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PolíticaFicha LimpaProjeto que impede candidatura de quem tem contas a acertar com a Justiça dá seus últimos suspiros para (quem sabe) ser adotado já no pleito 2010
Texto: Iracema Barreto | Fotos: Arte: Paulo Werner
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Segundo o deputado, é importante também que as pessoas continuem enviando e-mails para os parlamentares que representam o seu estado na Câmara pedindo a aprovação do projeto. Em seu gabinete, em Brasília, por exemplo, tem chegado cerca de 800 mensagens diariamente. “O projeto trata de equilibrar a competição. Se existe hoje na sociedade uma regra que diz que o cidadão sofre determinada sanção se está em débito com a Justiça, o Ficha Limpa demonstra que não há qualquer inconstitucionalidade de se impor restrições para candidaturas, como argumentam alguns”, pondera o parlamentar mineiro. Martini faz referência ao fato de a Constituição prever que brasileiro que não vota nem justifica a ausência nas urnas no prazo previsto pela legislação fica impedido de participar de concursos públicos, tirar passaporte e contrair empréstimos junto a instituições financeiras do governo – só para elencar algumas punições. Em contrapartida, mesmo respondendo a processos na Justiça ou tendo as contas eleitorais reprovadas, é possível concorrer a um mandato eletivo. O projeto batizado como Ficha Limpa chegou à Câmara no final de setembro de 2009 como matéria de iniciativa popular com mais de 1,3 milhão de assinaturas coletadas. A campanha para a coleta de adesões foi encabeçada pelo MCCE – que reúne 43 entidades, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB). O texto que será votado, porém, sofreu modificações. Pela proposta original, estariam impedidas de concorrer a mandato eletivo pessoas condenadas pela Justiça de primeira instância ou que respondam a processos na segunda instância. Aqueles que tivessem contra si denúncias recebidas por órgão colegiado como tráfico de drogas, crimes eleitorais, trabalho escravo, exploração sexual de crianças e adolescentes, lavagem de dinheiro, entre outros, também seria barrado. As modificações estabelecem o impedimento apenas em casos de condenação em segunda instância ou por decisão de órgão colegiado. “É importante não darmos estrutura para perseguições políticas. Não é possível que apenas o fato de ter sido denunciado ou condenado por um juiz local, muitas vezes adversário político, seja suficiente para afastar alguém da possibilidade de candidatura”, justifica Miguel Martini. |
Há cada vez mais vozes favoráveis à aprovação da matéria no Congresso. Em discurso recente na tribuna do Senado, o peemedebista Pedro Simon (RS), um dos congressistas de maior credibilidade, defendeu a restrição de candidaturas. “Foram mais de um milhão os que aderiram ao projeto. Uma lufada de ética em muitos que serão, aprovada a lei, alcançados por seus efeitos. A melhor participação popular será deixar de eleger candidatos que, já antes do pleito, demonstraram não estar à altura da representação popular”. Para Simon, a exigência de uma boa vida pregressa dos candidatos será o caminho mais curto e mais seguro para que a sociedade brasileira recupere seus melhores valores e referências, perdidos “nestes tempos de corrupção e de barbárie”. Apesar de legislações eleitorais precisarem da aprovação com um ano de antecedência para serem válidas para a eleição seguinte, representantes do movimento alegam que o prazo não é válido para este projeto. O argumento é que a definição da vida pregressa dos candidatos como impedimento é apenas uma regulamentação do artigo 14 da Constituição. Mesmo que o Ficha Limpa não seja aprovado a tempo das próximas eleições, o eleitor tem como saber os antecedentes dos candidatos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que, já neste ano, vai divulgar a ficha corrida de quem tem contas a prestar ao Judiciário, serviço que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas já disponibiliza. Não custa nada dar uma olhadinha nas listas antes de decidir o voto. Aliás, não olhar é que pode sair bem caro. |