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SaúdeProibido aqui, permitido acoláSaiba por que um medicamento é liberado em um país, mesmo se em outros já foram comprovados casos de efeitos nocivos à saúde
Texto: Renata Turra | Fotos: Pedro Vilela / Arte: Paulo Werner
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Em 2004, o mesmo aconteceu com o anti-inflamatório Vioxx, da Merck Sharp & Dohme, que teve sua comercialização proibida no mundo por iniciativa da própria fabricante. O produto foi retirado do mercado após estudos que indicavam risco de ataques cardíacos com o uso prolongado. Os remédios foram recolhidos e consumidores, reembolsados. Para Casali, isso não indica falha na fiscalização no Brasil ou em outros países. “É uma questão de autonomia. Quando um medicamento é liberado por todas as agências fiscalizadoras, a gente fica mais tranquilo, mas nem sempre isso acontece”, observa. Ele alerta porém que, uma vez documentados os casos, o efeito é de dominó. “Não há como questionar”. No Brasil, a fiscalização periódica da Anvisa normalmente é feita por monitoramento de amostras de medicamentos que são recolhidos aleatoriamente no mercado. Mas a agência também atua baseada em denúncias de consumidores, segundo informa Vitor Eustáquio Aranha, da Gerência de Vigilância de Medicamentos e Congêneres em Minas Gerais. Diariamente são publicados no Diário Oficial da União os medicamentos interditados para análise e investigação. As resoluções do dia 3 de março, por exemplo, suspendem a comercialização de lotes específicos de uma série de remédios, alguns bastante conhecidos como o Angitens 100mg (atenolol), o Fluxozol (fluxonazol), o Taxofen (citrato de tamoxifeno 20mg) e o Rubromicin (estolato de eritromicina) 250 mg/5ml. No caso da sibutramina, a agência de fiscalização europeia afirmou, num comunicado no qual pedia que os médicos parassem de receitá-la, que “os riscos que este medicamento provoca são bem maiores do que seus benefícios”. A sibutramina foi criada como antidepressivo nos anos 1980 e há cerca de dez anos teve seu uso liberado para emagrecer. Em dezembro de 2009, depois que um estudo elaborado pela FDA apontou que 11,4% dos pacientes que tomaram o medicamento morreram ou sofreram paradas cardíacas ou derrames, consumidores norte-americanos pediram ao governo a proibição da venda do produto no país. O medicamento tem venda controlada no Brasil, com retenção de receita. A Anvisa recomenda a contraindicação para pacientes com obesidade associada a doenças cardio e cerebrovasculares ou com antecedentes pessoais, diabetes mellitus tipo 2 com sobrepeso ou obesidade e associada a mais um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Segundo relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), órgão das Nações Unidas, o Brasil é o país que mais consome remédios para emagrecer no mundo. De acordo com a entidade, isso se deve à grande produção doméstica, restrições limitadas e facilidade na compra dos medicamentos. Aqui, substâncias derivadas de anfetamina, proibidas em vários locais, ainda são receitadas em fórmulas de manipulação de medicamentos para emagrecer. Em casos como este, cuidado e cautela são mesmo os melhores remédios. |