As principais pesquisas de opinião realizadas em Minas Gerais apontam o mesmo cenário: se as eleições fossem hoje o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), seria eleito, com folga, governador do estado. A mesma tranquilidade teria o governador Aécio Neves (PSDB) na corrida por uma das vagas ao Senado. O curioso é que os mesmos levantamentos feitos junto ao eleitorado mineiro mostram que os índices de rejeição de todos os pré-candidatos colocados são baixos. E isso quer dizer que, nos próximos meses, muita coisa pode mudar. Até quem aparece na lanterna – para usar um jargão do futebol – ainda tem chance de virar o jogo.
É essa a esperança do governador Aécio Neves, por exemplo, ao apostar na candidatura do vice-governador, Antonio Anastasia, pré-candidato do PSDB na disputa pelo Palácio da Liberdade. Até agora, mesmo com o esforço do governador em promover uma série de inaugurações pelo interior do estado com o vice a tiracolo, Anastasia mantém-se estagnado nas últimas posições, independentemente, do cenário da pesquisa. “A questão da transferência de votos do governador para o vice é muito delicada. E, até agora, não vem dando mostras de que isso vai ocorrer”, analisa o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes.
Por outro lado, o cientista político dá como certa a eleição do governador na corrida pelo Senado, mesmo com a possível presença no páreo de nomes como o do ex-presidente Itamar Franco (PPS), do vice-presidente da República, José Alencar (PRB), e do ex-vice-governador mineiro, Clésio Andrade (PR). Isso, se o governador mineiro não optar por outro caminho. Afinal, a cúpula tucana insiste numa chapa formada por Aécio e o governador de São Paulo, José Serra, na corrida presidencial. Aécio, vale lembrar, pleiteou a condição de candidato tucano à Presidência da República, mas foi preterido pelo partido. Como Serra não vem registrando desempenho satisfatório nas pesquisas – apesar da liderança, vem sendo seguido de perto pela ministra Dilma Rousseff (PT), a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – a cúpula tucana pressiona para que ele aceite a dobradinha com o colega paulista. “O Aécio tem uma posição muito forte nas pesquisas. Não há dúvidas de que ele seria eleito (para o Senado). Agora, a segunda vaga está aberta e vai depender da conjuntura”, lembra Guedes.
No atual momento, o nome do vice-presidente da República tornou-se um componente novo na disputa eleitoral em Minas ao ser colocado na acirrada briga pelo Palácio da Liberdade. Alencar, que chega a liderar alguns cenários, principalmente, quando não aparece o nome do ministro Hélio Costa, foi apontado como a solução para o conflito entre PT e PMDB no estado. Peemedebistas e petistas brigam pela cabeça-de-chapa na sucessão. Traduzindo: travam uma queda-de- braço para ver quem vai indicar o candidato a governador e a quem caberá a indicação do vice. Mesmo sendo ambos partidos da base aliada, que precisa garantir, até mesmo por determinação de Lula, um palanque bem estruturado para a candidatura da ministra Dilma no segundo maior colégio eleitoral do país, ninguém arreda o pé. Tanto PT quanto PMDB querem estar na liderança da chapa.
No caso do PT, ainda é necessário esperar pelo fim de um imbróglio interno, já que o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) dão sinais de que levarão às últimas consequências a peleja para definir qual dos dois será o nome petista na sucessão mineira. O fato é que, com a candidatura de Alencar, as duas legendas estariam dispostas a abrir mão da cabeça-de-chapa e colocar um ponto final nessa briga. Mas o próprio vice-presidente, que luta contra um câncer, vem colocando a interlocutores que prefere brigar por uma vaga no Senado, deixando o cenário ainda nebuloso. Além disso, ainda resistente à ideia, Pimentel diz que o nome de Alencar “ainda não está colocado”. Na última terça-feira, ao cumprir agenda oficial na capital mineira, Alencar chegou a declarar que não via problemas em haver palanque duplo para Dilma Rousseff em Minas, sinalizando que está mesmo difícil o entendimento entre os partidos da base. "Eu acho que podemos perfeitamente, se não houver um acordo, ter dois palanques de apoio à eventual candidatura da Dilma."
Sem Alencar, mesmo com a atual liderança do peemedebista Hélio Costa, o tucano Anastasia, os petistas Patrus e Pimentel, além do deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira, pré-candidato do PV, mantêm as esperanças de ocupar a cadeira principal do Palácio Liberdade. “Quando a rejeição está baixa, o jogo político fica muito aberto. E todos têm um índice abaixo de 40%. Há espaço para todo mundo decolar nas próximas semanas”, acredita o diretor do Instituto Sensus.