Com Flávio Pentagna Guimarães
Aos 82 anos, o banqueiro Flávio Pentagna Guimarães tem tudo para ficar de pernas pro ar usufruindo do império que construiu, mas não quer viver longe dos desafios. Fundador de empresas nos setores industrial, imobiliário e financeiro – entre eles o banco BMG –, ele investe agora em projetos de energia alternativa. Um deles fabrica fogão a lenha que gera energia, batizado de BMG Lux. Outro, em fase de aperfeiçoamento, produz motor movido a ar comprimido. “Não vamos parar”, avisa. Num misto de serenidade de quem conhece os apuros da vida e o entusiasmo de um jovem, o banqueiro falou à Viver Brasil sobre os múltiplos sonhos e projetos. Confira a seguir:
Por que decidiu apostar em energia alternativa?
Há uns dois anos, o engenheiro Ronaldo Sato me trouxe um produto: o fogão a lenha que gera energia. Esse fogão aquece água, que vaporiza. O vapor é canalizado numa turbina, produzindo energia. Decidi apostar na invenção dele porque acho que o mundo está precisando de energia barata. O Brasil, por exemplo, tem o programa Luz para Todos, em que um padrão custa de 18 a 20 mil reais. O fogão a lenha custa 5 mil reais e gera energia suficiente para manter ligados, simultaneamente, quatro lâmpadas, uma geladeira e uma TV.
Quantos fogões já foram produzidos?
Desde que começamos a sociedade, já vendemos para o Acre, por isso fizemos uma fábrica lá também. Temos linha de montagem em Belo Horizonte. Estamos vendendo muito, só para o governo do Acre foram 400 unidades. Agora existe negociação com a África e grganizações não governamentais (ONGs). Vamos agora doar 5 fogões para o Haiti. Estivemos em um congresso em Bangladesh só sobre fogões. O nosso era o único que produzia energia.
Como é essa sociedade com os inventores?
Damos dinheiro para entrar como primeiro capital, no valor de 2 milhões de reais, e 40% da produção para o socioinventor.
Quais são as outras apostas do senhor?
Além da Energer, que produz os fogões, temos investimentos na área de tratamento de esgoto e um motor que gera energia a partir de ar comprimido. Este último ainda em fase de aperfeiçoamento. Temos sociedade com um grupo egípcio em Sabará para produzir relógio de medição de energia elétrica.
E as outras empresas do grupo?
Meu pai Antônio Mourão Guimarães fundou o Banco Minas Gerais e a mineradora Magnesita (a empresa foi vendida para o GP investimentos por 1,24 bilhão de dólares). O banco BMG está com meu filho, Ricardo Pentagna Guimarães. Tivemos ótimo resultado no ano passado. Esperamos o mesmo em 2010. Somos líder em crédito consignado. Vamos expandir também a concessão de crédito para fornecedoras de grandes empresas. E vou continuar trabalhando para criar empresas novas.