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MercadoDinheiro suadoNúmero de praticantes de corrida de rua cresce a cada ano, assim como os gastos com provas e produtos específicos para a atividade esportiva
Texto: Cláudia Rezende | Fotos: Pedro Vilela
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“Logo depois, registrei a empresa, mas não abri. Aluguei um lugar e comecei a divulgar as corridas que aconteciam. Montei site com todas as informações e, só depois, é que fui para São Paulo e comecei a comprar tudo o que o corredor precisa”, conta. Nasceu assim a Casa do Corredor, o único estabelecimento da capital mineira que é voltada apenas para esse tipo de esportista. “Comecei do zero, há três anos, e, agora, já tenho um nome. Quem corre me conhece.” Vanderley Guerra tratou de adquirir artigos esportivos, itens para alimentação, suplementos e outros produtos para vender no local. Mas não parou por aí. Ele organiza excursões para que os atletas participem de corridas em outros estados, tem equipe própria de corredores para competir, treina pessoas e, ainda, fotografa as provas para vender as fotos aos participantes depois, já que ninguém se lembra de levar câmera. |
Agora, está iniciando a venda de pacotes aéreos para as competições em outros estados e, neste ano, parte para as excursões internacionais. “Quero pegar esse filão do mercado”, diz. Entre as viagens que fez no ano ano, esteve a Corrida Internacional de São Silvestre, em São Paulo. Foram dois ônibus com corredores, sendo que cada um pagou 300 reais, com despesas de hotel incluídas, mas sem contar a taxa de inscrição. De avião, foram 17 pessoas, que pagaram 589 reais cada uma. “Elas foram e voltaram no mesmo dia.” Uma outra área que está em expansão é a de treinamento de corredores. A corrida de rua já não é mais vista como esporte solitário, que precisa apenas de orientação para ser realizada. Praticantes começam a correr e passam a querer melhorar o tempo e, para isso, contam com treinadores. Um deles é o professor de educação física Enir Silva, da RC Runner, em parceria com o ex-maratonista Ronaldo da Costa. “Vejo o mercado em franca expansão mesmo. Tem muita gente que quer correr e não sabe como”, afirma. Segundo ele, os atletas são avaliados e recebem planilha mensal com o ritmo com que devem praticar para reduzir o tempo de percurso. Além do treinamento individual, a RC Runner também faz o trabalho com grupos, a chamada assessoria esportiva. De acordo com Enir Silva, nesse caso, são organizados encontros com os corredores, em locais pré-agendados. A assessoria leva tenda com equipamentos para o esporte e profissionais para orientar os praticantes. Os pacotes variam entre 80 e 150 reais nas assessorias. Mas, quando é treino individual, saem mais caros. “Depende do número de vezes por semana”, diz. É como se fosse um personal trainer de corrida, com custo médio de 50 reais a hora. |
O esporte tem, ainda, outro lado em crescimento: a organização de competições. De acordo com o estudo da Corpore e da FIA/USP, uma corrida pode movimentar entre 1,5 milhão e 6 milhões de reais. Em Belo Horizonte, em quase todos os meses, existe uma pequena maratona que põe os atletas nas principais avenidas. Entre as maiores, estão a Volta Internacional da Pampulha, que tem 17,8 quilômetros e já ocorre há 11 anos, e a Meia Maratona da Linha Verde, com 21,09 quilômetros. Criada há três anos pela Academia By Japão, a competição da Linha Verde já tem 7 mil participantes. De acordo com o dono da empresa, Wiliam Carvalho, o Japão, na primeira edição, houve 2 mil inscritos. “O público só está aumentando”, observa. Segundo ele, entre os competidores, no máximo, cem pessoas são atletas profissionais. “O restante é o povo que corre, o amador que quer se realizar.” Hoje, a academia organiza sete corridas em Belo Horizonte e região metropolitana. A atividade representa cerca de 30% dos trabalhos desenvolvidos pela By Japão. Para o empresário, a popularização do esporte ocorreu no ano passado. O faturamento com as competições vem das inscrições – que variam de preço – e de patrocinadores.
CORRIDA E DINHEIRO Como o esporte tem movimentado o mercado
Perfil dos corredores
Ganhos proporcionados pela corrida, segundo os corredores
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Segundo Japão, os investidores estão começando a ver as corridas como meio eficiente de marketing e visibilidade na mídia, reservando verbas para o patrocínio. “O público que corre é formador de opinião, que compra”, afirma. Além da organização das competições, a academia também tem equipe de corredores e assessoria esportiva. As maratonas trazem ainda dinheiro para as cidades, que recebem os turistas nos hotéis, restaurantes e equipamentos de lazer. Além das novas oportunidades que são abertas pelas corridas, o mercado mais tradicional também está sendo favorecido pelo momento. É o caso das lojas de artigos esportivos. O gerente de marketing da Sport Hall, Luís Felipe Rodrigues, destaca que houve grande crescimento na procura pelos materiais nos últimos dois anos. “Acredito que aumentou mais de 200%”, diz. A rede tem nove unidades em Belo Horizonte e, conforme o gerente de marketing, 15% da movimentação financeira é voltada para atender os corredores. Com a maior demanda, houve também ampliação do mix oferecido ao consumidor. “A cada dia, chega um produto novo”, conta. Segundo ele, os fabricantes estão investindo em novidades, como tecidos leves, que colocam o suor para fora, como a poliamida, tênis específicos, que são adaptados para cada tipo de pisada ou distância percorrida – longa, média ou curta – e dezenas de acessórios, como faixas, munhequeiras, porta-MP3, porta-chave e suporte para garrafinhas de água. |
Corredores agradecem a atenção que estão recebendo e não têm receio em gastar com o esporte que escolheram. A promotora de vendas Rosimeire Chagas de Assis, que começou a correr há cinco anos para perder peso, diz que investe, em média, 250 reais por mês na prática. “A gente gasta bastante, principalmente com as inscrições, que são caras”, observa. Segundo ela, as despesas também são altas com vestuário. São cerca de três pares de tênis por ano – média de 300 reais cada par –, um vidro de protetor solar fator 50 por mês e ainda óculos de sol, boné, short, camiseta, barrinhas de cereais e isotônicos. Rosimeire participa de todas as competições que pode – dentro e fora de Minas Gerais – e já subiu ao pódio várias vezes. “Estou só melhorando meu tempo”, afirma. No ano passado, ela foi para a São Silvestre, que teve inscrições a 90 reais. Quem também coloca a mão no bolso sem dó para gastar com o esporte é o advogado Sandro José Motta Corrêa, que corre há três anos. Para os treinamentos, que costuma fazer na avenida Bandeirantes, região centro-sul da capital mineira, ou para as competições, o advogado vai muito bem equipado. Coloca short e camisa adequados, óculos de sol, protetor solar fator 30, MP3, tênis de corrida (que custa entre 300 e 600 reais), cronômetro, porta-chip (para registrar a largada e a chegada) e até um porta-número para não ter que furar a blusa. Tênis, ele tem de três tipos, para treino, para distâncias entre cinco e 10 quilômetros e para percurso acima de 10 quilômetros. Corrêa participa, ainda, de excursões para corridas fora de Belo Horizonte. Ele diz que corre em cerca de três competições por mês. O gasto com o esporte fica em cerca de 150 reais por mês, tirando as despesas com vestuário e equipamentos. Apesar da paixão pela corrida, o advogado chama atenção para cuidados. “É importante que a pessoa esteja sempre com a avaliação física do médico em dia para saber que está bem para correr.” E, além disso, ter um dinheirinho reservado para as tentações de consumo motivadas pelo esporte. |