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Cidades da Copa 2014Tudo novo, de novoMenor cidade-sede da Copa de 2014, Natal demolirá estádio e ginásio para construção de arena com instalações de Primeiro Mundo
Texto: Márcia Queirós | Fotos: Nélio Rodrigues
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A menor entre as 12 cidades brasileiras palco do campeonato mundial – são 170,298 km² de área e 774.230 habitantes – realizará ainda intervenções de mobilidade urbana, adequação e construção de aeroportos, além de melhorar a infraestrutura portuária para receber turistas. A três anos da Copa das Confederações, quando todas as cidades deverão estar com a casa pronta, Natal luta contra o tempo, mas boa parte das obras não saiu do papel.
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O projeto da Arena das Dunas, que será construído por meio de Parceria Público Privada (PPP) com o governo do estado, abrirá licitação em abril. Nove empresas já foram habilitadas a participar do processo. A previsão é de que as obras comecem em outubro deste ano e sejam concluídas em 2012. Após a Copa, Natal terá outro desafio: evitar que o espaço se transforme em elefante branco, já que a renda de bilheteria obtida com os jogos dos times do estado – América, Alecrim e ABC – não seria suficiente para ajudar na manutenção da arena. Para garantir a sustentação econômica, o projeto de PPP exige que o vencedor da licitação apresente parceiro privado para administração e exploração do espaço. “A ideia é que a arena multiuso seja também palco de shows, congressos e outros eventos”, diz o secretário de Turismo do Rio Grande do Norte e presidente do Comitê da Copa de Natal, Fernando Fernandes. |
A destruição do complexo esportivo enfrenta críticas dos moradores, sobretudo dos mais saudosistas ou que tiram o ganha pão do local. Vendedor de camisas e bandeiras de times em frente ao estádio, Raimundo Ovídio Rodrigues, 58 anos, é um dos revoltados. “Gastaram 20 milhões de reais há dois anos para reformar o Machadão. Agora vão demolir?”, diz indignado. Torcedor do América, o motorista João Maria acredita que a destruição do estádio, que frequenta desde a infância, vai deixar o coração apertado. “Derramarei lágrimas.”
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NATAL EM NÚMEROS Área Densidade IDH PIB População |
De goleada
Na retranca
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Mas não tem volta. Fernandes alega que uma reforma para atender às exigências da Fifa sairia mais cara. “A obra da arena envolve a construção de estacionamento e outros equipamentos que exigem a demolição. O Machadão tem capacidade para 25 mil torcedores. A arena abrigará 45 mil. Nada será destruído, o estado ganhará estádio melhor”, diz. Mesma opinião tem Robson Coelho, secretário-adjunto de Esportes e Lazer de Natal, pasta responsável pela administração do estádio e ginásio. Para Coelho, os moradores de Natal, além da arena moderna, terão outros benefícios já que os 120 mil reais dos cofres municipais destinados mensalmente ao Machadão e Machadinho poderão ser usados para manutenção, por exemplo, das quadras comunitárias. E para não deixar saudosistas insatisfeitos, ele sugere que, em vez de Dunas (o nome é uma homenagem às montanhas de areia das praias de Natal), a arena preserve o nome de Machadão. |
Facilitar o acesso dos torcedores da Copa à Arena das Dunas é outra missão dos integrantes do comitê. A capital do Rio Grande do Norte receberá financiamento de 386 milhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade Urbana para 16 projetos. Serão construídos elevados, túneis e corredores exclusivos para ônibus ao longo da BR–101 e avenida Prudente de Morais que levam ao estádio. As obras têm como propósito evitar os engarrafamentos, que começam tirar o sossego da então pacata Natal, além de facilitar o acesso aos aeroportos e praias.
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A frota atual de automóveis é de 250 mil veículos e a cada mês cresce 10% o número de emplacamentos. “Estamos investindo na melhoria do transporte público, para incentivar os moradores a deixar o carro em casa. Nos últimos 12 meses, 30% dos ônibus foram substituídos por veículos novos”, diz o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Kelps Lima, que comemora o fato de o projeto de Natal ter sido premiado pela Câmara dos Deputados como melhor de todas as cidades da Copa de 2014. Localizado em Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal, o Aeroporto Augusto Severo, a 12 quilômetros do estádio, será readequado para suportar o aumento de passageiros. Com capacidade para atender 1,5 mil pessoas dia, ele chegou a operar com 1,9 mil passageiros em 2009. A Infraero destinará 15 milhões de reais para as obras de readequação. O projeto encontra-se em fase de licitação, com previsão de início das obras no meio deste ano. |
Um novo aeroporto, que promete ser o maior da América Latina, está em fase de construção em São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana e a 11 quilômetros do centro de Natal. As obras começaram em 1996. A pista de pouso e estacionamento de aeronaves estão prontas, mas falta concluir o terminal de passageiros, realizadas por meio de PPP do governo federal. A recepção dos turistas que chegam à cidade de navio também será melhorada com a construção de terminal de passageiros no porto de Natal. O governo federal anunciou no último mês a liberação de 46 milhões de reais para a obra. Hoje os visitantes que embarcam nos cruzeiros são recebidos em armazéns improvisados de cargas. Além de ter o privilégio de sediar o campeonato internacional, os integrantes do comitê potiguar comemoram o legado que o campeonato deixará para a cidade. “Os moradores ganharão com a geração de empregos, melhoria do transporte público e sobretudo com o aumento do turismo, principal fonte de renda da cidade”, diz Fernandes. Moradora de São Gonçalo do Amarante, a desempregada João D’Arc Bezerra da Rocha, 42 anos, é uma das que sonha com melhorias. Há duas décadas, ela diz viver em um barraco de dois cômodos e terra batida às margens da estrada que liga ao aeroporto em construção. Mãe de 11 filhos, ela mora com três deles e o marido, o também desempregado Marcos Alves, 25. A família sobrevive com 120 reais do Programa Bolsa Família mais a pensão da mãe, deficiente mental, de 51. “Vamos ver se com a Copa o asfalto chega, o aeroporto sai e conseguimos emprego”, diz Joana, que espera ter ao menos rede de energia elétrica em casa em 2014 para assistir aos jogos, sem precisar puxar gato da vizinhança. |
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