Quarta, 23 de Maio de 2012
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No pódio da beleza

Brasil já é o terceiro país no mundo em consumo no mercado de cosméticos

Texto: Raquel Ayres | Fotos: Pedro Vilela/ Daniel de Cerqueira/ Andre Luppi - E77/ Alberto - WU/ Lailsson Santos/ SXC/ divulgação


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Isabela Coutinho gasta 250 reais em cosméticos por mês

O Brasil disparou. Passou na frente da França, da Alemanha e está prestes a subir ao pódio do segundo lugar no ranking mundial de consumo de cosméticos e deixar pra trás o Japão. Como se fosse pouco, desde o ano passado já somos o primeiro mercado em consumo da Avon, empresa líder mundial em vendas diretas. Desembolsamos em favor da multinacional e da nossa bem cuidada aparência, 1,67 bilhão de dólares para adquirir esmaltes, cremes depilatórios, sombra, rímel, batons e afins, corretivo, cremes anti-idade, produtos para hidratar, esticar e revigorar a pele!

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o setor nacional cresceu 14,75% em 2009 e faturou quase 25 bilhões de reais; 305 milhões a mais que no ano anterior. Enquanto o mundo ficou de cabelos em pé com a crise econômica – e não teve antifrizz que resolvesse – a brasileiríssima Natura contabiliza 1 milhão de consultoras e mantém, na França, centro satélite de pesquisa e tecnologia. O Boticário tem investimentos da ordem de 170 milhões de reais em infraestrutura programados para até 2012. E, de acordo com Vinícius Costa de Alvarenga, CEO da Água de Cheiro (vendida em novembro de 2009 para o empresário Henrique Alves Pinto, ex-construtora Tenda) as perspectivas para o setor são tão animadoras que há espaço para expansão com velocidade: pular das 315 lojas franqueadas para 700 até o final deste ano. “Enxergamos potencial para crescimento de vendas na ordem de 120%.” 


Chynthia Géo: “Não é só questão de vaidade”
Chynthia Géo: “Não é só questão de vaidade”

É a expansão do mercado de beleza associada à sofisticação dos hábitos de consumo da população. “Este fenômeno é mundial. Além do culto à imagem que o Ocidente experimenta, as pessoas estão vivendo mais e querem ter a aparência melhor”, avalia a dermatologista Maria Imaculada Milagres. A população brasileira entre 50 e 60 anos já representa quase ¼ do contingente e está preocupada: envelhecer, sim, se acabar, jamais! É verdade, também, que o poder de compra de todas as classes sociais tem apresentado crescimento ao longo dos últimos 10 anos. Sem falar que a progressiva participação da mulher – que de acordo com a Abihpec responde por 65% deste consumo – no mercado de trabalho exige cuidados diários com o aspecto físico.

Carla Mendonça: “Me sentiria perdida na vida sem o finalizador”
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Questão de autoestima, avalia a empresária Cristiana Arcangeli, fundadora da Phytoervas e da Éh Cosméticos que se prepara para lançar em maio nova marca. “São produtos de valor agregado baixo, que não alteram tanto o orçamento da família. Às vezes, para a mulher não é possível trocar de carro, mas o creme e o batom ela vai comprar.”

“Só mesmo uma nova crise em que as pessoas tenham que privilegiar a comida poderia ameaçar o setor. A aparência acabou se tornando meio que fundamental”, avalia a empresária Mariangela Bordon, fundadora da OX  – 1995 – que voltou ao cenário há um ano com a EOS (120 itens entre xampus, cremes, sabonetes e velas perfumadas). Segundo Mariangela, que pretende ter sua nova marca presente em todo o Brasil, os cosméticos perderam a conotação primordial de produtos de higiene e até mesmo os homens têm contribuído para o incremento de vendas. “O número de separados aumentou muito. E eles não usam mais o xampu da esposa”, comenta.

Adriana Vasconcelos: “Se alguém comenta que usou e é bom, experimento”
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Rotina de beleza

Adstringente facial, cremes para rosto e pescoço e área dos olhos; redutor de medidas, hidratante, pó compacto, gloss, rímel e muita disposição são parte do dia a dia da empresária Chynthia Géo, que não se descuida e coloca tais procedimentos como prioritários. “Há alguns anos as mulheres não tinham tantas responsabilidades nem cotidiano tão pesado, que ajuda a envelhecer.” Então, melhor prevenir que remediar. Clinique e Lancôme para o rosto. M.A.C para colorir a face. “Gosto de variar dentro das marcas boas.” Mimos que adquire quando viaja ao exterior; média de 3 vezes ao ano, num total de 300 a 500 dólares por viagem. “Não é só questão de vaidade, lido com o público, que cobra. Associa nossa imagem com a do produto com o qual trabalho”, comenta a empresária que trabalha com chocolates finos.

O setor faturou em 2009 quase 25 bilhões de reais
O setor nacional cresceu 14,75% em 2009
Mariangela Bordon: “Aparência se tornou fundamental”
Mariangela Bordon: “Aparência se tornou fundamental”

Rotina de beleza. Esta é a expressão que a empresária Adriana Oliveira, 47 anos, usa para definir seus cuidados pessoais. Sem preferência por marcas, compra desde itens importados até aqueles de farmácia. “Se alguém comenta que usou e é bom, experimento. Levo no carro um kit que chamo de primeiros socorros: base, pó, rímel; tudo que tem em casa tem nele.”

Foi por volta de meados da década de 80 que marcas como Nívea e Neutrogena ganharam prateleiras de supermercados; acessíveis em relação ao preço, são a beleza ao alcance de quase todos. “As pessoas compram o sonho de ficar bonitas, não só um produto químico”, assinala Maria Imaculada.

“Definitivamente, cosméticos são elementos de identidade. Vivemos numa sociedade que valoriza a aparência e é a partir do corpo que mostramos para o outro quem somos”, reflete a jornalista e professora Carla Mendonça que dispensa atenção especial ao cabelo. Seus fios vermelhos começam ser preparados na noite anterior. “Os cachos dão um trabalho terrível. Me sentiria perdida na vida sem o finalizador. Este produto me proporciona enorme sensação de liberdade. Sem ele ficaria de mau humor, imaginando que as pessoas iam dizer: olha lá a menina do cabelo espigado.”

Cristiana Arcangeli: “Creme e batom a mulher compra”
Cristiana Arcangeli: “Creme e batom a mulher compra”

Indústria que coloca à disposição dos consumidores cremes para a pele, loções, talco, sprays, esmaltes, maquiagem, tinturas para cabelo, desodorantes, xampus, óleos e espumas para banho, a cosmética nacional está correndo para alcançar a qualidade americana e europeia. Utiliza-se de tecnologias que melhoram a produtividade e tornam custos mais competitivos. Também estão adquirindo competência para desenvolver produtos com rapidez. “Quando começamos foi sofrido porque não podíamos importar matéria-prima. Hoje, consome-se o produto nacional”, observa o diretor-presidente da L’Acqua de Fiori, Leopoldo Mesquita. Ele brinca que é mais fácil a mulher sair de casa sem comer pão e tomar café do que sem o batom.

Na outra ponta está Renata Notini, proprietária da Taren Cosméticos (BH), exclusiva de importados como Clinique, La Prairie, Shiseido, Chanel. Ela garante: a classe média também consome estas marcas. E um dos meios para adquiri-las é a internet. Twitter e blog colocam o público majoritariamente feminino a par das tão desejadas novidades. “Além da qualidade, a cliente busca status na compra de produtos de luxo”, afirma Renata.

Vinícius Alvarenga, da Água de Cheiro: espaço para crescimento
Vinícius Alvarenga, da Água de Cheiro: espaço para crescimento

Seguindo o ditado que é de pequenino que se torce o pepino, a estudante de direito Isabela Coutinho, 20 anos, gasta, em média 200 reais por mês em cosméticos. Sobe para 350 de três em três meses, quando renova seus estoques que privilegiam a brasileiríssima L’Acqua di Fiori e a canadense M.A.C. Base, corretivo, filtro solar para rosto e corpo, blush, sombra, spray para cabelo são badulaques essenciais. “Não posso eliminar nenhum destes. Acho que ajudam a nos deixar mais confiantes, e isto é importante.”

“As brasileiras são vaidosas. A partir dos 20 anos já se preocupam com o corpo e buscam produtos auxiliares no tratamento da celulite. E antes dos 30 procuram os anti-idade como, por exemplo, cremes para área dos olhos e hidratantes com ação preventiva ao envelhecimento da pele”, informa a farmacêutica da Dermatus, Luciana Andrade.

 

Leopoldo Mesquita: “Hoje, consome-se o produto nacional”
Leopoldo Mesquita: “Hoje, consome-se o produto nacional”

Entre tantas e tantas maravilhas ao alcance da necèssaire, há ainda os potinhos manipulados; “exigem receita médica, mas têm efeito mais intenso, uma vez que a concentração dos princípios ativos são maiores”, avalia a especialista em dermatologia cosmética Eveline Bartels. Nosso mercado é tão promissor que, segundo ela, as marcas francesas estão fabricando produtos específicos para a pele brasileira. Consumidores agradecem e, mais ainda, empresas do segmento, que têm visto seus lucros crescer numa média de 10% ao ano há 14 anos, ininterruptamente. E haja batom!

 


 
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