrassonografia e ressonância, de acordo com  cada paciente”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), regional Minas, Eugênio Augusto Costa de Souza. 


João Batista Paiva: “O tumor não foi detectado pelo toque”
João Batista Paiva: “O tumor não foi detectado pelo toque”

Tanta cautela no diagnóstico tem nome e sobrenome: incontinência urinária e impotência sexual. Segundo o médico do Inca, hoje há técnicas avançadas que permitem preservar a potência. E mesmo quando isso não é possível na cirurgia, Aristóteles lembra que, tanto para a disfunção erétil, quanto para a incontinência, há tratamentos. “Já o câncer de próstata em estágio avançado pode levar à morte.”

Foi esse o pensamento do aposentado João Batista Paiva, 69 anos, ao descobrir um tumor na próstata. “Fiz os exames desde cedo. Meu pai morreu em decorrência de câncer de próstata.” No caso de João Paiva o médico observou um leve aumento no nível do PSA no passar dos anos. “O tumor não foi detectado pelo exame de toque, nem pelo ultrassom”, diz. O diagnóstico, segundo ele, veio somente após uma ressonância seguida de biópsia.

Mesmo sabendo das possíveis sequelas, o aposentado optou pela prostatectomia, indicada pelo médico. Após passar pela cirurgia, ele afirma que a única consequência foi uma pequena incontinência, mas nada que o incomode tanto. Além disso, há a opção de fisioterapia para tratar o problema. Enfim, o essencial é não se deixar levar por preconceitos, consultar um médico a partir dos 45 anos (40 em caso de histórico familiar), fazer os exames necessários e, assim, dar uma chance à vida.

Câncer de Próstata

Dois em cada três casos de câncer de próstata surge em homens com mais de 65 anos. Por razões ainda não conhecidas pela ciência, as células do órgão passam a se dividir e a se multiplicar de forma desordenada, levando à formação de um tumor. A maioria desses tumores cresce de forma tão lenta que não chega a dar sintomas durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem. Alguns, porém, podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e levando à morte

Sintomas
Na maioria das vezes, o câncer de próstata é uma doença assintomática. Em estágio avançado, porém, micção frequente, dor ao urinar, sangue na urina ou no sêmen são sintomas que devem ser observados

Prevenção
Até agora, não são conhecidas formas específicas de prevenção do câncer da próstata. No entanto, sabe-se que a adoção de hábitos saudáveis de vida é capaz de evitar o desenvolvimento de certas doenças, entre elas o câncer. Deste modo, é importante:
• fazer no mínimo 30 minutos diários de atividade física
• ter alimentação rica em fibras,
frutas e vegetais
• reduzir a quantidade de gordura
na alimentação, principalmente a
de origem animal
• manter o peso na medida certa
• diminuir o consumo de álcool
• não fumar

Marcador incerto
O exame de PSA não pode ser considerado um marcador isolado de câncer de próstata, pois há registros de surgimento da doença sem alteração dos níveis do antígeno prostático. E também há casos em que o PSA aparece alterado, mas a doença não é confirmada


Tratamento
O tratamento do câncer da próstata depende do estágio clínico. Para doença localizada, na maioria dos casos é feita cirurgia, prostectomia parcial ou total. Geralmente vem associada à radioterapia. Algumas vezes, porém, a observação vigilante é a opção mais indicada. Já para doença avançada, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido mais utilizados. Para doença metastática, o tratamento costuma ser à base de hormônios, além da prostectomia radical, nos casos indicados


 
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