Quarta, 23 de Maio de 2012
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Economia

Cenário pronto

Presidente do BNDES, Luciano Coutinho, diz que o caminho para o crescimento do país está traçado e o ideal é que seja puxado pelos investimentos

Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Tião Mourão


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Luciano Coutinho

O atual cenário político e econômico do país. Este foi o tema da palestra do primeiro Conexão Empresarial de 2010, ministrada pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. O evento é promovido pela VB Comunicação, com patrocínios da Usiminas e da operadora de telefonia celular Claro. O Conexão reuniu no Espaço V, em Nova Lima, cerca de 100 empresários e executivos.. “O Brasil está preparado para um ciclo de crescimento de longo alcance como não existiu nas últimas três décadas, por uma série de motivos. Um deles é a questão fiscal e o outro o processo de estabilização da economia com as reservas externas, que deixaram a economia brasileira menos vulnerável”, disse Luciano Coutinho. Para ele, o Brasil tem fronteiras de expansão muito poderosas, divididas em cinco pontos fundamentais. O primeiro é a grande cadeia de produção de gás e de petróleo, que deu maior potencial ao Brasil principalmente após a descoberta do pré-sal. Outro ponto são os investimentos em energia elétrica, que possibilitam e oferecem infraestrutura suficiente para o crescimento do país. A logística também foi destacada por Coutinho, que reconhece que há gargalos, mas que existem projetos rentáveis sob forma de concessão ao setor privado. “Vivemos um cenário em que a confiança do empresariado está mais alta do que antes da crise que devastou grandes economias”, pondera o presidente do BNDES.

O quarto ponto é o setor da construção civil, que deve crescer a partir deste ano em virtude das obras de infraestrutura que serão feitas visando a Copa do Mundo 2014, e do setor imobiliário devido ao volume de recursos recordes liberados pelo governo federal. O quinto e último ponto são os setores de agronegócio e de base em commodities, como minerais, nos quais o Brasil tem nível de competitividade inigualável. Coutinho diz que estes pontos são fundamentais para o desenvolvimento do país, mas também são necessárias
políticas que promovam o desenvolvimento da plataforma de bens de capital de transportes, do já pujante setor de serviços e da indústria manufatureira. Para o presidente do BNDES, o crescimento saudável da economia é o puxado pelos investimentos. “É impressionante a curva de acele­ra­ção do crescimento do Brasil e nosso grande desafio no momento é fazer aumentar a taxa agregada de investimentos sobre o PIB”, aponta. Uma das formas de se conseguir isto é fazendo crescer a poupança doméstica para que o Brasil não dependa excessivamente da externa, que pode ser muito fugaz.

O presidente do BNDES salientou que o Brasil deixou a crise para trás, que o crescimento do país é real e que ele está escolhendo que tipo de crescimento quer ter, se de forma acelerada para ter de pisar no freio no futuro, ou de maneira sustentável. E a escolha do Brasil, na avaliação de Coutinho, é pelo crescimento sustentável. Após a palestra o presidente do BNDES debateu com os participantes. O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado, questionou sobre o desafio de como usar os mecanismos de financiamento para que as empresas possam investir em inovação tecnológica. Coutinho alegou que o BNDES está trabalhando para conseguir a adesão de mais bancos para o fundo garantidor, que gerará recursos para financiar micro e pequenas empresas.

Já o presidente da Itambé, Jacques Gontijo, indagou sobre a inovação no crédito para o setor de lácteos. “Este setor é prioridade em nossa política de investimentos”, garantiu Coutinho. Outro questionamento partiu do diretor da Anglo America, Carlos Gonzáles, sobre os maiores fatores de risco do crescimento do Brasil. Coutinho disse que não vê grandes problemas neste sentido no país, mas que um fator externo seria a não-sustentação do crescimento da economia chinesa.  Para o vice-presidente de Finanças Relações com Investidores e Tecnologia da Informação da Usiminas, Ronald Seckelmann, que fez o discurso de abertura do Conexão Empresarial, eventos desta magnitude são imprescindíveis. “É importante aliar o nome e a marca da empresa em um evento de reflexão do ponto de vista empresarial em que as questões de pano de fundo da economia são discutidas e com o compartilhamento de conhecimento e impressões sobre os temas econômicos do momento”, avalia.


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