Além de tentar apresentar a ministra ao eleitor como ela é, mesmo com o rótulo pouco simpático de durona ou gerente do governo Lula, caberá ao ministro Franklin Martins, por exemplo, tentar ampliar a imagem da petista para algo além de mãe do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento – um dos principais selos do segundo mandato petista, mas até hoje com fraco apelo popular e alvo de muitas críticas da oposição. A ideia é atrelar o nome de Dilma Rousseff a medidas mais tangíveis, como o Bolsa Família e o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que tem a audaciosa meta de construir um milhão de moradias populares até o fim de 2010.
Já ao chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, caberá a tarefa de costurar a transição entre a saída da ministra da Casa Civil do cargo até as eleições propriamente ditas. O presidente Lula não o liberou para ser candidato a presidente do PT na disputa interna realizada no ano passado, pois julgou mais importante mantê-lo ao seu lado até o último minuto do governo.
O contato de Dilma com os demais homens do chamado estado-maior da articulação da campanha ocorreu logo após a filiação dela ao PT, em 2001. Antes, a ministra 8 pertencia aos quadros do PDT. No ano seguinte, Dilma fez parte da equipe que formulou o plano de governo na área energética na eleição de Lula à Presidência da República. Como prêmio pela participação decisiva nas ações, foi escalada como titular do Ministério de Minas e Energia, ao lado do então ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Muito próximo do capital paulista, Palocci também foi convocado para integrar o staff de campanha da ministra Dilma. Vai se dedicar à campanha dela, na qual terá papel fundamental nas negociações com empresários de São Paulo.
O ex-ministro, que foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da acusação de ter violado o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, num dos episódios mais polêmicos da recente história política brasileira, não disputará a indicação do PT para concorrer ao governo de São Paulo. Desistiu para se dedicar exclusivamente à campanha da colega de partido. Palocci foi escalado para atenuar resistências a Dilma junto aos empresários paulistas. Hoje, seu principal desafio tem sido no setor do agronegócio, contrariado com o Programa Nacional de Direitos Humanos, que prevê, entre outros pontos, audiências antes da retirada de sem-terra de áreas invadidas.
No final do ano passado, o ministro Alexandre Padilha substituiu José Múcio Monteiro, que seguiu para o Tribunal de Contas da União (TCU). Padilha já fazia parte da equipe de Dilma como chefe da Subsecretaria de Assuntos Federativos da Presidência. A secretaria tem o papel de articular as demandas dos municípios e estados com o governo federal. Com a experiência adquirida, o ministro vem percorrendo o país para inaugurar obras ao lado da ministra Dilma Rousseff. A sua principal função na articulação da campanha será costurar os entendimentos regionais com os partidos da base aliada do presidente Lula. Com esse objetivo ele já se sentou com caciques do PDT e do PCdoB. “Estamos aprofundando ainda mais as conversas com os partidos da base que ainda não garantiram o apoio. Para vencermos, vamos precisar da ajuda de todos para reforçarmos o caráter plebiscitário da eleição”, diz.
Ricardo Berzoini, ex-presidente nacional do PT, nega que vá integrar a coordenação central da campanha da ministra, mas reconhece que deverá ser um dos articuladores em São Paulo, por onde tentará se reeleger deputado federal. “Se a ministra quiser a minha ajuda como militante do PT já será bom”, esquiva-se. Apesar de tentar negar a participação, assim como fez quando integrou o grupo de petistas egressos do sindicalismo bancário na reeleição de Lula, em 2006, Berzoini fará parte do núcleo responsável pela arrecadação de recursos para a campanha da ministra em vários setores, inclusive naqueles simpáticos ao governador José Serra, pré-candidato do PSDB e até aqui o principal adversário de Dilma na disputa presidencial. “O que temos de fazer é tentar administrar e atrair o maior número possível de apoiadores para a candidatura da ministra”, revela o deputado.
Ao mesmo tempo em que articula sua candidatura ao governo do estado, Fernando Pimentel tem a missão de traçar as estratégias da campanha da ex-companheira de militância estudantil. Além disso, tenta garantir a participação de empresários mineiros na campanha da petista. Confiante na vitória de Dilma, sabe de sua importância entre os homens da ministra. “É essencial um presidente ter aliado de verdade num estado como Minas Gerais. Com todo o respeito aos demais, mas eu sou esse aliado da ministra Dilma”, compara o ex-prefeito, referindo-se também à postulação do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), de ser o candidato da base aliada de Lula na sucessão estadual.