Quarta, 23 de Maio de 2012
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A segunda onda

O inverno se aproxima e com ele o risco maior de se contrair o vírus H1N1. Saiba como os outros 100 milhões de brasileiros que não serão vacinados pela campaha do governo podem se prevenir contra a doença

Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Daniel de Cerqueira, SXC/ Arte: Paulo Werner


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“O temor que parte da população tem com medo da eficácia ou de a vacina provocar outras doenças é infundada” Tânia Marçal, infectologista

O fator surpresa criou um cenário de pânico na descoberta da nova gripe H1N1 no ano passado. A pandemia mundial, iniciada no México, matou nada menos que 16.813 pessoas em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), e 2.051 no Brasil, em 2009. Surpreendeu não só a população, mas também profissionais da saúde que tiveram que conviver, pela primeira vez, com algo que até então estava como possibilidades em estudos. Para 2010, a realidade é outra. A segunda onda pandêmica da H1N1 chegará com profissionais e governo melhor preparados e também um desafio: até maio a expectativa é que sejam imunizadas em todos os estados 72 milhões de pessoas. Se levarmos em conta que somos mais de 180 milhões de habitantes, a grande incógnita é: como o restante da população fará para se proteger contra esse vírus?

A expectativa é que a vacina seja vendida em clínicas particulares. Por enquanto, ainda é uma promessa, já que todas as doses hoje existentes no Brasil estão sendo direcionadas para a campanha de vacinação do governo. “Não sabemos se teremos vacinas para trabalhar na rede privada”, avisa o técnico do setor de vacinas do laboratório Hermes Pardini, José Geraldo Leite Ribeiro. Como o laboratório não sabe se haverá a vacina para o público particular e empresas, decidiu não abrir uma lista de possíveis interessados, mas a procura tem sido grande. “O ideal é que entrássemos maio com a população que desejasse vacinada, pois a expectativa é que em junho a influenza esteja circulando na cidade. Só que dependemos desse fornecimento”, diz Ribeiro.


Segundo a assessoria de imprensa do laboratório Novartis, a vacina produzida pela empresa ainda está sob aprovação da Anvisa e só quando passar pelo crivo do órgão é que poderá ser vendida. Outro laboratório, o Sanofi Pasteur, também deve comercializar a vacina. Segundo a assessoria, a prioridade agora da empresa, para atender ao setor privado, é trazer ao país a vacina trivalente – que combate a H1N1 e a gripe sazonal – no final de abril.

A estratégia do governo é proteger as populações mais vulneráveis. Para isso, extrapolou a recomendação da OMS que definiu quatro públicos prioritários para vacinação em todo mundo (trabalhadores de saúde, gestantes e populações indígenas e com doenças crônicas de base). No caso do Brasil, foram sete públicos – além dos recomendados, também crianças saudáveis entre 6 meses e 2 anos; adultos saudáveis de 20 a 29 anos e de 30 a 39 anos.
“Essa estratégia de proteção de populações mais vulneráveis, com maior risco de desenvolver forma grave ou evoluir para morte, é adotada para todas as demais doenças para as quais os programas nacionais de imunização disponibilizam vacinas para a população ou incluem em seus calendários de vacinação, em todo o mundo”, afirma o diretor de Vigilância Epi­de­miológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage.

No caso do restante da população, a prevenção será a estratégia do ministério, com campanhas que mostram situações do dia a dia e apontam os cuidados básicos de higiene para evitar contrair ou transmitir a doença. É uma decisão acertada na opinião da diretora da Sociedade Mineira de Infectologia, a médica Tânia Marcial, que observa – as mesmas precauções tomadas no ano passado devem permanecer como regra para qualquer um que queira se proteger da gripe por H1N1. “É preciso que as pessoas incorporem em sua vida medidas higiênicas como lavar as mãos com frequência, de cobrir o nariz e a boca com lenço ou com o braço ao tossir e espirrar, usar álcool gel, além de contribuir para uma melhor ventilação dos locais fechados”, diz. Para a infectologista, a vacinação dos grupos definidos no Brasil é acertada. Ela afirma que, pela experiência da segunda onda no hemisfério norte, a evidência é de que os grupos mais vulneráveis para doenças graves e óbito permanecem os mesmos, com destaque para gestantes, pessoas com doenças crônicas, menores de 2 anos e adultos jovens.

Khacyos Rezende: “Se possível, quero me vacinar este mês”
Khacyos Rezende: “Se possível, quero me vacinar este mês”

Há alguns meses, tem circulado na rede um e-mail que convoca as pessoas a não tomarem a vacina, tudo porque ela pode não ser eficaz ou provocar a chamada Síndrome de Guillain-Barré – doença em que os nervos se deterioram de forma ascendente e que pode provocar a morte. “Não existe esta evidência nos países que já realizaram ou estão vacinando contra a influenza pandêmica. Alguns países têm notificado a ocorrência de casos suspeitos dessa síndrome à OMS após a vacinação contra a gripe pandêmica. Entretanto, até o momento, não foram relatados casos com uma associação claramente estabelecida entre a aplicação da vacina e a possível ocorrência da síndrome”, diz Eduardo Hage.

Segundo ele, o Ministério da Saúde não teme a rejeição da vacina por causa desses problemas. Para Hage, ao contrário de alguns países da Europa, as pessoas aqui têm a cultura de participar dessas campanhas. O publicitário Khacyos Rezende, 38, comprova a tese de Hage. Pela agenda do governo, ele deveria ser vacinado entre 10 a 21 de maio. Está em vigília nas redes particulares para vacinar-se antes da data prevista. “Se possível, já quero me vacinar este mês. Não é que esteja assustado, mas acredito que com a vacina a possibilidade de ficar doente é muito menor. Alguns falam que sou hipocondríaco, mas o que sou é precavido”, diz.

Júlio Torres, com as filhas: precavido
Júlio Torres, com as filhas: precavido

Já a família do arquiteto Júlio Torres, 42, formada pela mulher Haydée, 42, e as filhas Mariana e Beatriz ,de 10 e 13 anos, que está se preparando para uma viagem à Europa em julho, também vai optar pela vacinação. Nenhum deles está no grupo de risco, mas o arquiteto observa que a vacinação é garantia da redução das possibilidades de contrair a gripe A. “Normalmente já nos vacinávamos contra a gripe comum. É uma forma de precaução já que nossas filhas estão em idade escolar e, nessa época, as pessoas começam a viajar com mais frequên­cia, aumentando o risco”, observa Torres.

Há, ainda, pessoas que defendem uma forma natural de combate à H1N1, o caso do médico homeopata Renan Marino, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, São Paulo, que criou um composto antigripe A. O medicamento homeopático traz a associação dos bioterápicos Influenzinum, Gelsemium e Ipe­­cacuanha. “Esse medicamento atua como preventivo. Ele funciona como um medicamento vacinal, só que homeopático, e com o adendo de não ser contraindicado para ninguém”, afirma.

Para Marino, há outras ações que as pessoas podem tomar como utilizar um umidificador ultrassônico  e também a de borrifar uma solução à base de cloreto de sódio a 13% de quatro em quatro horas em cada narina. “Estudos demonstram que a umi­dade de nosso planeta está cada vez mais baixa, ela não passa dos 15%. E isso facilita a propagação de vírus respiratórios. Temos de utilizar o umidificador o ano todo”, aconselha.


 
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