Quinta, 09 de Fevereiro de 2012
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Cultura

Museu virtual

Projeto vai possibilitar passeio pelos corredores de cinco museus brasileiros, com a opção de ver as peças em 360 graus

Texto: Fernando Torres | Fotos: Petrônio Amaral, Daniel de Cerqueira, SXC, divulgação


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A partir da última semana de março, cinco museus brasileiros poderão ser visitados integralmente pela internet. É o que promete o projeto ERA Virtual (www.eravirtual.org). O site deverá abrigar gratuitamente o Museu de Artes e Ofícios, de Belo Horizonte (MG); o Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul (SC); a Casa de Cora Coralina, em Goiás (GO); o Museu Victor Meirelles, de Florianópolis (SC); e o Museu do Oratório, em Ouro Preto (MG). O site reúne vídeos, fotogra­fias, áudios e textos, com tradução para inglês, espanhol e francês.

A visitação virtual já é uma marca de museus internacionais, como o Louvre, em Paris, ou o Museu Egípcio, no Cairo. Mas, de acordo com Rodrigo Coelho, diretor do Empório de Re­lacionamentos Artísticos (ERA) e idealizador do projeto, a grande diferença é que 100% dos acervos serão disponibilizados. Para viabilizar o projeto, os produtores fotografaram as peças em diversos ângulos e em alta definição. “Com apenas um clique, o internauta terá visão de 360 graus e poderá caminhar pelos corredores dos museus, avançando ou retrocedendo quando quiser e se detendo no que achar mais relevante”, explica Coelho. Caso queira companhia, a opção será o guia virtual, que transmite informações em tempo real.

No lado direito superior da tela, um mapa mostra a localização, marca em vermelho as salas já visitadas e indica possíveis caminhos a serem percorridos. O internauta também poderá ampliar algumas peças e observá-las de todos os ângulos. Com isso, verá detalhes que não são possíveis a olho nu. “No link do site do Museu do Oratório, por exemplo, o oratório construído em bala de revólver, de aproximadamente 5 cm, será amplificado até cem vezes”, antecipa Coelho. Também será possível visitar outras atrações das cidades-sede. Em Ouro Preto, o turista terá a oportunidade de sair do museu, entrar na igreja do Carmo e andar pela praça Tiradentes. Já em São Francisco do Sul, poderá percorrer o barco do navegador Amyr Klink, ancorado no porto em frente ao Museu do Mar. Detalhe: o mundo real não permite a entrada na embarcação.


Carla Sandim, Rodrigo Coelho e Renata: criadores do projeto
Carla Sandim, Rodrigo Coelho e Renata: criadores do projeto

E como todo museu que se preze, o ERA Virtual também tem um curador, por assim dizer. A museóloga Célia Corsino, curadora do Museu de Artes e Ofícios, selecionou as instituições pioneiras do projeto. “Usei como critérios de seleção a diversidade temática (navegação, arte, história e ofícios) e a complexidade do acervo.” Segundo a museóloga, esse tipo de iniciativa deve ajudar a tornar os museus brasileiros mais conhecidos. “Tours virtuais instigam, convidam a pessoa a conhecer de perto. É uma forma atraente de divulgação.”

 

“Claro que nada substitui a aproximação física entre o espectador e a obra. No entanto, quando a maior parte da população não tem acesso aos museus, essa é uma forma inteligente de levar a cultura até o espectador em potencial.”

Luiz Henrique Vieira, artista plástico

Até o fim do ano, o ERA Virtual deve incluir mais sete museus no projeto (veja quadro). “Em médio prazo, a expectativa é abranger instituições de todo o Brasil, pelo menos um representante de cada estado”, planeja Carla Sandim, produtora-executiva do ERA. Segundo ela, o empreendimento deve ter fôlego nas escolas, servindo como fonte de pesquisa e de material didático. “Um professor de Porto Alegre vai poder dar aula expositiva usando como base museus de vários lugares do Brasil”, antevê. Tendo em conta que, hoje, a maioria dos sites é precária, a iniciativa irá fortalecer o acesso à cultura e incentivar o turismo. “A internet pode se tornar um local interessante para os museus”, acredita Carla.

“A disponibilização do ERA Virtual vem enriquecer o desenvolvimento e a capacitação do internauta, atendendo e ampliando seu poder de compreensão por meio da arte e da história encontrada em nossos museus. Sem dúvida, essa abertura também agrega a expansão do turismo cultural.”

Neide Barreto, consultora de língua inglesa

Era Virtual

Saiba mais sobre os museus que vão participar da primeira fase

Museu de Artes e Ofícios – Belo Horizonte (MG)

  • Conta a história das relações de trabalho no Brasil em cerca de 2 mil peças. Valoriza os afazeres populares, como a função de artesão e alfaiate

Museu Nacional do Mar – São Francisco do Sul (SC)

  • Expõe diferentes tipos de embarcações, como jangadas, botes e baleeiras. São mais de 60 peças em tamanho natural e cerca de 200 miniaturas

Casa de Cora Coralina – Goiás (GO)

  • Homenagem à obra poética e literária da escritora no casarão em que ela viveu. O acervo inclui objetos pessoais, fotos, livros e cartas

Museu Victor Meirelles – Florianópolis (SC)

  • Reúne as obras do artista plástico catarinense, um dos mais representativos do romantismo, entre pinturas, estudos, desenhos e aquarelas

Museu do Oratório – Ouro Preto (MG)

  • Coleção de 162 oratórios e 300 imagens. Destaque para os oratórios-bala, os afro-brasileiros e os feitos de conchas

Próximos lançamentos

  • Memorial Tancredo Neves – São João del-Rei
  • Museu de Ciências Naturais PUC Minas – Belo Horizonte
  • Museu do Homem do Nordeste – Recife (PE) (em fase final de negociação)
  • Museu Histórico Abílio Barreto – Belo Horizonte 
  • Museu Guimarães Rosa – Cordisburgo 
  • Museu Casa Guignard – Ouro Preto 
  • Museu do Diamante – Diamantina
Capa da edição nº 262 da Cinearte, publicada em 1931
Capa da edição nº 262 da Cinearte, publicada em 1931

Mas se você acha que a exposição disto tudo é recente, consequência dos 15 minutos de fama que cabe a cada um e da proliferação dos veículos ditos de fofocas, engana-se redondamente. Quem esteve na 5ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – Cineop –, em junho, pode saber que vem dos anos 20 a criação de uma das primeiras revistas a tratar da vida dos famosos no Brasil: a Cinearte, editada de 1926 a 1942. “A inspiração é a Photoplay norte-americana (1916), pioneira em perceber o interesse do público pela vida de atores e atrizes e a propagar a cultura do estrelismo. O modelo é Hollywood”, afirma o crítico e doutor em Estudos Cinematográficos pela New York University, João Luiz Vieira.

Sob o comando de Adhemar Gonzaga (criador da companhia de cinema brasileiro, Cinédia, em 1930), Cinearte vai alavancar a produção cinematográfica nacional e internacional e um de seus pilares é a beleza: do corpo, dos trajes, das residências (lembra-lhe algo?).“Ann Harding estava encantadora e sua beleza loura, avaramente escondida pelas lentes das câmeras, contrastava lindamente com vestido de seda turquesa, com gola rendada em forma de V profundo.”Não faltavam fotos de Greta Garbo, de Alda Rios, Cláudio Montenegro e Lelita Rosa, atriz da produção nacional Lábios sem Beijos. Ensaio fotográfico realizado por grandes nomes, como o diretor Edgard Brasil.


 
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