Quarta, 23 de Maio de 2012
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Artes Plásticas

Obra: gula

Texto: Texto: Fernando Torres | Fotos: Daniel de Cerqueira, divulgação


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  • A partir da moldura de garfos empalhados, Gula (2009) convida para um banquete surreal. Símbolo da ganância humana, o óleo sobre tela, de 1,85 m por 1,85 m, pertence à série Pecados Capitais, do artista plástico mineiro Fernando Vignoli. A obra surrealista revela um portal monolítico invadido por certo garfo de formas distorcidas, tal qual gafanhoto, praga de lavouras. O portal simboliza o corpo humano; o garfo, o homem, querendo consumir tudo. “A ganância é tanta, que ele devora o próprio corpo”, traduz Vignoli, referindo-se ao bloco de pedra arrancado à força. Ao fundo, veem-se ainda outros garfos, prontos a perfurar o que surgir. O céu, em tons de azul e vermelho, se opõe à bicromia do restante da tela. O contraste deve-se (ironia!) a um problema técnico do televisor de Vignoli. “No período em que pintei a tela, minha TV estava em preto e branco. Senti falta de cor, o que expressei em toda a série”, explica. Propositalmente, o artista repete o portal como pano de fundo das telas Flagelo (2006) e O Homem que Comeu o Abaporu (2006) – uma espécie de alívio para a opressão que sentiu ao produzir a primeira obra.

O artista­­

  • Em agosto, o artista plástico Fernando Vignoli completa 50 anos. Mas ele ainda se considera uma criança nas artes, mesmo com quase 30 anos de carreira. Nascido em Belo Horizonte, teve uma educação dividida entre a liberalidade da mãe, a confeiteira Marilda, e a rigidez do pai, o militar Armando. Da mãe, herdou o gosto pela arte: “Ela confeitava bolos como se fossem esculturas.” Do pai, a influência para sua maior marca artística, as paredes: “Quando me castigava, ele me obrigava a ficar trancado no quarto, tendo a alvenaria como única companhia.” Vignoli abriu seu primeiro estúdio na Savassi em 1982, o Artmosfera. Nas duas décadas seguintes, destacou-se em Belo Horizonte pelo inusitado, com as mostras Arte Privada (1996), às margens do rio Arrudas, e Canibalismo Cultural (1998), um vernissage com telas comestíveis. Também marcou presença com a série Topografia da Alma, produzida num período de tristeza e depressão. Mas Minas Gerais era pouco para Vignoli. A partir de 2003, o artista passou a ter reconhecimento no exterior, principalmente depois da tela Big Apple (2004), avaliada em 500 mil dólares. Desde então, já expôs em cerca de 20 países, como Estados Unidos, Itália, México, Japão e Alemanha. O estilo de Vignoli se define como uma fusão entre surrealismo e expressionismo. Várias telas lembram as obras do espanhol Salvador Dalí, mas o próprio Vignoli aponta as diferenças. “O surrealismo de Dalí é inspirado em sonhos, ilusão; o meu é um surrealismo possível, real, calcado na política, na sociedade.” Além de Dalí, ele cita como referências Pablo Picasso, René Magritté, Van Gogh, Andy Warhol e Pink Floyd. Pink Floyd?! “O som dessa banda inglesa é muito surreal”, justifica.

Exposição Banquete Surreal
De 7 de maio a 7 de junho, de segunda a sexta, das 10h às 17h (visitas agendadas).
Endereço: rua Aloísio Leite Guimarães, 405, Belvedere, Belo Horizonte (MG)

Mais informações: (31) 2127-4711 / 9134-9677


 
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