Domingo, 19 de Maio de 2013
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Especial

O fundo do rio

Acaba de ser inaugurado na capital mineira um aquário com 22 tanques que retrata as espécies e o cenário nas profundezas do rio São Francisco

Texto: Miriam Gomes Chalfin | Fotos: Daniel de Cerqueira


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Evandro Xavier: “A ideia foi reproduzir um pedaço do Velho Chico”

Tradicional cartão-postal de Belo Horizonte, a lagoa da Pampulha acaba de ganhar mais uma atração de encher os olhos e tirar o fôlego: o Aquário da Bacia do Rio São Francisco, o maior de água doce do Brasil.  “Os grandes aquários do mundo são marinhos. Nós tivemos a ousadia de fazer um voltado exclusivamente para a diversidade brasileira e mineira. O São Francisco foi escolhido pela sua importância, por nascer em Minas e por ser o maior rio nacional”, diz Evandro Xavier, presidente da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte, onde o aquário está instalado.

A nova atração ocupa área de aproximadamente 3 mil m², divididos em dois pavimentos. Abriga 22 tanques, de 300 mil a 450 mil litros de água cada – totalizando mais de 1 milhão de litros –, onde vivem 1,2 mil peixes de 50 espécies. Podem ser vistos desde os peixes característicos do rio, como o surubim, o dourado e o matrinxã, até os exóticos, introduzidos no meio, como o tucunaré, a tilápia-do-rio e o pacu-caranha. O principal destaque fica por conta do aquário São Francisco, numa cenografia que mostra tanto o fundo do rio quanto sua margem, com artigos referentes à população ribeirinha, como carrancas, canoas, redes de pesca, esculturas e peças de cerâmica. Até mesmo uma réplica do vapor Benjamim Gui­ma­rães, em tamanho reduzido, faz parte da cena. 


Fachada do complexo: área de 3 mil m²
Fachada do complexo: área de 3 mil m²

Além dos tanques, o complexo temático conta com auditório para 150 pessoas, espaços de exposição, jardins, laboratório, lagoa marginal, lanchonete e lojinha. “A ideia foi reproduzir um pedaço do Velho Chico, seus aspectos socioambientais, sua fauna e flora”, explica Xavier. Se­gundo ele, ao todo, foram investidos 5,5 milhões de reais, numa parceria entre a prefeitura de Belo Horizonte, o Ministério do Meio Ambiente e o governo de Minas.  Estudantes de escolas públicas têm acesso gratuito ao local para a realização de atividades de educação ambiental. “Per­ma­nen­te­men­te, há monitores para atender a es­tudantes e visitantes em geral”, destaca o presidente. Ainda segundo Xavier, espera-se que o complexo se­ja capaz de estabelecer uma integração nacional. “Assim como o Ve­lho Chico é capaz de unir histórias, mentes, cursos d’água, estados e cidades, a gente deseja que o projeto promova uma união nacional em que os poderes públicos, pescadores e toda a sociedade possam conhecer um pouco mais do rio e fazer ações de preservação”, acrescenta.

O aquário fica aberto à visitação de terça a domingo, das 9 às 16h. O ingresso custa 5 reais, mais a entrada ao zoo­lógico, no valor de 2 reais (de quar­ta a sábado) e  4 (domingos e feriados). Às terças-feiras, a entrada  é gratuita. Maiores de 60 anos e menores de 12 anos têm acesso liberado.

Navegando pelo Velho Chico

Aquário da Bacia do Rio São Francisco

  • Para receber os peixes, foi feita uma ambientação com pedras, areia e cascalho, pedaços de madeira curtidos e plantas aquáticas
  • No aquário (tanque maior), a cenografia contou com peças moldadas em resina e em fibra de vidro, e pintadas com tinta especial. Assim, os visitantes têm a impressão de ver a estrutura de níveis que compõem um leito de rio, inclusive com sua gradação de cores e texturas 
  • Para manter a qualidade da água, que vem do poço artesiano da Fundação Zoo-Botânica, o aquário possui um sistema de filtragem que funciona 24 horas por dia, composto por filtros de areia, zeolita, ozônio, carvão ativado e ultravioleta
  • O sistema de filtragem possui bombas que proporcionam a oxigenação da água por meio de sua circulação e movimentação. A cada duas horas, a água de todos os tanques passa pelo sistema de filtragem, que funciona 24 horas, sete dias por semana
  • Todos os peixes recém-chegados passam por um período de quarentena, onde permanecem isolados pelo período mínimo de 30 dias, sendo observados e tratados, caso fiquem doentes, antes de serem transferidos para a exposição

Bacia do rio Doce

  • Descoberto em 4 de outubro de 1501 pelo navegador europeu Américo Vespúcio, o rio São Francisco nasce no Parque Nacional da Serra da Canastra, município de São Roque de Minas
  • Sua bacia drena seis estados brasileiros e corta três biomas (cerrado, caatinga e mata atlântica). Seus maiores afluentes são os rios Paraopeba, das Velhas, Paracatu, Urucuia, Corrente e Grande
  • O rio é responsável pelo abastecimento de seis das principais usinas hidrelétricas do Brasil: Três Marias (MG), Sobradinho (BA), Itaparica (PE), Moxotó (BA), o complexo de Paulo Afonso, que fica no município baiano de mesmo nome, e Xingó (AL). São mais de 500 municípios banhados pela bacia 
  • É a terceira bacia hidrográfica do Brasil e a primeira contida inteiramente em território brasileiro. Sua extensão é de 2,7 mil quilômetros. Em Minas Gerais, estão inseridos 36,8% da bacia 
  • A ictiofauna (parte da biologia que estuda ovos de peixes) do rio São Francisco compreende cerca de 180 espécies de peixes de água doce. Desse total, 160 espécies são conhecidas, 158 já foram registradas e 18 delas encontram-se em extinção no estado mineiro

Fonte: Fundação Zôo-Botânica


 
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