Aos 60 anos, o empresário mineiro Jacques Gontijo, presidente da Itambé – maior cooperativa de laticínios e terceira maior indústria do setor no Brasil –, segue os passos galopantes do mercado. A exemplo de empresas que vêm se unindo, com a formação de grupos, para se tornarem mais competitivas, Gontijo busca caminho semelhante para a Itambé, que se encontra em processo de negociação para fusão com quatro cooperativas de leite do país. Hoje a Itambé processa cerca de 1,2 bilhão de litros por ano. Com a fusão, a nova cooperativa terá cerca de 2,6 bilhões de litros e se tornará a maior cooperativa da América Latina. Confira a seguir.
Recentemente, jornais noticiaram que a Itambé teria recusado propostas de compra. Por que optou pela fusão?
Nunca estivemos à venda. Ao contrário, temos crescido 10% ao ano nos últimos oito anos, o que é bem acima da média de crescimento da economia brasileira neste período. O mercado de leite está muito disputado, com várias aquisições sendo feitas nos últimos três anos e a chegada de novos atores. Precisamos crescer para nos mantermos competitivos. E o melhor caminho é reunir forças com outras quatro importantes cooperativas brasileiras.
E como estão as negociações?
As conversas estão ocorrendo com um nível de amadurecimento que me leva a ser muito otimista. Os conselhos de administração das cinco cooperativas se reuniram e aprovaram esta operação. Além disso, tenho recebido de lideranças do setor, estudiosos e até mesmo de importantes personalidades do governo, manifestações favoráveis a este esforço.
O que essa fusão pode trazer de benefícios para a Itambé?
Com esta fusão teremos mais condições de competir, trazendo ganhos para os nossos cooperados e para os consumidores, pois aumenta nossa capacidade de investir em novos produtos e, é claro, vamos manter não somente a marca Itambé, mas as características que todos associam a ela.
No caso de uma cooperativa, como acontecerá essa fusão?
Isso está em estudo. Mas o desenho da operação é baseado na experiência das duas maiores cooperativas do mundo, que assim se tornaram por meio de fusão. A ideia é que cada cooperativa manterá as suas características, cuidando de prestar serviços aos seus cooperados e a nova cuidará da produção e comercialização, inclusive contratando executivos no mercado para atuar na gestão.
Como avalia as políticas do governo federal para o agronegócio no Brasil?
O governo tem se mostrado mais sensível ao agronegócio nos últimos anos, principalmente no atendimento ao setor primário. Todavia, precisamos criar mecanismos facilitadores de financiamento para as cooperativas, pois hoje as regras impõem competição desigual com as demais empresas, que têm acesso ao mercado de capitais. Além disso, temos que implantar políticas que compensem a taxa de câmbio, que está esfolando o agronegócio brasileiro.
Além da fusão, o que a Itambé prepara de novidades para este ano?
Temos a perspectiva de investir 80 milhões de reais, com prioridade em tecnologia de informação e uma nova fábrica em São Paulo, na região de Ribeirão Preto, além das outras cinco unidades fabris no país. Também lançaremos novos produtos, mas prefiro não adiantar agora.