Lidar bem com o dinheiro é grande problema na humanidade. Quem garante é o consultor financeiro Rodrigo Ventre. “Algumas pessoas criam dívidas, outras viram escravas do dinheiro, porque têm muito, mas não dispõem de tempo para gastar nem alegria de viver”, enumera. Aos 30 anos, formado em engenharia civil, com especialização em desenvolvimento de pessoas, gestão de negócios e finanças, Ventre utiliza o coaching para ensinar as pessoas a administrar bem o vil metal e serem felizes.
O que é coaching financeiro?
Coaching é um processo com início, meio e fim, definido em comum acordo entre o coach (profissional) e o cliente de acordo com os objetivos desejados. O coaching financeiro ajuda as pessoas e organizações a entender a sua relação com o dinheiro, a organizar suas finanças, a planejar e criar uma clara visão de futuro com metas e ações.
Lidamos mal com o dinheiro?
Sim, muitas vezes aprendemos que dinheiro é sujo, algo ruim. Na verdade é um meio que pode nos permitir a realização de desejos, projetos e pode ajudar outras pessoas. Na prática não sabemos lidar com o dinheiro. Muitas vezes nos tornamos escravos dele, alguns criam dívidas, outros têm muito dinheiro e não têm tempo e alegria de viver. Nestes casos o dinheiro se torna o senhor, quando deveria ser o oposto. Queremos dinheiro sim, mas temos medo e culpa. Somos educados que existe algo negativo em relação à riqueza.
Que dicas você dá para ter uma vida financeira organizada?
Anotar ganhos e gastos, planejar metas e fazer reservas – mesmo que no começo ainda seja pouco – é o primeiro passo para a organização financeira. É uma questão de mudança de cultura, hábitos e disciplina, por isto pode parecer difícil. Mas, ao praticar, muitas vezes descobrimos que pode ser fácil e faz toda a diferença.
Hoje há forte apelo para o consumo na mídia. Como fugir disso?
O apelo começa com as crianças, que são as mais influenciáveis. Elas são os futuros consumidores e por isto os pais devem estar atentos. Para mim a questão dos supérfluos tem a ver com carência e consciência. Por que algumas pessoas compram muito? Por que outras compram de forma incontrolada, sabem disto e não conseguem parar? Os bens de consumo fazem o papel do afeto e as pessoas buscam neles uma forma de suprir as lacunas que sentem em suas vidas.
Pesquisas revelam que crises financeiras estão entre as causas de separações conjugais.
Muitos casamentos não sobrevivem a uma crise financeira e outros se separam não pela falta de dinheiro, mas pela discordância sobre o uso. Mas será que o dinheiro tem o poder de destruir um casamento? Na verdade, a questão das finanças tem a ver com os valores. Se eu valorizo muito certa coisa, vou usar o dinheiro para isto e muitas vezes existem diferenças entre o casal. Neste caso, a discussão em relação às finanças está relacionada, no fundo, à discordância de valores. Neste caso, o caminho é sempre o diálogo e a negociação.