Sexta, 03 de Setembro de 2010
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Cidade Administrativa

Nasce uma cidade

Novo horizonte se abre para Minas Gerais após a inauguração, no vetor Norte da capital mineira, da Cidade Administrativa, principalmente em termos de gestão pública moderna e integrada

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Capa do Especial Cidade Administrativa 3

Editorial

Novo horizonte se abre para Minas Gerais após a inauguração, no vetor Norte da capital mineira, da Cidade Administrativa, principalmente em termos de gestão pública moderna e integrada

A revista Viver Brasil acompanhou desde o início toda a evolução da construção da Cidade Administrativa que o governador Aécio Neves entrega ao povo mineiro e ao seu funcionalismo como uma das grandes obras – senão a maior – da sua administração. A Cidade Administrativa, projeto do mestre Oscar Niemeyer, é também um marco da engenharia brasileira e foi construída por três consórcios integrados pelas empresas Andrade Gutierrez, Barbosa Mello, Camargo Corrêa, OAS, Via Engenharia, Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e Santa Bárbara, que cumpriram rigorosamente o cronograma estabelecido para as obras. A Viver Brasil fez anteriormente dois suplementos – um circulou em julho de 2009 e outro em janeiro deste ano – e agora entregamos este terceiro que podemos considerar histórico, mostrando a obra finalizada. O governador Aécio Neves, além de colocar Minas no seu lugar, foi audacioso em obras como a Cidade Administrativa, a Linha Verde e a duplicação da avenida Antônio Carlos em parceria com a prefeitura de Belo Horizonte. São obras emblemáticas que deixaram a marca indelével do seu governo e que as próximas gerações vão se lembrar dele como a gente se lembra de JK que foi quem construiu a Antônio Carlos há 50 anos. A Viver Brasil sente-se orgulhosa ao apresentar este novo suplemento da Cidade Administrativa.  

Por Gustavo Cesar de Oliveira
Diretor
gco@revistaviverbrasil.com.br


De mudança

Vice-governador de Minas, Antonio Anastasia, fala da inauguração da Cidade Administrativa como um exemplo de gestão eficiente no poder público

Flávio Penna

Brasília custou muito a se consolidar como capital. A Cidade Administrativa já nasce consolidada? É um processo irreversível?
A Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves já é uma realidade. O cronograma foi minuciosamente elaborado, de forma a permitir que possíveis correções sejam implementadas, o que é natural. Basta pensarmos em nós mesmos, quando mudamos de residência; depois da mudança, temos os ajustes até que tudo fique conforme planejamos.  O processo de consolidação de qualquer ação ou empreendimento é contínuo e, se calcado em bases sólidas, não sofre solução de continuidade.

A concentração leva a um ganho financeiro, com eliminação de despesas de aluguel, circulação de documentos e outras mais. Há ganhos também na dinâmica da administração, na modernização da gestão pública?
Sim. A nova sede da administração pública estadual foi planejada para permitir uma gestão mais eficiente no setor público, melhorando as condições de trabalho dos servidores e otimizando os serviços prestados à população. A integração física de secretarias e órgãos vai agilizar o processo decisório, exatamente para dar maior eficiência ao estado. Temos hoje, por exemplo, o governador Aécio Neves trabalhando no Palácio da Liberdade e o vice-governador num andar do prédio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. São apenas algumas quadras, mas há momentos em que esse deslocamento significa perda de tempo. Na Cidade Administrativa, estaremos a um andar de distância. Imagine a capacidade de resolução de assuntos importantes entre as secretarias de Planejamento e Gestão e Saúde, Educação, e entre tantas outras áreas, até mesmo com a própria vice-governadoria que, ocupando o mesmo espaço físico, poderão potencializar suas ações. É importante lembrar que a transferência refere-se aos setores administrativos que dão sustentação às atividades próprias de governo. Os serviços de atendimento direto ao cidadão permanecem nos prédios que já ocupam, a exemplo da Unidade de Atendimento Integrado da praça Sete, Detran, entre outros.

O senhor admite dificuldades iniciais com as transferências. Elas podem ser potencializadas por ações políticas, considerando que estamos em ano eleitoral?
Não acredito. A Cidade Administrativa simboliza a própria mudança do conceito de gestão pública que estamos implementando no governo de Minas, desde 2003, sob a liderança e determinação do governador Aécio Neves. A administração pública mineira deu passos largos em direção à sua profissionalização com o objetivo único de elevar a qualidade dos serviços prestados à população. O modelo mineiro de gestão pública é aplaudido até mesmo no exterior, onde viramos case do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que leva nossa experiência a outros estados de outros países. No Brasil, temos visto outros estados e até municípios se espelharem no nosso modelo de gestão pública para modernizar suas estruturas administrativas. Portanto, e, sobretudo politicamente, a decisão de construir a Cidade Administrativa, oferecendo maior conforto aos servidores, otimizando as ações do Executivo, dotando de infraestrutura uma região que estava esquecida e, ainda, gerando economia aos cofres públicos do estado, só merece aplausos. Temos plena convicção do reconhecimento do acerto dessa medida.

Como será utilizado o Palácio da Liberdade? Será reservado para recepção a visitas oficiais mais importantes, por exemplo? E o  Palácio dos Despachos?
O Palácio da Liberdade continua como sede do governo de Minas e será o coração do Circuito Cultural Praça da Liberdade. O prédio tem 112 anos e é uma relíquia em estilo eclético. A visitação pública e gratuita acontece, atualmente, no último domingo de cada mês. No ano passado, o Palácio da Liberdade recebeu, de março a julho, 9.100 visitantes. Nos demais prédios da praça da Liberdade, temos já, em parceria com empresas, universidades e outras instituições, destinos culturais e educacionais. Para o orgulho de todos os mineiros, a praça da Liberdade vai se transformar num complexo cultural e educativo da mais alta qualidade tecnológica e modernas instalações, onde os moradores da capital, os visitantes do Interior de Minas, de outros estados e do exterior poderão se divertir e, ao mesmo tempo, expandir seus conhecimentos.  

O governo já definiu ações visando melhorar a região para atrair os servidores ou esta não é uma proposta. Não haverá estímulos à transferência de residência do servidor?
A construção da Cidade Adminis­trativa no bairro Serra Verde não é um fato ou ação isolada, mas está inserida num projeto maior do governo de Minas que é o desenvolvimento do vetor Norte da região metropolitana, que inclui a construção da Linha Verde, a duplicação da avenida Antônio Carlos, a revitalização do Aeroporto Internacional Tancredo Neves e sua transformação em aeroporto industrial. O governo está investindo na mobilidade urbana, que é fator primordial para a sociedade moderna, inclusive destinando recursos para a melhoria da infraestrutura dos municípios desta região.

Foto: Leo Drumond
Foto: Leo Drumond

Um marco para Minas Gerais

Inauguração da Cidade Administrativa reflete uma gestão mais enxuta, integrada, moderna e ecologicamente correta, além de ser mais uma maravilha arquitetada pelas mãos de Oscar Niemeyer

Vanessa de Cobucci

Em funcionamento desde 22 de fevereiro, quando foi ocupada pelos servidores dos primeiros quatro órgãos, de 43, que serão transferidos para a área, a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves é apontada como um marco histórico no desenvolvimento do estado. Segundo o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Oswaldo Borges da Costa Filho, antes da inauguração do complexo, no dia 4 de março, data do centenário de nascimento do ex-presidente Tancredo Neves, o projeto já atraía a atenção de especialistas do Brasil e de vários países. Construído com 1,2 bilhão de reais de recursos próprios da Codemig, empresa de economia mista, com foco no desenvolvimento econômico e de infraestrutura de Minas Gerais, a nova sede do governo mineiro, projetada por Oscar Niemeyer, quebra tabus na administração pública ao reunir em uma só área secretarias e órgãos da administração.

Aécio Neves com operários: “A tendência é que esta seja a região que mais cresça” (foto: divulgação)
Aécio Neves com operários: “A tendência é que esta seja a região que mais cresça” (foto: divulgação)

Ficam no passado a falta de padronização e a redundância de serviços, gastos com o aluguel de imóveis, deslocamentos desnecessários, garantindo a todos os servidores as mesmas condições de trabalho e de infraestrutura. No local, serão unificados 18 secretarias e 25 órgãos públicos da administração direta. “Já recebemos a visita de especialistas da França, Alemanha e Inglaterra, que ficaram impressionados com o projeto, principalmente pela alta tecnologia de engenharia empregada. O mesmo ocorre com representantes de governos de vários estados brasileiros. A mudança representará  economia anual de 92 milhões de reais para o governo. Não se trata de estimativa. Esses dados foram auditados pela Trevisan Consultoria. Numa conta simplista, “toda a estrutura se pagará no decorrer de 10 anos”, explicou o diretor-presidente da Codemig. Segundo dados do governo, a partir de 2010 esses recursos economizados serão destinados ao atendimento à população em áreas de saúde, segurança e educação.

Cidade Administrativa: erguida por nove empreiteiras (fotos: Leo Drumond)
Cidade Administrativa: erguida por nove empreiteiras (fotos: Leo Drumond)

Localizada no bairro Serra Verde, no limite dos municípios de Belo Ho­rizonte, Vespasiano e Santa Luzia, a região onde foi erguida a Cidade Ad­mi­nistrativa apresentava baixo índice de desenvolvimento. A construção da sede do governo mineiro completa outras intervenções do estado para mudar esse antigo perfil da região: como a revitalização do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, o investimento no Aeroporto Industrial, a construção da Linha Verde e a duplicação da avenida Antônio Carlos. “Não tenho dúvida de que não apenas os servidores terão muito conforto e segurança para trabalhar aqui, como estamos iniciando um processo de reconstrução e de desenvolvimento da nossa capital e da região metropolitana. A tendência natural é que esta seja a região que mais cresça pelas próximas décadas. E não foi por acaso que escolhemos o vetor Norte onde os indicadores econômicos são dos mais baixos. Portanto, estamos aquecendo, valorizando uma região. Essa valorização já ocorreu de forma muito clara e vigorosa, mas acontecerá ainda de forma mais vigorosa no futuro,” declarou o governador Aécio Neves.

Prédio-inteligente: economia de energia e otimização do uso de água
Prédio-inteligente: economia de energia e otimização do uso de água

Para a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vi­lhe­na, a Cidade Administrativa tor­na-se não só uma referência pelo projeto arquitetônico e técnicas de engenharia quanto um marco para o desenvolvimento do vetor Norte. “Aquela região ficou muitos anos abandonada, sem receber investimentos. Agora, haverá um processo natural de expansão para a área. Reunir todas as secretarias num só complexo, além da economia de recursos, representa ganho no desem­penho e eficiência, com todos trabalhando de forma integrada. An­tes, apenas 50% dos servidores tinham acesso à internet, agora, 98% terão acesso à rede mundial, e cada servidor terá sua própria estação de trabalho”, explicou Vilhe­na. O padrão adotado na distribuição dos setores segue o modelo das grandes corporações empresariais, com ambientes unificados, separados apenas por divisórias de meia-altura. Somente as salas dos secretários não seguem esse conceito. Já os serviços de atendimento direto ao cidadão não serão transferidos para a nova sede.

Oswaldo Borges: “Hoje planejamos a capital para as próximas cinco décadas” (foto: Tião Mourão)
Oswaldo Borges: “Hoje planejamos a capital para as próximas cinco décadas” (foto: Tião Mourão)

O complexo foi construído por nove empreiteiras que venceram o processo licitatório: Andrade Gu­tierrez, Barbosa Mello, Camargo Corrêa, Mendes Junior, Norberto Odebrecht, Construtora OAS, Queiroz Galvão, Santa Bárbara Engenharia e Via Engenharia. Ao todo, cerca de cinco mil empregos diretos foram gerados durante a execução da obra. Os edifícios seguem o modelo de prédio-inteligente, que economiza energia e otimiza a utilização de água potável. Segundo o presidente da Codemig, uma série de detalhes torna as construções referenciais de alta tecnologia. “É a maior obra de edificação em um só local, ou seja, em área construída, da América Latina. O projeto de Niemeyer extrapola a beleza arquitetônica, pois há uma preocupação com a funcionalidade e com o desenvolvimento sustentável.” Entre os diferenciais, o presidente da Codemig cita a tecnologia das janelas, de vidro duplo com persianas internas, o que as torna termicamente eficientes, reduzindo 70% a passagem de calor e de ruídos. O sistema de ar-condicionado, um dos maiores do país, consome metade de energia dos modelos convencionais. Nos banheiros, foi empregado sistema de descarga a vácuo, similar ao utilizado em aviões, que reduz em 80% o gasto de água nos vasos sanitários. Softwares vão permitir o uso racional dos elevadores. Tanto a energia elétrica quanto o ar-condicionado serão controlados por uma central que evitará refrigeração ou iluminação de ambientes ociosos.

Vista da Cidade Administrativa: maior área construída da América Latina (foto: Leo Drumond)
Vista da Cidade Administrativa: maior área construída da América Latina (foto: Leo Drumond)

De dimensões gigantescas, a área do terreno corresponde a duas vezes e meia ao da montadora Fiat, em Betim.  A reserva ecológica que circunda o complexo será transformada no Parque Estadual Serra Verde, o que o torna o segundo maior em área da região metropolitana, depois do Mangabei­ras. O parque será aberto à visitação pública até o final deste ano. A sede do governo funcionará no Pa­lácio Tiradentes, um edifício que ba­te recordes mundiais, primeiro por ser o maior prédio suspenso em concreto do mundo, e por apresentar um vão livre de 146 metros de comprimento por 20 de largura. As secretarias serão divididas em dois prédios (o primeiro batizado de Mi­nas e, o segundo, Gerais), e entre ambos foi erguido o centro de convivência, que funcionará como um shopping, mesclando lojas, postos bancários, restaurantes e serviços. Anexo ao Palácio Tiradentes fica o auditório Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, com 500 lugares. Também haverá unidades de apoio para equipamentos. Ao todo, vão trabalhar na Cidade Admi­nis­trativa 16,5 mil servidores públicos. A previsão é de que cinco mil pessoas circulem diariamente pelo complexo.

A secretária Renata Vilhena almoça no restaurante no centro de convivência (foto: Carlos Alberto/Secom MG)
A secretária Renata Vilhena almoça no restaurante no centro de convivência (foto: Carlos Alberto/Secom MG)

Segundo Oswaldo Borges, o escritório de Oscar Niemeyer desenvolve uma pesquisa para descobrir projetos similares de construções públicas em todo o mundo. “Até agora, temos conhecimento de modelos de centros administrativos que reúnem em uma área vários prédios isolados, como é o conceito da UFMG, no campus Pampulha. Por enquanto não encontramos nenhum modelo de complexo único, centralizado.” De acordo com o cronograma de transferência do funcionalismo, até o final de outubro todos os 43 órgãos estarão na nova sede. Com a mudança, o Circuito Cultural Praça da Liberdade será aberto ao público. A primeira inauguração, marcada para março, será o prédio do Espaço TIM UFMG do Conhecimento, e todo o complexo da praça estará em pleno funcionamento até o final de 2011, quando será inaugurado o último empreendimento, o Circuito Cultural Banco do Brasil. “O Circuito da Praça da Liberdade é um dos mais ousados projetos culturais do país”, elogiou o presidente da Codemig. Para Oswaldo Borges, só o tempo comprova as atitudes visionárias dos governantes. “Quando o Palácio da Liberdade foi construído, pensava-se que ele pudesse ser o centro do governo por muito mais de 100 anos. Lembrando o que disse o governador Aécio, quando anunciou o projeto da Cidade Administrativa, hoje planejamos a nossa capital para as próximas cinco décadas.”

foto: Leo Drumond
foto: Leo Drumond

Mês a mês

Raquel Ayres

Para garantir maior comodidade aos servidores, a transferência de secretarias e órgãos do governo estadual de Minas Gerais está sendo feita de forma gradual, entre fevereiro e outubro deste ano. Por mês, de 1,8 mil a 1,9 mil pessoas
chegarão às suas novas instalações de trabalho na Cidade Administrativa, onde toda a infraestrutura necessária estará à disposição para que todos possam trabalhar de forma prática e funcional.

Cronograma de Mudança

22 DE FEVEREIRO

  • Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag) 
  • Secretaria de Estado de Governo
  • Gabinete Militar do governador
  • Estado para Resultados

1º DE MARÇO

  • Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema)
  • Governadoria
  • Vice-governadoria

FINAL DE MARÇO

  • Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg)
  • Instituto de Desenvolvimento Industrial (Indi)
  • Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede)

FINAL DE ABRIL

  • Corpo de Bombeiros
  • Polícia Civil
  • Polícia Militar
  • Secretaria de Estado de Defesa Social

FINAL DE MAIO

  • Secretaria de Estado de Cultura
  • Secretaria de Estado de Fazenda
  • Minas Gerais Participações (MGP)

FINAL DE JUNHO

  • Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop)
  • Departamento de Obras Públicas (Deop)
  • Departamento de Estradas de Rodagem (DER)
  • Instituto de Desenvolvi­mento do Norte e Nordeste de Minas
  • Secretaria de Estado para Assuntos de Reforma Agrária 
  • Instituto de Terras (Iter)

FINAL DE JULHO

  • Secretaria de Estado de Educação
  • Loteria Mineira
  • Secretaria de Ciência,Tecnologia e Ensino Superior
  • Instituto de Geociências Aplicadas (IGA)
  • Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)
  • Instituto Mineiro de Agropécuária (IMA)
  • Fundação Rural Mineira (Ruralminas)

FINAL DE AGOSTO

  • Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento
  • Secretaria de Estado de Saúde

FINAL DE SETEMBRO

  • Advocacia Geral do Estado
  • Auditoria Geral do Estado
  • Ouvidoria Geral do Estado
  • Secretaria de Estado de Esporte e da Juventude
  • Fundação Caio Martins
  • Secretaria de Estado de Turismo

FINAL DE OUTUBRO

  • Companhia de Tecnologia da Informação (Prodemge) 
  • Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana 
  • Departamento Estadual de Telecomunicações (Detel)
  • Companhia de Habitação (Cohab)
  • Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social

De casa nova

Está no dicionário Aurélio: mudar é sinônimo de, entre outras coisas, “pôr em outro lugar, dispor de outro modo, remover, deslocar”. Aqui em Minas, alguns servidores públicos estão vivenciando o vocábulo desde fevereiro, quando se iniciou a transferência das secretarias para a Cidade Administrativa. A revista Viver Brasil esteve presente, em 22 de fevereiro, no primeiro dia de trabalho dos funcionários das secretarias de Planejamento e do Governo e colheu depoimentos sobre as impressões a respeito da mudança e os possíveis impactos.

Texto: Nayara Menezes e Raquel Ayres
Fotos: Pedro Vilela

"Estou adorando tudo aqui. Eu gosto de mudanças, do que é novo. O lugar é bonito, tem uma energia boa. É muito bom estar todo mundo trabalhando junto, acredito que haverá mais integração e proximidade entre os funcionários. Apesar de ser mais distante da minha casa, levei o mesmo tempo, porque vim de metrô. Mas já estou até providenciando minha mudança aqui pra perto, pois a região é boa e tende a desenvolver ainda mais. Nada melhor que trabalhar o mais próximo possível do trabalho."

Rosângela Rodrigues Castro,
secretária de gabinete

Vinicius Marins, empreendedor
da Secretaria de Planejamento

"Sou um dos entusiastas do projeto. Acompanho desde o início e estou muito contente com sua realização. Acredito que há muitos pontos positivos, como a modernidade do projeto de gestão, a facilidade no deslocamento entre os órgãos, o melhor atendimento ao cidadão, que poderá resolver praticamente tudo aqui. Estou feliz em participar de processo como esse, que será um marco para a cidade, assim como foi a construção das obras na lagoa da Pampulha na década de 60. Sei que essa será uma experiência única para todos nós. No futuro poderei dizer que participei de um projeto que promete marcar a história."

Leonardo Carvalho Ladeira,
servidor efetivo especialista em políticas públicas e gestão governamental

"Acho a ideia de unificar o serviço muito interessante. Para nossa equipe, em especial, será muito melhor, pois trabalhamos acompanhando projetos em vários órgãos do estado. Gastávamos 2 horas e meia só em deslocamento entre as secretarias. Agora só vamos pegar o elevador. Acho que essa fase é de adaptação, tem a dificuldade em descobrir a melhor forma de chegar aqui, o melhor caminho, mas acredito que logo todo mundo já vai estar bem ambientado. Afinal, o ambiente aqui é muito agradável, espaçoso, acolhedor. Há ainda algumas questões para serem resolvidas, como a do estacionamento que é distante e pequeno, mas no geral, nossa primeira impressão foi muito boa."

José Martins, advogado da assessoria jurídica

"As mudanças exigem adaptação a uma nova realidade. E como em toda cidade grande, a tendência é que os serviços saiam dos centros para serem concentrados, como está acontecendo aqui. Acredito que nenhuma cidade do Brasil terá um centro cultural como o que será criado na região da praça da Liberdade, antigo local de funcionamento de algumas secretarias. Tam­bém gostei da ideia do ônibus seletivo, com ar-condicionado, vindo direto para cá. Assim, não precisarei enfrentar trânsito todo dia."

Tuliana Vasconcelos,
especialista em políticas pú­­­blicas
e gestão governamental

"Sem dúvida a estrutura daqui é ótima. O ambiente é mais espaçoso, agradável, tudo novo. A proximidade entre as secretarias facilitará bastante o nosso trabalho. O único ponto negativo é não ter vagas de estacionamento para todos os funcionários, pois isso impede que a gente venha de carro e possa ir daqui direto para outros compromissos. Espero que em breve tenha uma solução, nem que seja um estacionamento privado próximo ao prédio."

Paulo Jasmim,
integrante do corpo técnico

"Pra mim, como para a maioria, o único ponto negativo foi a distância. Mas acredito que isso será minimizado com as novas linhas que serão colocadas para atender os funcionários que, assim como eu, moram na região Centro-Sul. A estrutura daqui é muito melhor, os equipamentos são novos. Acho também que no futuro vamos colher os frutos dessa economia que o estado fará com os aluguéis. Esperamos que o dinheiro poupado pos­sa agregar-se ao nosso salário."

Poliana Lopes,
especialista em políticas públicas e gestão governamental

"Achei o ambiente de trabalho muito agradável, gostei da facilidade de deslocamento entre as secretarias, pois vai facilitar bastante nosso trânsito nas reuniões, o que tornará o trabalho mais eficiente. Para mim, o único problema daqui é a distância, porque antes gastava apenas 15 minutos e hoje foram 45. Então vou gastar mais tempo em deslocamento. Mas sei que durante o trabalho o tempo será mais bem aproveitado."

João Luiz Soares,
trabalha no projeto estruturador Descomplicar

"Uma mudança deste porte não é elementar. Tudo que está sendo proporcionado aqui é de alta qualidade, desde mesas, cadeiras até a iluminação impecável. Um ponto muito importante é a sinergia entre as equipes. É notável que será mais rápido e fácil de nos comunicarmos, decidir, esclarecer. Este ambiente open-office aproxima as pessoas. Acabei de ir até a estação de trabalho de uma colega que antigamente ficava em outro prédio. Às vezes precisava falar com ela e não conseguia nem contato por telefone. É interessante observar o quanto o grupo que coordena a mudança está envolvido, estimulado e transmitindo para nós um bom clima. Vemos que estão tomando providências que fazem a diferença."

Áurea Regina Franco de Carvalho,
especialista em políticas públicas e gestão governamental

“Vejo a mudança de forma muito positiva. Consigo perceber que todos sentem a grandiosidade do projeto, sua importância para o desenvolvimento do setor Norte. Ao mesmo tempo parece que o ambiente já está melhor, todas as secretarias com o mesmo mobiliário; uma preocupação com a ergonomia e o conforto do funcionário. Há espaço para guardarmos bolsas e materiais. Fomos recebidos até com chocolates de boas-vindas, um luxo. As condições anteriores eram precárias; nem em todas salas havia ar-condicionado e até o café melhorou. Eu me vejo num documentário."

Maria da Consolação Lourenço, auxiliar de
serviços especializados

"Eu gastava no mínimo 1h40 para ir da minha casa, em Justinópolis, até o trabalho, em Lourdes. Pegava o trem até a estação central, de lá o ônibus até o centro e depois para o Lourdes. Sem falar que acho que mudanças são sempre boas. O local de trabalho é mais confortável. Estou entusiasmada."

Bruno Sanches Perdigão,
especialista em políticas públicas e gestão governamental

"A estrutura, além de ter boas instalações e maquinário novo, aproxima as pessoas e os órgãos do estado. Acredito que realmente é uma iniciativa importante para desenvolver o setor Norte. Afinal, serão 15 mil servidores com demandas que trarão consumo de massa para uma parte da cidade que ainda não está tão desenvolvida. Haverá a chance de abrir novos empreendimentos. Também vai aliviar o trânsito para o lado da praça da Liberdade, onde funcionavam as secretarias.”

Área verde: 250 mil m², equivalentes a 35 campos de futebol (fotos: Pedro Vilela)
Área verde: 250 mil m², equivalentes a 35 campos de futebol (fotos: Pedro Vilela)

O verde predomina

Um jardim seria pouco para uma cidade. Por isso, um parque compõe a área que abriga a nova sede do governo de Minas

Nayara Menezes

Um projeto verde que estivesse em plena harmonia com a obra monumental idealizada por Oscar Niemeyer. Esse foi o desafio dos paisagistas Thiers Matos e Flávia Renault. “A única orientação dele foi que não houvesse nada que tapasse os prédios,” conta Flávia. A exigência é traço característico de um dos mais renomados arquitetos brasileiros, que gosta que suas obras saltem aos olhos do público, sem interferências.

Assim como foi feito em Bra­sília, o projeto paisagístico será simples. Plantas dos biomas brasileiros, em especial, espécies da mata atlântica e cerrado, nativas de Minas Gerais foram escolhidas para compor os 250 mil m2 de área verde. Para se ter noção da grandiosidade do projeto, no espaço caberiam mais de 35 campos de futebol. “Será um dos maiores canteiros públicos do Brasil”, comenta Flávia. Ela explica que o projeto não está sendo tratado apenas como um jardim, mas sim como um parque. O local vai funcionar ainda como germoplasma, ou seja, banco de material genético da flora brasileira.

Ainda não dá para se ter uma ideia precisa de como ficará o projeto paisagístico, já que muitas mudas levarão anos para crescer. Mas, segundo os paisagistas, a área que hoje parece um descampado dará lugar a grande mata, com árvores frutíferas, como jabuticabeiras, pequizeiros e goiabeiras. “As plantas foram selecionadas também com a intenção de atrair a fauna, como pássaros.”  Quaresmeiras, ipês e palmeiras também farão parte do parque.

As únicas espécies não nativas da flora brasileira, segundo a paisagista, serão as palmeiras imperiais, que fazem um ligação histórica com a praça da Liberdade, primeira sede do governo de Minas. “Serão cerca de 200 palmeiras que ornamentarão o caminho que leva até o Palácio do Governador”, afirma a paisagista. Cerca de 30 mil espécies de sálvias já formam o triângulo no centro do jardim, uma alusão à bandeira de Minas. Um projeto simples, mas, sem dúvida, grandioso.

Flávia Renault e Thiers Matos: responsáveis pelo projeto paisagístico
Flávia Renault e Thiers Matos: responsáveis pelo projeto paisagístico

Diversidade

Plantas e flores:

  • Lírios Amarelos
  • Agapanto azul
  • Orquídea terrestre
  • Sálvia
  • Estrelícia
  • Guapuruvu 
  • Erintrinas 
  • Palmeiras imperiais

Árvores frutíferas:

  • Pequizeiros
  • Jabuticabeiras
  • Goiabeiras 
  • Cagaitas

Canteiro de Obras

Diretores dos três consórcios responsáveis pela construção da Cidade Administrativa contam alguns segredos tecnológicos que permitiram que o cronograma fosse cumprido sem atrasos

Raquel Ayres

Consórcio 1

Camargo Corrêa, Mendes Júnior e Santa Bárbara Engenharia

Responsabilidades: construção do auditório, do Palácio do Governo e infraestrutura (abertura de ruas, terraplenagem, conformação de terreno, drenagem, redes de águas pluviais e de esgoto e contenção de taludes).

Utilização de tecnologia e mão-de-obra extremamente sofisticada. Esta combinação foi fundamental para garantir ao consórcio formado pelas construtoras Camargo Corrêa, Mendes Júnior e Santa Bárbara Engenharia sucesso no desafio de executar mais um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. “Pela utilização farta de linhas curvas na estrutura, as obras exigem apuro técnico significativo na execução. Os projetos de Niemeyer são únicos. Este, especialmente, por ter o maior vão livre suspenso do mundo em obras prediais. A técnica de execução foi exigente e refinada”, garante o superintendente regional da Camargo Corrêa em Minas Gerais, Eduardo de Camargo. Para ele, a Cidade Administrativa será proporcionalmente tão importante para os mineiros quanto Brasília foi para quem lá vivia à época de sua construção.

Consórcio 2

Construtora Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS

Responsabilidades: execução das obras do lote 2, composto por um prédio de 17 pavimentos que abrigará secretarias de Estado, com área construída de 116,2 mil m2.

A construção exigiu que a Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS buscassem disponibilizar recursos em equipamentos, tecnologia, logística, em função da execução das fachadas de alumínio e vidro com sistema unitizado usado nas edificações mais modernas do mundo. Também com intuito de cumprir prazos com qualidade, segurança, responsabilidade social e respeito ao meio ambiente para que tanto cliente como comunidade fossem plenamente atendidos. “Todos os painéis são pré-fabricados, resumindo o processo in loco à instalação da fachada em painel de vidro duplo insulado com persiana embutida responsável pelo tratamento térmico e acústico do edifício, racionalizando o gasto de energia”, diz o diretor de contrato do consórcio, Fernando Victor Gondim Ribeiro.

Fotos: Pedro Vilela
Fotos: Pedro Vilela

Consórcio 3

Construtora Andrade Gutierrez, Via Engenharia e Barbosa Mello

Responsabilidades: execução das obras do lote 3, composto por um prédio de 17 pavimentos que abrigará secretarias de Estado, com área construída de 1.16,2 mil m2, a construção do centro de convivência, uma coroa circular com 60 m de diâmetro e 7.556 m2 de área, além da execução de central de água gelada com 3.326 m2 de área construída que atenderá às secretarias 1 e 2 e, emergencialmente, ao Palácio do Governo.

“A solução de pré-montar as vigas e lajes proporcionou redução no prazo da armação, com impacto no ciclo da concretagem dos setores e pavimentos do prédio 2”, destaca o superintendente da Andrade Gutierrez, Bruno Villani, a respeito da industrialização do processo de armação das vigas e lajes. Tais estruturas foram cortadas, dobradas e pré-montadas em central de armação. Para fabricação e lançamento de todo concreto utilizado na obra foi instalado no canteiro industrial uma usina de concreto. As fachadas dos edifícios contarão com pano de vidro constituído de fechamento duplo com sistema de venezianas internas que proporcionarão flexibilidade na iluminação.

Rafael Prates: entre metrô e ônibus, cerca de uma hora para se deslocar do bairro Prado até a CA
Rafael Prates: entre metrô e ônibus, cerca de uma hora para se deslocar do bairro Prado até a CA

Vou de Metrô

Grande maioria dos servidores que irão trabalhar na Cidade Administrativa optou pelo uso do transporte público para se deslocar

Texto: Cláudia Rezende
Fotos: Pedro Vilela

Desde o dia 22 de fevereiro, quase 2 mil pessoas deixaram de ir para o centro de Belo Horizonte para trabalhar. O percurso que elas fazem, agora, é para a região de Venda Nova. São servidores do estado que vão para a Cidade Administrativa (CA), a nova sede do governo estadual, no bairro Serra Verde. Até o final do ano, o número de funcionários públicos que terão que fazer o mesmo trajeto chegará a 16,5 mil, sendo que 73% deles vão preferir utilizar o transporte público.

Para tornar possível o deslocamento desses milhares de funcionários para a CA – mais os cerca de 4 mil visitantes diários –, o sistema de transporte público de Belo Horizonte precisou ser rearticulado e reforçado. A base principal é o incentivo ao uso do metrô, que, nos horários de pico, faz o trajeto centro/Venda Nova praticamente vazio. E é nesse período que os servidores estão indo para o Serra Verde. “O metrô é um meio mais ágil, e os funcionários vão utilizá-lo no contra-fluxo do grande fluxo de passageiros, na ida e na volta”, observou a secretária de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Renata Vilhena.

Assim, foram criadas sete novas linhas – totalizando cem ônibus – pela Empresa de Trânsito e Transporte de Belo Horizonte, a BHTrans. Seis delas fazem conexão com estações do metrô. No momento inicial, não são todas as linhas que estão em plena operação, mas, de acordo com Renata Vilhena, o sistema estará em completo funcionamento até outubro deste ano.

A estação Vilarinho, em Venda Nova, é a que fica mais próxima da Cidade Administrativa, a cerca de 5 km, o que dá, aproximadamente, sete minutos de carro ou de ônibus. Como muitos dos servidores pegarão ônibus ou trem para ir em direção à estação, foi criada uma linha de ônibus fretado, gratuito, com capacidade para levar 120 passageiros até a CA.

“O ônibus fretado vai levar somente os servidores, que vão se identificar com o crachá da Cidade Administrativa”, destacou. Segundo Renata Vilhena, nos horários de pico, os coletivos normais vão até a CA. Fora deles, os fretados é que irão completar o trajeto. Ao chegar à cidade, o funcionário poderá utilizar os ônibus de circulação interna, já que há pontos muito distantes dos outros. Até o mês de setembro, será colocado em circulação um ônibus especial, com ar-condicionado e tarifa mais cara, que sairá da Savassi, Centro-Sul de Belo Horizonte, com destino à Cidade Administrativa.

Raissa Veloso: o metrô foi o transporte escolhido para se deslocar até a Cidade Administrativa
Raissa Veloso: o metrô foi o transporte escolhido para se deslocar até a Cidade Administrativa

Com relação aos servidores que moram em municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a secretária informou que 80% deles já utilizam o serviço metropolitano de transporte, coordenado pela Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop). Como os demais funcionários que irão utilizar ônibus e metrô, caso precisem pegar dois ou mais veículos, terão direito de usar a integração. A partir desse sistema, há desconto na passagem de menor valor. Por exemplo, se pagam 2,30 reais em um coletivo e 1,80 real no metrô, a tarifa do metrô vai sair por 90 centavos. Para facilitar o uso da integração, os crachás dos servidores também servirão como cartão do BHBus para que possam carregar os créditos do sistema de transporte, que não é custeado pelo governo do estado.

Para quem fez a opção de ir de carro particular para a Cidade Administrativa, há vagas de estacionamento, mas algumas são mais baratas e outras, mais caras. De acordo com a secretária, cada órgão do governo está recebendo um determinado número de lugares para os carros com mensalidade de um centavo. “Cada gestor vai definir, dentro de sua unidade, quem deverá receber a vaga”, informou.

Os funcionários que não tiverem direito de usar o espaço terão o estacionamento comum, com diária de 20 reais. A expectativa é de que cerca de 4.320 servidores (27% do total) utilizem veículos particulares para ir até o Serra Verde. Ao todo, estarão disponíveis 3.946 vagas de estacionamento e haverá lugares no subsolo dos prédios para veículos oficiais.

Para tentar reduzir o número de carros que vão para a CA, a Seplag criou o Projeto Melhorar, que vai incentivar a carona. Interessados em pegar ou oferecer lugar no veículo para a cidade deverão se cadastrar no site HTTP://melhoramg.meioambiente.mg.gov.br e informar onde moram. O sistema vai cruzar as informações, colocando em contato uma pessoa que reside próxima a outra para que possam combinar a forma de ir juntas para o trabalho.

O arquiteto Rafael Prates Yanni, que trabalha na Seplag, está torcendo para que o sistema de caronas dê certo. Ele mora no bairro Prado, na região Noroeste de Belo Horizonte e, enquanto não consegue um colega para ir de carro, fez a opção por utilizar metrô e ônibus. “Sou usuário convicto do transporte coletivo. Vou andar 15 minutos a pé até a estação Carlos Prates. Em 35 minutos, devo chegar à estação Vilarinho e, lá, pego o ônibus fretado. Devo levar uma hora para chegar”, disse. Quando trabalhava no bairro Funcionários, Centro-Sul da capital, ele ia para o serviço de táxi lotação e voltava a pé para casa.

O metrô também foi o transporte escolhido pela gestora Raissa Veloso, que trabalha na Seplag. Antes da mudança, ela ia de casa, no bairro Anchieta, Cen­tro-Sul, ao trabalho, no Funcio­ná­rios, de ônibus. “Acho que essa mudança vai melhorar muito a qua­lidade de vida em Belo Hori­zonte, diminuindo o fluxo de veículos no centro”, disse. Segundo ela, a maioria dos colegas de trabalho está optando pelo transporte coletivo.

Números

Como moram os servidores do estado em %

Como pretendem ir para a Cidade Administrativa
Transporte coletivo 73%
Transporte particular 27%

Novas linhas da BHTrans
6350 – Estação Barreiro/Estação Vilarinho
65 – Centro de BH/Estação Vilarinho
8650 – Estação São Gabriel/Cidade Administrativa
642 – Estação Venda Nova/Estação Vilarinho
66 – Savassi/Estação Vilarinho
67 – Centro/Estação Vilarinho
Seletivo Cidade Administrativa – Savassi/Cidade Administrativa

Estacionamento para o transporte particular
Vagas   Quantidade
Veículos de serviços  558
Veículos oficiais  469
Servidores   2.672
Visitantes   247
Total   3.946

Valores do estacionamento
Mensalistas (definidos por órgão) R$ 0,01/mês
Demais usuários

  • Carro   R$ 4/hora
      R$ 3 a partir da segunda hora
      R$ 20 a diária
      R$ 5, nos finais de semana a cada 4 horas
  • Motos
    R$ 2/hora
    R$ 1 a partir da segunda hora
    R$ 8 a diária

Transporte RMBH – Setop 
Cidade : Contagem 

Conexão importante Estação Eldorado

% de servidores da RMBH: 34

Linha 

1380 – Industrial/Cardoso B
1630 – Cascata/Estação Eldorado, 
1680 – Petrovale/Estação Eldorado  

Cidade : Santa Luzia

Conexão importante Estação São Gabriel 

 % de servidores da RMBH: 13 

Linha 

4160 – Imperial/Estação São Gabriel,     13         
4020 – Kennedy/Estação Vilarinho/Venda Nova  

Cidade : Sabará 

Conexão importante Estação José Cândido

 % de servidores da RMBH: 11

Linha 

4988 – Sabará/BH, 4665 – General Carneiro/BH

Cidade : Ribeirão das Neves

Conexão importante Estação Vilarinho  

 % de servidores da RMBH: 10

Linha 
5640 – Tocantins/ Estação Vilarinho/ Venda Nova

5460 – Inácia de Carvalho/ Estação Vilarinho/ Venda Nova 

Cidade : Nova Lima

Conexão importante Estação Lagoinha 

 % de servidores da RMBH: 5

Linha     

3832 – Nova Lima/ Belo Horizonte

3838 – Rio Acima/ Belo Horizonte   

Cidade : Ibirité 

Conexão importante Estação Eldorado/ Lagoinha 

% de servidores da RMBH: 4

Linha
3500 – Ibirité / Estação Eldorado (Lagoinha)
3040 – Lago Azul / Cidade Industrial  (Eldorado)  

Opções de Acesso

Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano promove algumas mudanças e estuda a criação de novas linhas para atender ao aumento da demanda na região Norte de BH

Texto: Cláudia Rezende

Foto: Alexandre Mota

A transferência dos 16,5 mil servidores para a Cidade Administrativa, no bairro Serra Verde, região de Venda Nova, exigiu adaptações também no transporte metropolitano, já que há funcionários que precisam se deslocar das cidades vizinhas para Belo Horizonte. Por parte do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram), existem mudanças em curso para facilitar a vida de quem vai para o local. Entre elas, estão a dinamização e aperfeiçoamento do uso da bilhetagem eletrônica e o estudo de criação de quatro novas linhas para atender à região. De acordo com a diretora de comunicação e marketing do Sintram, Valéria Reis Couto, o sindicato apoia a iniciativa do governo de transferência dos órgãos para a Cidade Administrativa. “Achamos que vai representar um ganho em agilidade e produtividade. O Sintram está se estruturando para atender à população e o servidor com qualidade”, diz. 

A entidade congrega, hoje, 48 empresas de ônibus que fazem o transporte intermunicipal na Região Metropolitana de Belo Horizonte, reunindo a frota com 3 mil veículos, 16 mil operadores e cerca de 19,2 milhões de passageiros por mês, conforme dados de 2009. Segundo Valéria Couto, atualmente, seis linhas do Sintram atendem ao vetor Norte, mas, conforme o aumento da demanda e o movimento dos usuários da Cidade Administrativa, poderão ser criadas mais quatro linhas. Os itinerários ainda não estão definidos. “Tudo será avaliado de acordo com a transferência dos servidores”, afirma. Outro projeto em estudo pelo Sintram é a implantação de um ônibus executivo, com ar-condicionado, para fazer o percurso. Além disso, existem cerca de 60 linhas que passam pela MG-010 e podem ajudar no deslocamento até a Cidade Administrativa.

Em fase de implantação, o sistema de integração entre as linhas do Sintram – que vai permitir desconto de 50% na segunda passagem – também tem o objetivo de facilitar a movimentação para o Serra Verde. Hoje, só existem coletivos metropolitanos e os da BHTrans. De acordo com informações do depar­tamento técnico do sindicato, para diminuir o fluxo de veículos na região central da capital e dar mais opções para o usuário, serão construídos terminais metropolitanos. O passageiro poderá pegar um coletivo de linha alimentadora, descer em uma dessas unidades e escolher outro que possa levá-lo com mais rapidez e conforto ao destino. Serão 20 terminais, construídos pela Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop) e utilizados pelas empresas que formam o Sintram. O mais próximo da Cidade Adminis­trativa será o Linha Verde, no bairro Morro Alto, em Vespasiano, na região metropolitana.

Ações do Sintram para a Cidade Administrativa

  • Ampliação e melhoria do sistema de bilhetagem eletrônica
  • Implantação da integração entre os ônibus intermunicipais
  • Utilização do cartão Ótimo nas estações do metrô
  • Criação de postos de venda do Ótimo na RMBH, estações do metrô e Cidade Administrativa
  • Estudo para criação de seis novas linhas para o vetor Norte
  • Estudo de implantação de ônibus executivo para a Cidade Administrativa

Onde consultar endereços de postos do Ótimo:
www.otimoonline.com.br
Telefone: (31) 3516-6000

O Sintram
48 empresas associadas
16 mil operadores
3 mil ônibus
Idade média da frota de 4 anos e meio
Atende a Região Metropolitana de Belo Horizonte

Fonte: Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram)

Valéria Reis Couto: “O Sintram está se estruturando para atender ao servidor
Valéria Reis Couto: “O Sintram está se estruturando para atender ao servidor"

Valéria Couto afirma que o grande avanço obtido pelo Sintram com a mudança do governo estadual para a Cidade Admi­nis­trativa foi a unificação do sistema de bilhetagem eletrônica Ótimo (das linhas intermunicipais) e o BHBus (da BHTrans) em um só cartão, que também funcionará como crachá de acesso do funcionário ao complexo. “O servidor não vai precisar usar dois cartões. Terá tudo dentro de um só”, diz. Dentro da Cidade Ad­mi­nis­trativa, será montado um posto de carga do Ótimo para que as pessoas não precisem se deslocar para colocar créditos no cartão.

De acordo com o gerente de bilhetagem eletrônica do Ótimo, Ri­cardo Porichis, o sistema unificado foi implantado por decisão do governo. Cada cartão terá chip com três áreas separadas – uma para o cartão Ótimo, outra para o BHBus e a última para utilização como servidor na Cidade Administrativa. Os leitores dos ônibus e da sede do estado, para cada função, vão reconhecer o chip. “É como se fossem três cartões em um só.” Cada funcionário terá um crachá personalizado. Assim, é possível saber de quem são os cartões e os créditos da bilhetagem eletrônica. Em fevereiro, chegou ao Sintram o cadastro de 3.993 servidores para validação do Ótimo. O sistema integrado deve estar em pleno funcionamento até o final de março.

O Ótimo foi implantado há um ano e meio e, hoje, tem cerca de 500 mil usuários. De acordo com Ricardo Po­richis, serão instalados 10 novos pontos de venda de créditos em Con­tagem, Santa Luzia, Pedro Leopoldo, Matozinhos, Sabará, Betim, Bru­ma­dinho, Igarapé e Nova Lima. Ele também informa que, até o final de março, a bilhetagem eletrônica do Sintram estará instalada nas estações do me­trô. Assim, o usuário poderá utilizar o mesmo cartão do ônibus metro­po­litano para pagar a passagem dos trens urbanos. Segundo Ricardo Po­richs, serão montados 50 postos de vendas do Ótimo nas estações.

Divisórias baixas entre as mesas: proposta de facilitar a comunicação
Divisórias baixas entre as mesas: proposta de facilitar a comunicação

Hora da Mudança

Antes da transferência de 16,5 mil servidores para a Cidade Administrativa, duas empresas cuidaram para que tudo estivesse organizado em detalhes

Ana arsênio e Lilian Lobato

Colocar a máquina em funcionamento. Literalmente esta é a função da Accenture, empresa especializada em consultoria, tecnologia e terceirização de processos de negócios, contratada em concorrido processo licitatório, em janeiro de 2009, para operacionalizar a Cidade Administrativa, nova sede do governo de Minas. “Vamos colocar o avião em velocidade de cruzeiro”, resume o consultor da Accenture, Cesar Pilli. A empresa, cuja matriz fica nos Estados Unidos, atua em 120 países. No Brasil, possui escritórios em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Cesar Pilli: “Vamos colocar o avião em velocidade de cruzeiro
Cesar Pilli: “Vamos colocar o avião em velocidade de cruzeiro"

“Estamos em Minas há mais de 20 anos, com clientes tanto na iniciativa privada quanto no setor público”, diz Pilli. Segundo ele, sua empresa veio suprir a necessidade do governo do estado de integrar a construção à operação da Cidade Administrativa. “Toda obra deste porte tem que ser operacionalizada para que não corra o risco de se tornar um elefante branco. Fica pronta e não se executa a mudança”, argumenta.

O papel da Accenture neste contexto, de acordo ainda com o consultor, é definir, entre outros, modelos de transporte, alimentação, acesso à internet, enfim, ações que se coadulem visando ainda a diminuição de custos. A ideia, segundo Pilli, é reduzir os custos do governo em 85 milhões de reais por ano com a máquina da administração do estado. “Com a concentração das secretarias na Cidade Administrativa, por exemplo, teremos redução em serviços de locação de imóveis, água, correios e vários outros”, exemplifica.

Móveis iguais confeccionados por 17 fornecedores
Móveis iguais confeccionados por 17 fornecedores

Segundo Cesar Pilli, para fazer a operacionalização da Cidade Administrativa, a Accenture se baseia em três fases. A primeira delas, iniciada em janeiro de 2009, logo após a empresa vencer o processo licitatório, foi a definição dos modelos de negócios e concepção de operação. Neste processo inicial, que teve a duração de seis meses, foram trabalhados seis grandes grupos: transporte, alimentação, utilities (energia, água), escritório, tecnologia de informação e comunicação (TIC) e serviços prediais (limpeza, jardinagem, segurança). “Definimos desde a melhor forma de se chegar ao local, se de metrô, ônibus ou carro, à melhor maneira de acesso à internet, visando mais segurança ao sistema”, afirma Pilli.

A segunda fase foi a contratação de prestadores de serviços, tudo, é claro, com base em processos licitatórios. O interessante deste processo é que as empresas contratadas passam por constante avaliação e recebem por seus trabalhos de acordo com o índice de satisfação dos usuários. “Por exemplo: os usuários do restaurante irão avaliar o desempenho dos serviços por meio de notas diárias, valores que serão computados todo mês. Se a empresa responsável pela alimentação não atingir a meta, ela recebe apenas uma parte da remuneração por seus trabalhos. Se no final de um ano a avaliação for negativa, o contrato é desfeito. São medidas previstas no contrato”, diz. E assim ocorrerá com o transporte, fornecedores e até mesmo os serviços prestados por empresas do governo, como Cemig e Copasa. Todos serão avaliados.

A terceira e última fase desenvolvida pela Accenture na Cidade Administrativa é a transição e implantação definitiva de políticas, processos e normas de operação. Onde entram ainda serviços básicos como horários de carga e descarga, reciclagem de lixo e outros essenciais para o funcionamento adequado do local que irá abrigar 16,5 mil servidores. Cesar Pilli conta ainda que cada um dos funcionários recebeu kit personalizado, que tem por objetivo diminuir os ruídos da transferência. “Estamos planejando a mudança órgão a órgão. Con­sultando o kit, o servidor poderá se informar desde o modelo de alimentação oferecido ao local onde irá trabalhar, sua mesa, seu ramal. Tudo personalizado”, diz Pilli. “Nosso objetivo é apresentar soluções práticas para o bom funcionamento da Cidade Adminis­trativa”, completa, lembrando que todo este trabalho será coordenado por um núcleo do governo de Minas. O contrato da Accenture com o estado termina em dezembro deste ano. 
Móveis da Cidade Administrativa:investimento de 80 milhões de reais
Móveis da Cidade Administrativa:investimento de 80 milhões de reais
Ao chegar ao novo local de trabalho, o servidor público irá encon­trar ambiente corporativo organizado, moderno, eficiente e atualizado. Quem garante é Ivo Wohn­rath, da Athie Wohnrath Associados Arquitetura Cor­porativa, empresa selecionada, dentre vários escritórios, para cuidar do plano diretor de ocupação e organização dos ambientes e escritórios da Cidade Adminis­tra­tiva. “Há cerca de um ano, o trabalho foi iniciado. Somos responsáveis pelo planejamento es­pacial. Enten­de­mos a demanda do governo de Minas e, a par­tir dos dados levantados, de quan­tas pessoas ocupam as secre­tarias, progra­mamos o que seria feito”, conta Paulo Homem de Mel­lo, arquiteto res­ponsável pelo processo na Athie. 
Perspectiva dos prédios: planejamento para a ocupação do espaço
Perspectiva dos prédios: planejamento para a ocupação do espaço
Ivo Wohnrath destaca que a Cidade Administrativa é o complexo de maior expansão do Brasil. São 240 metros de áreas de interiores, volume representativo. “Monta­­mos uma equipe com cerca de 50 pessoas, entre arquitetos, engenheiros e profis­sionais responsáveis pelo planejamento de campo. De março a julho de 2009, definimos o conceito dos móveis e demos apoio à licitação dos fornecedores. Depois, lapidamos o leiaute e acompanhamos a implantação”, diz. Segundo Wohnrath, esta foi a primeira vez que sua empresa realizou trabalho para uma entidade pública. “Ficamos surpresos com o grau de competência e profissionalismo que existe”, destaca. Wohnrath afirma ainda que os móveis foram desenhados exclusivamente para a Cidade Admi­nistra­tiva. Segundo ele, a intenção foi de não depender de um único fabricante. Dessa forma, foram escolhidos 17 fornecedores por meio de licitação. “Os móveis são iguais, independentemente dos fabricantes. Com isso, houve redução de 20 milhões de reais no custo.” No total, foram investidos 80 milhões.
Espaços das salas foram planejadas por equipe de 50 pessoas
Espaços das salas foram planejadas por equipe de 50 pessoas
“Além de pensar em um ambiente moderno, pensamos também em promover a interação e a sinergia entre os profissionais e as secretarias”, diz. Para isso, a estrutura é dinâmica, as divisórias entre as mesas são baixas, o ambiente é aberto e todos podem se ver e se comunicar. Os móveis foram padronizados em cada detalhe, permitindo uma melhor relação das pessoas no ambiente de trabalho. “A qualidade e a beleza da Cidade Administrativa irão motivar os funcionários do govenro, que vão se sentir bem em trabalhar com equipamentos novos, que atendem às necessidades”, acredita.
Ivo Wohnrath: “A migração será feita gradativamente”
Ivo Wohnrath: “A migração será feita gradativamente”

De acordo ainda com Ivo Wohnrath, os gabinetes não possuem espaços grandes demais, nem sobras, apenas o suficiente. Além disso, houve preocupação com a segurança e o desenvolvimento imobiliário, para que atendessem às normas brasileiras de ergonomia. Em março, o palácio inteiro, três andares da Torre 1 e dois da Torre 2, estarão concluídos. “A migração das secretarias será feita gradativamente. Tudo está dentro do cronograma”, diz, lembrando que a decoração de algumas áreas do palácio ficou a cargo do escritório de Oscar Niemeyer.

A Athie Wohnrath está no mercado há 20 anos, com escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro. A empresa é voltada para a arquitetura corporativa e se desenvolveu muito com apoio na eficácia, otimização dos custos, sustentabilidade e segurança, com metodologia e softwares próprios. “Hoje, são 270 colaboradores e já fizemos projetos na Europa e também na América Latina”, afirma.

Obra do Mestre Niemeyer

Ana Arsênio e Terezinha Moreira

Acho que este conjunto vai ficar tão bonito, tão imponente, que diante dele criei uma larga rua de passeio – só pedestres – onde o povo, satisfeito, possa também apreciar a beleza desta obra que, a meu ver, vai marcar o início dessa arquitetura monumental que, em certos casos, se faz monumental.” A previsão inicial do mestre da arquitetura brasileira, Oscar Niemeyer, sobre mais uma de suas obras, se concretizou. Hoje, a Cidade Administrativa, com toda a sua imponência, representa um dos marcos mais importantes na história arquitetônica e urbanística de Belo Horizonte. A obra já se transformou em mais um cartão-postal da capital mineira, ao lado de outras de Niemeyer como o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, o Edifício Niemeyer, o Iate Clube e o Conjunto JK.

Cada uma dessas obras se destaca por suas peculiaridades, que o diga o arquiteto e estudioso sobre os trabalhos do mestre, Danilo Matoso Macedo. “A obra de Oscar Niemeyer tem vários momentos distintos. Não acho que a Cidade Administrativa possa ser comparada à Pampulha, por exemplo. São fases distintas de sua arquitetura”, diz. Segundo o arquiteto, que já realizou vários projetos de iniciação científica sobre a arquitetura moderna mineira, talvez o único ponto em comum entre elas seja a habilidade de Niemeyer em trabalhar com o espaço vazio.

Prédio do Congresso Nacional em Brasília
Prédio do Congresso Nacional em Brasília
“Suas obras sempre fazem uso de  vazio complementar, de modo a tornar visíveis os volumes puros por vários ângulos distintos, criando uma situação urbana. Em alguns casos, como no Conjunto Governador Kubitschek ou no Edifício Niemeyer, ele aproveita o vazio das praças existentes. Quando não há este vazio, ele o cria dentro do próprio terreno, por meio de uma habilidosa implantação. Esta estratégia diferenciada destaca-se naturalmente no tecido urbano tradicional”, diz o arquiteto.
Danilo Matos: estudioso da obra de Niemeyer
Danilo Matos: estudioso da obra de Niemeyer

Danilo Matoso Macedo nasceu em Brasília, mas se formou em arquitetura pela UFMG. Sua dissertação de mestrado, concluída em 2002 também pela UFMG, tinha por temas as obras de Oscar Niemeyer em Minas Gerais, projetos no período de 1938 a 1955. Lembrando que em 1940, Niemeyer deu vida ao Conjunto Arquitetônico da Pampulha, a pedido de Juscelino Kubitschek, prefeito de Belo Horizonte. Até hoje chamam a atenção a Casa do Baile, o Museu de Arte da Pampulha, a Igreja São Francisco de Assis e o Iate Clube, este construído também na mesma época. Já o imponente Conjunto JK, nas imediações da praça Raul Soares, foi erguido em 1963.

A obra mais recente de Niemeyer em Minas, a Cidade Administrativa, idealizada pelo governo Aécio Neves, vai abrigar todas as secretarias e órgãos do estado. Ao todo, o conjunto possui cinco edificações, sendo a mais imponente o Palácio Tiradentes. Sede do governo, ele é suspenso por cabos de aço, formando o vão livre de 147 metros no térreo. As secretarias ficam em dois prédios idênticos, feitos em curva, com 15 andares cada um. O centro de convivência em formato redondo, com lojas, restaurantes e bancos, além de auditório de quase 500 lugares completam o cenário. A construção côncava, com espaço vazado na parte de cima, representa a figura de um olho e lembra a igrejinha da Pampulha, obra que reflete bem o estilo arquitetônico de Niemeyer. “Tivemos, desde o primeiro momento, a preocupação de simplificar e fazer o mínimo de prédios possível. Buscávamos uma solução que fosse adequada à importância do projeto e que, ao mesmo tempo, garantisse o menor custo possível”, diz o principal parceiro de Oscar Niemeyer, o engenheiro calculista José Carlos Sussekind, durante visita ao ainda canteiro de obras da Cidade Administrativa. Na ocasião, Niemeyer, ao lado do colega, também se expressou: “É preciso haver entusiasmo e a certeza de que essa obra vai ser importante para Belo Horizonte.”

Igrejinha da Pampulha
Igrejinha da Pampulha

Segundo Danilo Macedo, é sempre importante frisar que a obra de Oscar Niemeyer não existe como um fato individual e isolado. Ela é fruto de ambiente cultural bastante frutífero, em que diversas pessoas e grupos desempenharam seus diversos papéis. “Sem uma cultura excepcional de cálculo e execução de concreto armado, por exemplo, coisa que tínhamos no Brasil na épo­ca, a Pampulha não teria sido possível”, destaca Danilo Macedo. No entanto, ele afirma não concordar com o clichê  popular que diz que a arquitetura de Niemeyer é bonita, mas não é funcional.

Para ele, trata-se de visão míope da questão da funcionalidade. As funções de um edifício mudam dia a dia. Na maioria dos casos, alteram antes mesmo de que a obra fique concluída, gerando adaptações durante a execução. Nesse sentido, na opinião de Danilo, não há edifício que seja inteiramente adaptado às suas funções. Há, isso sim, prédios que são mais adaptáveis a funções diversas. “E, nesse aspecto, acho que as obras de Niemeyer são bastante funcionais, pois a simplicidade de sua concepção admite diversos usos, mantendo a integridade formal. Convido esses críticos a refletirem se há algum edifício que considerem inteiramente funcional. Não haverá nenhum. E entre um prédio bonito e não funcional e outro feio e não funcional, eu fico com o primeiro”, completa.

Fernando Pimentel / AE
Fernando Pimentel / AE

Justa Homenagem

Cidade Administrativa é inaugurada no dia em que Tancredo Neves completaria 100 anos. O nosso preito é relembrar um pouco da trajetória deste político mineiro que fez história no Brasil

Alex Capela (Colaborou Iracema Barreto)

Com a derrota da chamada emenda Dante de Oliveira, que instituía as eleições diretas para presidente da República no Brasil, em 1984, depois de 20 anos de governos militares, o ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves (1910-1985) foi o nome escolhido para representar uma das mais multifacetadas alianças políticas da história republicana. Não poderia ter sido diferente. Afinal, quem vê hoje o governador Aécio Neves (PSDB) colocar-se como um conciliador sabe que o tucano herdou a principal característica do avô.

Crítico mordaz em seus discursos, Tancredo usava um amplo repertório de frases para desestabilizar quem estivesse em seu caminho. Mesmo se o adversário fosse o também implacável general João Bap­tista Figueiredo. O ex-presidente militar também deixou um legado de críticas a diversas autoridades brasileiras. Tancredo foi uma delas. No entanto, o general elevou o mineiro ao hall dos políticos mais notórios da sua geração. Afinal, de Minas, Tan­credo lançava lufadas na direção dos quartéis em favor da democracia, en­quanto preparava as bases para a campanha Diretas Já – ação popular que mobilizou os jovens e prega­va as eleições diretas para presidente.

Debaixo dos olhos dos generais, tendo o senador José Sarney como vi­ce, foi eleito presidente pelo Colé­gio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, representando o partido da oposição e derrotando Paulo Maluf, o nome da direita. “O Tancredo usava uma espécie de transformismo co­mo força política na ação de cooptar os seus aliados. E ele conseguiu fazer, naquele momento, com que o país encontrasse uma solução moderada para a crise. A população já estava nas ruas num grande movimento popular”, explica o cientista político Fernando Massote.

Reprodução
Reprodução

Com isso, o mineiro de São João del Rei conseguiu reunir, na mesma campanha, os  autênticos e os mo­derados do PMDB, partido que ajudou a fundar e foi um de seus principais líderes, ao lado de Ulisses Guimarães. Apenas o PT optou por ficar de fora do acordo. “O nome de Tancredo sintetiza a conciliação na história da política brasileira. Enquanto todos pensavam que seguiria o rumo da radicalidade, ele fazia o inverso. Era um político pragmático e usava essa característica para conseguir apoiadores”, diz Ricardo Caldas, professor do Instituto de Ciência Política (IPOL) da Universidade de Brasília (UnB).

Aos interlocutores, gostava de repetir a frase: “Nunca me convidam para um banquete. Só se lembram de mim na hora da tempestade”. Na véspera de tomar posse, em 14 de março de 1985, foi internado em estado grave no hospital e o vice-presidente José Sarney assumiu o car­go. Morreu no dia 21 de abril, em São Paulo, mesmo dia em que o país rende homenagens ao mártir Tira­dentes. Diante da comoção nacional, Tancredo ficou, mais uma vez, de fora do banquete do que viria a ser a ressurreição da democracia brasileira. Filho de Francisco de Paula Neves e Antonina de Almeida Neves, Tancredo era o sexto de 13 filhos.  Se ainda estivesse vivo, teria completado 100 anos no dia 4 de março.

Arquivo / AE
Arquivo / AE

FRASES DE TANCREDO

“Então não me conte. Se você, que é o dono do segredo, não consegue guardá-lo, imagine eu” (Quando alguém tentou contar-lhe um segredo)

“Eu não merecia isso” (Ao neto Aécio, indo para a sexta operação)

“É tapar o nariz com o lenço e ir ao Colégio Eleitoral, se isso for necessário. Pode ser ruim, mas não ir pode ser péssimo” (Em junho de 1984, quando sua candidatura indireta à Presidência da República já era fato consumado)

“Até agora ele só enfrentou amadores, não enfrentou ninguém
profissional”  (A um jornalista que se referiu à fama de imbatível do deputado Paulo Maluf)

“Não é nada disso, minha filha. Macho é hoje uma palavra unissex”
(À deputada Ruth Escobar, desculpando-se por ter dito que a campanha eleitoral era uma luta para machos)

“O meu será um governo de centro, com tendências para a esquerda conservadora” (Após sua escolha como primeiro-ministro do governo João Goulart, em 1961)

Exemplo na Política

Alguns passos de Tancredo.....

  • Filho de Francisco de Paula Neves e Antonina de Almeida Neves, Tancredo era o sexto de 13 filhos
  •  Deu seus primeiros passos na política em 1933, filiando-se ao Partido Progressista. No ano seguinte, já era vereador pelo partido
  • A decretação do Estado Novo por Getúlio Vargas, em 1937, interrompe sua carreira política e ele passa a atuar como advogado. Só em 1945, com a queda do Estado Novo, volta à política partidária
  • Pelo PSD elegeu-se deputado estadual (1947-1950) e deputado federal (1951-1953)
  • Foi ministro da Justiça e Negócios Interiores do governo Getúlio Vargas
  • Foi um dos líderes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido criado em 27 de outubro de 1965, quando instituído o bipartidarismo no Brasil
  • Foi reeleito deputado federal seguidas vezes entre 1963 e 1979
  • Foi governador de Minas Gerais (1983-1984)
  • Foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985
  • Em 14 de março de 1985, um dia antes de sua posse, fez sua última aparição pública, em uma missa no santuário Dom Bosco
  • Ficou 38 dias internado e submeteu-se a várias cirurgias
  • Morreu no dia 21 de abril de 1985, em São Paulo
Ponte Estaiada: projeto de destaque na capital paulista
Ponte Estaiada: projeto de destaque na capital paulista

Empresa Global

Pioneira em trabalhos no exterior em sua área de atuação, Mendes Júnior vive nestes primeiros meses de 2010 a expectativa de voltar a atuar no mercado internacional

Ana Arsênio e Lilian lobato

Temos sido constantemente procurados por governos e empresas estrangeiras e nacionais para levarmos nossa engenharia para outros países. Estamos analisando projetos em Angola, Emirados Árabes, Panamá, Peru, Haiti, Mauritânia, entre outros", revela o vice-presidente de mercado da Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes. Segundo ele, nos países em que atuou, a empresa deixou sua marca de qualidade e credibilidade. No final da década de 1970 e início dos anos 80, a empresa deu o grande passo para o seu crescimento no mercado externo, no Iraque. Foi contratada para a construção da ferrovia Baghdah-Akashat, da rodovia Expressway e de uma estação de bombeamento de água do rio Eufrates (Projeto Sifão).

Na ocasião, cerca de 10 mil trabalhadores brasileiros foram mobilizados para as obras no Iraque. Foi montada a estrutura de 725 casas, 744 acomodações, hospital, escolas, supermercado e clubes. A atuação da Mendes Júnior no Iraque consolidou a empresa entre os grandes destaques da construção pesada nacional e internacional. Em 1985, foi entregue ao Ministério de Transportes do país a ferrovia Baghdad-Akashat, um projeto no valor de 1,3 bilhão de dólares. Já a rodovia Expressway foi construída de 1981 a 1986. Em 1984 foi dado início à construção do Projeto Sifão.

Murillo Mendes: Brasil passa por fase promissora
Murillo Mendes: Brasil passa por fase promissora

"O Iraque é um país onde a Mendes Júnior fez história, mas, em princípio, não pensamos em voltar a atuar por lá. Hoje, as condições são outras e, apesar de o mercado de engenharia estar aquecido, a questão da segurança ainda nos preocupa bastante. Afinal, temos como premissa não expor nossos colaboradores a situações de risco", diz Sérgio Mendes.

Além do Iraque, a empresa atuou no Chile, com projetos como o metrô de Santiago, o mineroduto de Collahuasi, a estação de tratamento de água de La Florida, túneis Corrales e a barragem de Puclaro. A Mendes Júnior esteve presente também na China, com a construção da usina hidrelétrica de Tian­shengqiao I. E em países como a Mauritânia, Bolívia e Colômbia.

Atualmente, no entanto, a Mendes Júnior  atua mais no mercado interno, que está extremanente aquecido. Dos desafios de engenharia que têm estimulado e motivado a empresa, nos últimos anos, Sérgio Mendes destaca projetos como o da Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira (SP), as expansões das refinarias Duque de Caxias (RJ), Gabriel Passos (MG), Alberto Pasqualini (PR) e de Paulínia (SP), da Linha Verde do metrô de São Paulo, a manutenção de plataformas para a Petrobras, o gasoduto Cacimbas Catu (BA), o Rodoanel (SP), BR-101 (PE), BR-429 (RO), irrigação dos platôs de Guadalupe (PI), torre de TV digital, veículo leve sobre trilhos e estrada Parque Taguatinga (todos no DF) e o porto de Maceió (AL).

Sérgio Mendes: consultas recorrentes por projetos no exterior
Sérgio Mendes: consultas recorrentes por projetos no exterior
A grande participação atual da Mendes Júnior em Minas Gerais é na Cidade Administrativa, nova sede do governo do estado, onde participou de dois consórcios. "Um deles executou o Palácio do Governo, projeto que conta 8
com o maior vão livre do mundo, com 147 metros de comprimento, além do auditório e de toda infraestrutura do local. No outro, liderado por nós, executamos o projeto do túnel de acesso à Cidade Admi­nistrativa", diz. Segundo Sérgio Mendes, a empresa realizou outros grandes projetos no estado, como o do aeroporto de Confins, a da siderúrgica José Mendes Júnior (atual Arcelor Mittal, em Juiz de Fora), a de hidrelétricas de Furnas, Itumbiara, Marimbondo, entre outras; a Via Expressa, metrô de Belo Horizonte, Boulevard Arrudas e a expansão da Rio Paracatu Mineração.
Expansão da Regap: mais uma obra com a marca da Mendes Júnior
Expansão da Regap: mais uma obra com a marca da Mendes Júnior

Já o presidente da Mendes Júnior, Murillo Valle Mendes, destaca que Minas Gerais passa por uma fase promissora, de renascimento, o que colabora com os negócios de sua empresa. Ele revelou ainda que, em 2009, a companhia cresceu 60% frente a 2008. "O mercado da engenharia é muito grande e aumentou ainda mais. A fase do Brasil é de dar um salto maior. Obras para o setor de engenharia são essenciais e demandam firmas confiáveis. 2010 deve ser um ano bom e o Brasil tem tudo para abandonar as crises periódicas", prevê.

De acordo com ele, a Mendes Júnior é um grupo forte e possui valores de competitividade e compromisso em honrar os contratos. "Nossa estratégia é ser uma empresa sólida, com o crescimento sendo consequência. O Brasil enfrentou muito bem a crise econômica mundial, mas o mundo ainda não resolveu os problemas que levaram a ela. Nosso país não foi pivô da crise, mas sofreu as consequências e ainda é preciso cautela", diz. Para Murillo Mendes, a empresa, no entanto, passou bem pela crise econômica, seguindo o planejamento estratégico."O setor de serviços de engenharia no país continua tendo alta demanda e o que não faltam são oportunidades. Só em problemas urbanos, de transporte, saneamento e energia, há muito trabalho que ainda não será solucionado este ano", acredita.

Restaurante no centro de convivência: tudo perto
Restaurante no centro de convivência: tudo perto

Serão 30 lojas

Além dos restaurantes, servidores públicos da Cidade Administrativa contarão com comércio e serviços diversificados na edificação circular batizada de centro de convivência

Raquel Ayres

Para atender a população da Cidade Administrativa, 30 lojas estarão à disposição dos servidores e visitantes, formando o centro de convivência. Além de serviços essenciais como farmácia, terá agência de correio e praça de alimentação, lojas de celular, presentes, chocolates, papelaria e quiosques de artesanato e coleta de roupa para lavanderia. “Serão 16,5 mil pessoas que ficarão ali o dia todo e, quando forem embora, o comércio também já estará fechando. Elas precisarão resolver tudo por ali”, avalia Adriana Gribel, diretora financeira da Tenco Realty, empresa vencedora da licitação responsável pelo planejamento, desenvolvimento e gerenciamento dos negócios a serem disponibilizados no piso térreo, subsolo e no 9º andar. Neste pavimento, segundo Adriana, funcionarão três restaurantes – um self-service e dois à la carte – que terão a finalidade também de atender o governador, que recebe comitivas e delegações internacionais. De tamanho médio – por volta de 43 m2 –, as primeiras unidades comerciais serão inauguradas a partir de maio. Até o fechamento desta edição ainda não havia a definição de nomes e marcas que iriam compor o centro de convivência.  A edificação conta com dois pavimentos em formato circular e localiza-se entre os prédios das secretarias. Seus 4,5 mil m2 são ligados aos dois prédios por meio de túnel e área externa. Formado por vigas que partem dos centros para as extremidades e outras circunferenciais que contornam o prédio, suas estruturas em curvas e vãos livres guardam a marca do arquiteto Oscar Niemeyer.

Oswaldo Borges da Costa, PCO, Marcelo Nascif e J.D Vidal
Oswaldo Borges da Costa, PCO, Marcelo Nascif e J.D Vidal

Missão Cumprida

Presidente da Codemig, Oswaldo Borges, emociona-se ao falar, em evento promovido pela VB Comunicação, sobre os desafios de um projeto grandioso: a construção da Cidade Administrativa

Texto: Vanessa de Cobucci
Fotos: Tião Mourão

Uma obra de dimensões gigantescas. A construção reúne o que há de mais eficiente e moderno em acústica, climatização e de uso racional de recursos. Esses são apenas alguns dos parâmetros apresentados pelo diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Oswaldo Borges da Costa Filho, para explicar aos presentes em almoço no Espaço V o processo de planejamento e de construção da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, já em funcionamento no bairro Serra Verde, região Norte da capital. Até outubro deste ano, o complexo será o local de trabalho de 16,5 mil funcionários públicos. Promovido pela VB Comunicação, o encontro reuniu empresários da construção civil, comércio, indústria, entidades de classe, além de representantes do Legislativo e do Executivo.

Responsável pela implantação da Cidade Administrativa, a Co­demig é uma empresa de economia mista, com foco no desenvolvimento econômico e de infraestrutura de Minas Gerais. O órgão possui receita própria, ou seja, seus recursos independem do tesouro público. Oswaldo Borges lembrou que os 1,2 milhões de reais de investimentos consumidos no complexo projetado por Oscar Niemeyer – que até o fechamento da edição chegava a 90% de conclusão e de pagamento às construtoras –, veio desse caixa único. A previsão é de que as obras sejam finalizadas em abril. “Tudo foi feito com recursos próprios, não utilizamos nada dos cofres públicos. O estado não deixou de atender a nenhuma de suas áreas para construir a Cidade Adminis­trativa. Foi tudo minuciosamente planejado para que enfrentássemos a obra com tranquilidade.” O complexo foi construído por nove empreiteiras que venceram o processo licitatório. Ao final do evento, todas foram homenageadas pela VB Comunicação.

Joel Motta, Silas Mori Fernandes, André Cotta Carvalho
Joel Motta, Silas Mori Fernandes, André Cotta Carvalho

Para Oswaldo Borges, a Cidade Administrativa é um marco por apresentar técnicas de construção ousadas que vão além da beleza arquitetônica. “É de se espantar o que há de tecnologia e funcionalidade embarcadas ali, quebrando vários recordes: é a maior obra de edificação em um só local, ou seja, em área construída, da América Latina. Sem contar o vão livre do Palácio Tiradentes, que é um recorde mundial de construção feita em concreto suspenso.”

A dinâmica adotada do pré-projeto até a obra foi inédita. “Ao contrário do que ocorre em obras públicas, tivemos um período de planejamento e projeto maior do que o de execução. Seguimos o exemplo de países avançados. Um bom planejamento dispensa modificações durante seu andamento e reduz o tempo no canteiro de obras. Em 2004, o governador encomendou o projeto. De 2004 a 2007 foi para planejamento e levantamento de recursos. Em 2007, licitamos a obra.” A transferência dos 43 órgãos que serão deslocados para a Cidade Administrativa até outubro deste ano representará uma economia anual de 92 milhões de reais para o governo, acabando com a redundância de serviços, gastos com aluguéis e manutenção dos 53 prédios anteriormente utilizados, além da economia nas telecomunicações, que passam de chamadas locais para ligações entre ramais.

 João Marcos Fonseca, Oswaldo Borges e José Carlos Carvalho
João Marcos Fonseca, Oswaldo Borges e José Carlos Carvalho
 Altivo Oliveira e Paulo Alkimim de Oliveira
Altivo Oliveira e Paulo Alkimim de Oliveira
Saulo Wanderley Filho, Ricardo Vinhas e Fernando Frauhes
Saulo Wanderley Filho, Ricardo Vinhas e Fernando Frauhes

Ao final da palestra, Oswaldo Borges fez um depoimento emocionado sobre a Cidade Administrativa e falou sobre a sensação de dever cumprido. “São várias conquistas mais a ousadia do governador Aécio Neves que nos entusiasmaram e nos levaram a concluir a obra. Conseguimos, dentro dos objetivos traçados pelo governador, cumprir todo o cronograma.” Segundo o diretor-presidente, a Cidade Administrativa mudou o conceito da gestão pública. “É um motivo de muito orgulho, pois em Minas estávamos desacostumados a grandes obras. O governador resgatou a posição do estado, não só no cenário político nacional, e o seu maior legado, além das centenas de obras que realizou, é deixar para o povo mineiro a recuperação da nossa autoestima. Percebo que a população, os empresários e os próprios funcionários públicos sentem orgulho em falar dessa obra. O que o povo quer é que seus impostos, contribuições e serviços sejam investidos de forma inteligente e que também leve desenvolvimento a sua região.” Ainda em 2010, a Codemig fará investimentos na área de turismo e negócios em eventos. Res­ponsável pela implantação da Ex­pominas, na Gameleira, e pelas unidades Expominas em Araxá e em Juiz de Fora, a Codemig vai aumentar a oferta de centros de eventos. “Em breve implantaremos uma Ex­pominas para Teófilo Otoni, e já iniciamos a contratação do projeto da Expominas para São João del Rei”, disse o diretor-presidente.

Mais fotos do evento aqui.


 
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