|
Cidades da Copa 2014Bola DivididaBrasília vive clima de incertezas devido à crise política mas, quando o assunto é a Copa 2014, autoridades se apressam a falar das qualidades e projetos da capital federal
Texto: Angélica de Castro | Fotos: Nélio Rodrigues
|
As exigências da Fifa foram atendidas no novo projeto do Mané Garrincha. O autódromo, atrás do estádio, será transformado em estacionamento durante o evento, ampliando de 12 mil para 35 mil vagas, 300 delas dentro do estádio. O Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com 50 mil m2 funcionará como o centro de mídia com capacidade para 12 mil jornalistas, ligado ao estádio por um túnel subterrâneo com esteiras horizontais e espaço para galeria. Sérgio Graça, gerente da comissão da Copa 2014 em Brasília, afirma que o espaço será usado em caso de demanda e não se tornará um elefante branco, já que há precisão de estacionamento no local. As dependências do novo estádio contam também com dois restaurantes com 400 lugares cada, 60 camarotes, 1,1 mil cadeiras vips, 115 assentos vips, assentos business, arquibancadas superiores e inferiores totalizando 71 mil lugares. “Há ainda a área de 85 mil m2 que servirá de central hospitalar, local em que os patrocinadores utilizam para trabalhar o relacionamento com o cliente e a área para TV de 20 mil m2 nos arredores do estádio”, conta Hebert Felix, que indaga qual outro estádio no país tem tanto espaço nos arredores. |
A venda de um terreno ao lado do estádio Mané Garrincha para a rede hoteleira ainda está indefinido. Clayton Faria Machado, presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (Sindhobar), confirma que a instabilidade política do momento gera receios no meio. Desde janeiro, Brasília enfrenta uma crise no setor recreativo. “Em tempos de incerteza as pessoas cortam o supérfluo. A iniciativa privada também é assim. Ela só começará qualquer investimento quando houver a certeza de que Brasília realmente sediará a Copa.” A rede hoteleira do Distrito Federal tem ocupação, segundo a Brasiliatur, de 80% entre terça e quinta-feira. No restante da semana não chega a 20%. Machado afirma que ampliar a rede hoteleira pode gerar elefantes brancos pós-Copa. “A ocupação no fim de semana reduzirá para menos de 10%. Os hotéis não se sustentarão assim. Não acredito em construção de hotéis apenas para a Copa. Se confirmar mesmo Brasília como sede, o setor privado faz a estruturação rapidamente. Já a qualificação, precisa de tempo maior”, argumenta. |
Em parceria com o Ministério do Trabalho, o Sindhobar irá capacitar e reciclar profissionais do setor que possui 10 mil empresas com cerca de 100 mil trabalhadores. “Brasília tem um problema cultural em que as pessoas veem o setor como bico. Não se estabilizam e, por tabela, são desqualificados. Queremos mudar essa mentalidade. Em qualquer lugar do planeta existe um bar e uma pensão. Também é o ramo que mais proporciona ascensão social. Com 1 milhão de reais investidos em um restaurante você gera 40 empregos. Na indústria, gera 3 ou 4 vagas”, diz Machado. Ainda no tema qualificação, em 2009, pouco antes de deixar o governo, o secretário de educação aprovou o projeto Um Gol de Educação na Copa de 2014 em que os Centros Interescolares de Línguas (Cils) iniciassem treinamento com pouco mais de 2 mil alunos com idade entre 13 e 15 anos para que fossem voluntários no mundial. Ana Cristina da Silveira Chaves, idealizadora do programa, já tem aprovação para continuar com o projeto pela nova secretária, mas não a promessa de que os alunos da rede pública estarão mesmo entre os 3 mil voluntários exigidos pela Fifa para participarem do mundial. A verba para o projeto também não existe. “Quando conversei com a secretária, ela disse que, se houvesse necessidade de verba, eu teria que reiniciar o processo para consegui-la. Optei por começar o projeto e conseguir o apoio da iniciativa privada para uniforme, transporte e alimentação dos meninos durante a Copa.” |
Em Brasília, alunos da rede pública de ensino podem estudar inglês, francês e espanhol gratuitamente nos 8 Cils que existem e atendem 30 mil estudantes. Além do aprendizado da língua estrangeira, o adolescente que for aprovado para participar do programa para formação de voluntários terá aulas de cultura geral, história de Brasília e sete outros módulos complementares para que esses jovens tenham a desenvoltura necessária para atender em qualquer área que sejam direcionados. “Mas tenho medo de começar o programa no próximo semestre, treinar esses meninos e daqui a quatro anos eles não serem escolhidos como voluntários.” Os taxistas de Brasília optaram por não esperar a parceria com o governo. Duas turmas de inglês e espanhol já foram criadas pelo sindicato, que aguarda a Brasiliatur para abrir novas turmas. Além de aulas, haverá empreendedorismo e pontos turísticos. Trezentos e cinquenta taxistas estão matriculados e aguardando. Davi Rodrigues Sevilha, taxista desde 1988, concorda que fazer o curso pode facilitar o atendimento, mas em nada ajudará na Copa se o trânsito mantiver-se engarrafado como em dias de jogos e shows. “Também há muito freelancer trabalhando como taxista e vans que fazem transporte ilegal. Se não houver fiscalização, não seremos beneficiados.” |
Outro problema no trânsito em Brasília é conseguir trafegar. Não há placas que identifiquem as vias. Quando existem, ficam após as entradas ou estão danificadas pelo tempo ou vandalismo. Até com GPS se perde. O sistema não está adaptado ao formato de endereço que deve constar região, quadra e número. Além disso, as vias, mesmo as que têm nome, são conhecidas apenas por siglas. Se não fosse a solicitude dos candangos (nascidos ou de coração) ficar perdido em Brasília seria algo normal. A proposta para o trânsito, segundo o gerente da comissão da Copa 2014 em Brasília, Sérgio Graça, é ter um evento verde. “Aproveitamos que Brasília é plana para incentivarmos as pessoas a deixarem o carro na garagem. O turista que vier à Brasília poderá fazer tudo o que precisa no raio de 2,5 km. O que inclui o setor hoteleiro sul, dois hospitais e uma área de recreação com bares e restaurantes. Nenhuma outra cidade tem a possibilidade de ter uma Copa tão verde”, comenta. |
Brasília em Números
|
Os dois lados da moedaDe goleada Estádios
Rede Hoteleira
Localização privilegiada
Economia
Trânsito
Segurança Pública
Na retranca Aeroporto
Trânsito
Taxi
Capacitação
Situação política
|
|
|
|
Confira os bastidores da matéria aqui. |