A noite começa e a impressão que se tem é que a festa foi quase personalizada. Onde, em Belo Horizonte, é possível sair e encontrar pessoas com a mesma idade, gosto, sofisticação e sentir que aquele local foi feito para você? A proposta do Clube Chalezinho é exatamente esta, mas pense em pelo menos cinco públicos diferentes. Sim, a casa lida com essa diversidade. Não dá para se falar em receita, mas o caminho tem sido seguir uma velha máxima: ficar atento ao que o cliente quer e também ir além e surpreendê-lo. A maior novidade de 2010 é que será o último ano do clube no Seis Pistas. O novo local ainda não tem endereço certo, mas será num ponto da Zona Sul. Por enquanto, ninguém precisa ficar aflito – nada muda nos próximos meses. Os sócios Ralph Marcellini e Fred Andrade já pensaram em tudo e o ano está planejado, sem descuidar da procura pela nova sede que terá não só o clima e a estrutura da casa atual, mas também a busca por novidades.
O clube é um diferencial em uma Belo Horizonte que negócios de entretenimento noturno nem sempre tendem a dar certo. Não é raro receber um público de quase 3 mil pessoas por semana. É o resultado de um trabalho de gestão iniciado há dois anos, quando a empresa passou a trabalhar com o Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) e instituiu metas e planejamento. “Com essa parceria, foi possível não só analisarmos o lugar a que chegamos, mas também estabelecermos aonde queremos chegar. Sempre corrigindo e envolvendo todos os funcionários neste trabalho”, afirma Ralph Marcellini, que é formado em administração de empresas.
Prova desse engajamento pode ser sentida nas palavras do barman Alicindo Neves que há 20 anos trabalha no grupo Chalezinho. Ele diz que, no começo, sentiu certo estranhamento com a nova gestão da empresa. “Foi impressionante como passamos a ter uma compreensão melhor do Clube Chalezinho. Não é apenas uma questão de salário, mas de valorização do local que se trabalha, de ter ideias e ser respeitado. Aqui tudo isso funciona, e bem”, afirma Neves. Andrade observa que é essa a preocupação na gestão da casa – o envolvimento de todos. “É uma rede em que somente a proximidade de todos do clube com os frequentadores é que nos dará o termômetro do que de fato está acontecendo”, diz. Os funcionários têm participação nos lucros, workshops e viagens. Nos próximos meses, eles viajarão para o Rio de Janeiro, Miami e cidade ainda não determinada no Sul do país. A intenção é que passem por treinamentos, conheçam casas noturnas, observem a evolução do mercado e que isso se traduza em um melhor atendimento no clube. “Nossa preocupação é atuar neste dia a dia, mas sem deixar de procurar a novidade, aquilo que nosso cliente quer e aquilo que ele nem imagina que exista”, afirma Marcellini.
O grupo Chalezinho faz 31 anos este ano. Tudo começou de uma forma inusitada, com o então casal Antônio Augusto Marcellini e Taísa Araújo, que tinham uma representação de casas de madeira. Taísa,que é decoradora, fez um ambiente tão agradável em uma das casas que o local para recepção do negócio acabou virando café. Atualmente, o local é administrado por Antônio Augusto, Ralph e o irmão Ricky Marcellini e Fred Andrade. O grupo conta ainda com um restaurante Era uma vez um Chalezinho... em São Paulo, no bairro Morumbi.