|
SaúdePreciso fazer um examePor um lado, a tecnologia trazendo precisão no diagnóstico de doenças; por outro, médicos e pacientes que muitas vezes banalizam a demanda por pedidos, pulando etapas importantes como a avaliação clínica criteriosa no consultório
Texto: Fernando Torres | Fotos: Pedro Vilela
|
Em contrapartida, percebe-se a banalização dos exames em geral. Muitos pacientes chegam ao consultório já pedindo determinado exame sem que haja a menor necessidade para isso. Alguns médicos cedem e acabam solicitando aos pacientes uma série completa, indiscriminadamente, em detrimento da avaliação clínica. “Antes de pedir qualquer exame de laboratório ou de imagem, o médico deve examinar minuciosamente o paciente e investigar seus hábitos de vida, histórico familiar e perfil psicológico”, argumenta o oncologista Bruno Ferrari. De acordo com ele, é só a partir daí que o médico irá saber qual exame solicitar, como avaliar os resultados e que tratamento é mais adequado para aquele paciente. O problema é que realizar check-ups e exames sem necessidade encarece a medicina e dificulta o acesso a quem realmente precisa. Os excessos também são responsáveis por consultas mais curtas e atendimento apressado. “Médico e paciente pagam a conta. O primeiro por trabalhar sob pressão, e o segundo por não ter atendimento individualizado e personalizado como deveria”, aponta Ferrari. Segundo ele, os exames devem ser pedidos para checar uma suspeita clínica, e não por fobia ou paranoia do paciente. “É o clássico caso de um paciente com diagnóstico de câncer na família que pede exames do corpo inteiro sem apresentar sintomas.” |
Porém, uma ressalva: mesmo sendo complementares à avaliação médica, em muitos casos, os exames são fundamentais. O exame clínico não exclui totalmente patologias ocultas. “Muitas doenças apresentam manifestação tardia, sem sinais e sintomas relevantes, e não são diagnosticadas por meio da avaliação clínica. Sendo assim, os exames exercem papel fundamental na detecção precoce dessas doenças”, defende a médica-radiologista Renata Furletti. Tome-se como exemplo o câncer de mama, com altíssimo índice de morte na população feminina brasileira, mas facilmente diagnosticado pela mamografia. O autoexame só detecta nódulos com tamanho a partir de 1 cm, isto é, em estágio avançado. “Já a mamografia, um exame de imagem, revela alterações não palpáveis, como microcalcificações, nódulos de até meio milímetro e outras assimetrias”, explica o mastologista Henrique Salvador, presidente da Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Mastologia e diretor do Hospital Mater Dei. A radiografia pode indicar a necessidade de fazer um estudo aprofundado da mama, tais como “ampliações da área, compressões locais, ultrassom, punções (introdução de agulha na mama para retirada de material na área suspeita) e ressonância nuclear magnética”. |
Isso não significa que a mamografia deve ser feita isoladamente, e sim interrelacionada ao exame clínico. Foi graças à junção dos dois que a dona de casa Alice Santos, 73 anos, se curou de um tumor na mama esquerda. Há dois anos, enquanto tomava banho, ela notou algo diferente. Marcou a consulta, e o médico realmente percebeu dois nódulos no seio. Na sequência, Alice fez ultrassom, mamografia e punções. Os resultados confirmaram a suspeita de câncer. “Minha mãe e irmã morreram dessa doença, pois não tiveram nenhum acompanhamento médico. Mas minha história foi diferente. Graças a Deus e à medicina, consegui me curar”, comemora Alice. Outra tecnologia muito eficaz para diagnósticos precoces é o aparelho Pet Scan ou PET/CT (Positron Emission Tomography), disponível em três cidades brasileiras, entre elas, Belo Horizonte. Por meio de uma pequena quantidade de glicose injetada no paciente por via intravenosa, feixes de pósitron (antipartícula do elétron) percorrem todo o corpo do paciente e indicam a presença de focos cancerígenos. “O PET Scan, identifica metástases, avalia a repercussão da quimioterapia e radioterapia e indica reincidências”, lista Leonardo Lamego, médico-nuclear do Mater Dei. O aparelho também tem eficácia na cardiologia. De acordo com Lamego, “ele detecta se há pou-co fluxo de sangue migrando para o músculo cardíaco, prevenindo o infarto e possibilitando a intervenção por angioplastia”. Por fim, o PET ainda revela patologias psiquiátricas, sendo eventualmente útil no diagnóstico de mal de Alzheimer, depressão, esquizofrenia e TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). |
O empresário Salvador Ohana, 54, diagnosticou um tumor maligno na garganta por meio de biópsia. Na sequência, submeteu-se ao PET Scan para verificar se não havia outros pontos cancerígenos. Felizmente, os resultados deram negativos, com exceção da própria garganta. Depois da cirurgia, Salvador submeteu-se ao tratamento de seis sessões de quimioterapia e 40 de radioterapia. Em fevereiro, fez novamente o PET Scan, para ratificar que não havia mais nada. “A tecnologia desses exames modernos nos tranquiliza. Temos certeza de que o problema não está se espalhando pelo corpo. Mas o exame clínico foi essencial para meu diagnóstico. Antes de qualquer coisa, o médico apalpou a garganta e detectou que os gânglios estavam alterados”, conta Salvador. A sessão de PET Scan custa cerca de 4 mil reais e só em junho deste ano deve entrar no rol de procedimentos cobertos pelos planos de saúde. Portanto, suas indicações devem ser precisas e justificadas, isto é, quando trazem mais benefícios que outros métodos. No caso de Alzheimer, por exemplo, deve ser usado apenas depois de o paciente realizar outros exames. Na oncologia, por sua vez, não é tão indicado para diagnósticos iniciais, com exceção do câncer de pulmão. Assim, não há porque o paciente solicitar o PET se o médico não identificou nenhuma suspeita. |
Sem dúvida, a alta precisão e difusão dos exames os tornam grandes aliados da medicina moderna, com grandes benefícios para o paciente. O importante é lembrar que eles nunca substituem a avaliação médica. A “dobradinha” entre profissional e tecnologia, quando feita de maneira ética, consciente e responsável, é capaz de salvar vidas.
|
A onda do check-up
Fonte: Centro de Medicina Diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo (SP) Métodos diagnósticos
Ultrassom
Densitometria
Mamografia
PET Scan
Tomografia Computadorizada Multislice
Ressonância magnética
Fonte: Dra. Renata Furletti, médica radiologista do Hospital Mater Dei |
VIVER_BRASIL PROMOÇÃO - Concorra a pares de convites para o musical "Gonzagão", no Teatro Bradesco. Acesse o link e saiba mais on.fb.me/14yHtKw:
TudoBH Mãe de Eliza quer pena máxima para Bruno - Minas jornaltudobh.com.br/minas/mae-de-e? via @TudoBH
VIVER_BRASIL "Achar mão de obra qualificada também é um dos nossos grandes desafios", afirma Paulo Castellari.