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ComportamentoDar um tempo ao tempoSabe aquela atividade que você faz por puro prazer? Pois bem, separe um espaço na agenda para que ela faça parte do seu dia a dia, antes que o estresse se instale de vez
Texto: Fernando Torres | Fotos: Daniel de Cerqueira/ Arte: Paulo Werner
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Nessa rotina doida e apertada, soa quase como piada separar um tempinho do dia ou da semana para uma atividade extra, como, digamos, correr ou fazer aula de pintura. Mas é exatamente esse intervalo que evita a exaustão do personagem anônimo do parágrafo acima – alguém como você ou eu. É uma espécie de fuga, o apagar dos sentidos para um universo particular. “O ser humano é capaz de se dividir em várias atividades, algumas até aparentemente contraditórias. Essa multiplicidade de papéis é um alívio para o estresse”, raciocina a psicóloga e psicanalista Sandra Kruel. Não importa o que fazer, mas sim fazer. “Tirar um tempo do dia para se dedicar a algo que dá prazer é um investimento no bem-estar. É como se repuséssemos a energia gasta durante o dia”, afirma a psicóloga e psicanalista Regina Rozenbaum. A designer gráfica Ana Carolina Santana, 27, concorda. Seu recarregador é o esporte. Desde os 15 anos, ela frequenta três vezes na semana a academia de ginástica, onde faz musculação e esteira. “O máximo de tempo que já fiquei sem malhar foi três semanas, por motivo de doença”, contabiliza. Ana Carolina afirma que praticar esportes não é esforço para ela, mas prazer. “Sinto mais disposição. É uma espécie de terapia para o corpo e para a cabeça. Não consigo imaginar minha vida sem exercícios”, declara. Em vez de atividades físicas, o estudante gaúcho Douglas Fanny Webber, 21, prefere o refúgio intelectual. Há seis meses, ele lê uma hora por dia, cinco vezes na semana. “Durante o ensino médio, sempre lia no ônibus. Quando comecei a dirigir diariamente, perdi esse hábito e senti muita falta. Por isso, decidi retomá-lo com mais disciplina”, conta. É verdade que, de vez em quando, Douglas ultrapassa os curtos 60 minutos: já virou algumas noites; leu nos semáforos fechados; perdeu vários ônibus porque estava concentrado no livro; tentou ler andando, mas, no terceiro poste, desistiu. “Encaro a leitura como prazer, não obrigação. É como ir à academia, mas em vez de malhar o corpo, exercito o cérebro, a imaginação.” Seu estilo preferido é a literatura beatnik, gênero norte-americano pós-Segunda Guerra calcado no antimaterialismo (o clássico On The Road, de Jack Kerouac, é o maior exemplo desse movimento). |
Já o advogado Rodrigo Lima Netto, 37, decidiu fugir para a gastronomia. Há nove anos, ele faz aulas de culinária quinzenalmente e promove reuniões para apresentar pratos a amigos e familiares. “Além disso, minha esposa e eu participamos de uma confraria gastronômica, juntamente com mais três casais. Cada um leva tipo de vinho diferente – espumante, branco, tinto e de sobremesa – e um prato para harmonizar”, relata. Na contramão da cozinha fast-food, Lima prefere pratos cujo preparo seja mais demorado. “Isso permite que eu o deixe cozinhando e me sente à mesa com os convidados”, justifica. Na lista de iguarias prediletas, o advogado lista ossobuco, pernil de cordeiro e boeuf bourguignon (cozido de carne ao vinho). Lima garante que a gastronomia é a terapia que o ajuda a relaxar do estresse diário justamente por não ser uma atividade profissional. “Meu negócio é amador. Não sei se teria o mesmo prazer se cozinhar fosse um dever”, frisa. |
Como se vê, dedicar um tempo para si mesmo traz benefícios bem palpáveis. No entanto, há aqueles que preferem investir essa hora, digamos, extra, para fazer algo para terceiros. “O investimento nos outros não traz ganhos tão objetivos, como um corpo rígido ou um vocabulário culto. Os lucros só são visíveis aos olhos da alma. Quem doa a si mesmo recebe do outro algo que não é mensurável”, acredita a psicóloga Regina Rozenbaum. O despachante imobiliário Agnaldo de Aguiar Marinho, 41, “lucra” há mais ou menos 15 anos. Ele faz faculdade pela manhã e trabalha à tarde, mas, nas noites de segunda a sexta, colabora por cerca de três horas com os trabalhos assistenciais de uma instituição filantrópica. Agnaldo já deu aulas de informática, eletricidade, alfabetização de adultos, entre outras atividades. Como se não bastasse, nas manhãs de sábado, também auxilia uma casa de caridade de Citrolândia, região referência no estado em tratamento de hanseníase. Nesse período, Marinho diz ter crescido em equilíbrio espiritual. “Quando passamos a conviver com o outro, principalmente com alguém que depende da gente, percebemos que a vida é múltipla, variada. O outro existe e tem tantas necessidades quanto eu”, filosofa. |
Há gente que nem sabe direito por que faz alguma coisa em prol de outros. É o caso do arquiteto Richard Lima, 70, que há cerca de 20 anos abre sua casa todas as terças e quintas para reuniões espiritualistas, recebendo de 30 a 50 pessoas por noite. Nesses encontros, o principal objetivo é a reorganização dos sete principais chackras do corpo. “Algumas pessoas chamam de passe, que, na doutrina espírita é a transmissão de energia, uma espécie de viagem astral”, explica. Quando indagado sobre o que isso traz de bom para si mesmo, Richard não sabe o que responder. “Nunca pensei dessa forma. Minha vida é tão organizada, tão equilibrada, tão cheia de boas energias, que nunca olhei pelo prisma de precisar receber algum retorno.” Mas que ele vem, ah, isso vem! A essa altura, o leitor deve estar olhando para a própria vida e imaginando a distância entre o que gostaria de fazer e o que realmente pode fazer. A reclamação geral é a falta de tempo para uma atividade cujo único fim seja a satisfação pessoal ou de outros. Mas que tal repensar as prioridades? “Às vezes, é preciso acontecer alguma coisa drástica para o sujeito fazer um balanço. Seria muito bom se isso não fosse necessário, e todos tivessem a sabedoria de perceber que não é necessário correr tanto”, pondera a psicóloga Regina Rozenbaum. Em contrapartida, a psicóloga Sandra Kruel alerta para o risco de essa atividade extra ser mais uma fonte de estresse. “Ela não pode ser encarada como obrigação, exigência, mas como algo prazeroso, que parte da vontade do sujeito”, diz. E é aí que está o segredo de conseguir conciliar rotina e intervalo: quando se quer fazer alguma coisa de verdade, arranja-se tempo e definem-se prioridades. Afinal de contas, o dia tem 24 horas para todos. Cabe a cada um escolher a melhor forma de preenchê-las. |
6 ideias para inovarListas no imperativo são o que há de mais comum. Todas elas mandam fazer isto ou aquilo. Aqui, o objetivo não é ordenar, apenas sugerir uma nova atividade para você se dedicar 1) Aprenda a tocar instrumento Essa é uma atividade desafiadora, mas que traz muito prazer e relaxamento quando cumprida. E, ao contrário do que dizem, não há idade para começar 2) Pratique um esporte radical A lista é grande: rafting, rapel, mountain-bike, mergulho, montanhismo, surfe. Certifique-se da segurança de cada um deles. Se nada disso funcionar para |
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Podem ser postais, selos, moedas, cartões telefônicos, miniaturas ou qualquer outro objeto colecionável. Mas não fique apenas no ajuntamento. Organize e classifique sua coleção por tamanho, período ou modelo |